09/05/2026

'BAGUNÇA' E 'MOTIM' - AFIRMA ESTADÃO SOBRE PARALISAÇÃO DE ESTUDANTES DA USP

Paralisação de estudantes da USP é 'bagunça' e 'motim', afirma Estadão

O jornal O Estado de S. Paulo classifica a paralisação de estudantes da Universidade de São Paulo (USP) como “motim” e “bagunça”. Um editorial publicado neste sábado, 9, sustenta que estudantes não possuem respaldo legal para decretar greve e condena a invasão da reitoria da instituição, ocorrida na semana passada.

A paralisação “é qualquer coisa, menos greve”, diz o texto. O jornal cita o artigo 2º da Lei 7.783, de 1989, que regulamenta o direito de greve e o restringe a trabalhadores em relação de emprego. “Significa que o atual motim de estudantes”, diz o texto, “que paralisa a mais importante instituição de ensino da América Latina, é qualquer coisa, menos greve.”

O Estadão também ressalta que o movimento deixou de ser pacífico depois da invasão da reitoria da USP, na Cidade Universitária, zona oeste da capital paulista. “Baderneiros travestidos de universitários” derrubaram grades e portas de vidro do edifício da administração central da universidade para pressionar pela retomada das negociações.

O texto destaca que o reitor da USP, Aluisio Segurado, já abriu canais de diálogo com os estudantes e se dispôs a ampliar políticas de permanência estudantil, incluindo bolsas, auxílios para moradia, melhorias nos restaurantes universitários e transporte nos campus. Ainda assim, segundo o jornal, a resposta do movimento foi a radicalização.

Depois da invasão, a reitoria acionou a Polícia Militar do Estado de São Paulo e divulgou nota na qual lamentou a escalada da violência. O editorial também menciona manifestações de apoio à administração da universidade por parte da direção da Faculdade de Direito da USP e de professores titulares da Faculdade de Medicina.

Tarcísio também critica invasão da USP

O jornal reproduziu ainda declarações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que criticou a paralisação estudantil. “Não entra na cabeça a greve dos estudantes”, afirmou o governador. O editorial acrescenta que parte dos alunos envolvidos no movimento participa de atividades promovidas pelo “comando de greve”, como oficinas e campeonatos.

“A USP, que recebe anualmente mais de R$ 9 bilhões dos cofres estaduais paulistas, é vítima de um pequeno grupo radical que monta barricadas nos seus acessos e impõe a todos a sua vontade”, diz o jornal. “Nada pode ser mais autoritário do que o fechamento de um espaço público, a interdição do livre debate e o bloqueio da circulação de ideias.”

O texto conclui defendendo o retorno imediato das aulas. “Como estudante que é estudante não faz greve, o movimento dos alunos da USP não passa de bagunça.”

revistaoeste

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