05/05/2018

BRAZUELA: VENEZUELANOS FAMINTOS INVADEM O BRASIL

Venezuelanos deixam casa e família para buscar sustento no Brasil

Imigração de venezuelanos Marcelo Camargo/Agência BrasilTrocar uma casa na paradisíaca Ilha de Margarita, na Venezuela, por uma pequena barraca em Boa Vista, Roraima, fez todo o sentido para Jennifer Bolívar, 28, e Giovanny Ríos, 30. O casal, antes de classe média, foi perdendo aos poucos a vida que acreditava ser segura.
“É um pouco desesperador. Quando se tem uma estabilidade, não se imagina. Eu nunca imaginei que comeria só uma vez ao dia, que daria comida pro meu filho só uma vez no dia. Não imaginava passar por isto”, diz a moça.
Jennifer e Giovanny se agacharam em no canto do abrigo Latife Salomão, um dos seis montados na capital do estado, e fizeram sua última refeição na cidade. No dia seguinte, sexta-feira (4), partiriam para Manaus. Mas a jovem, de estatura baixa e grandes olhos pretos, mal tocou na comida. Segurou a embalagem de isopor fechada, com uma maçã em cima, enquanto conversava com a reportagem. Seu marido devorava o jantar, com arroz, feijão, frango e salada.
“É que almocei tarde, não estou com muita fome”, disse, sorrindo, tímida. O fato de poder escolher não comer naquele momento já faz Jennifer não pensar em voltar tão cedo. Agora, ela espera se estabelecer na capital amazonense.
Com fala firme e articulada, ela torce encontrar emprego rápido e conta também com o sucesso profissional do marido. “Vou com essa certeza, com fé de que vou encontrar algo e seguir em frente. Meu marido é chef de cozinha. Não digo só porque é meu marido, mas ele tem muita experiência, é muito responsável e trabalhador”. O casal chamou atenção dos militares que prestam apoio no Latife Salomão.

Diferenças
De acordo com a Agência das Nações Unidas para as Migrações (OIM), 67% dos migrantes deixaram a terra natal por motivos econômicos e falta de trabalho. Outros 22% por falta de comida e serviços médicos. Quando chegou no Brasil, em dezembro, Alberto Aguillar, 25, ficou satisfeito ao ver os supermercados. “Aqui tem todo tipo de comida nos mercados. Lá é tudo vazio, só tem produtos de limpeza”.
Julio Rangel pretende tentar emprego em Boa Vista e quer fazer cursos para conhecer melhor o Brasil. Para ele, a maior diferença ao entrar no Brasil foi ver a oferta de comida.
“É como se eu tivesse saído de um lugar obscuro para a Disney World (risos). A primeira diferença foi ver todo mundo comendo. Aqui eu vi muita comida nos supermercados, comida que dão, que compartilham. Vi os cachorros comendo comida boa. Na Venezuela não deixam comida para os cachorros”.

Recepção
Ao chegarem ao Brasil, entrando pela pequena Pacaraima, no norte de Roraima, muitos venezuelanos tiveram que vencer a desconfiança. Alguns foram insultados, outros receberam alguma forma de ajuda. Em geral, o discurso dos que buscam refúgio evita generalizar. “Existem pessoas boas e pessoas más”, sintetizou Alberto. Já no Brasil, ele conseguiu emprego. Mas, dois meses depois, parou de receber.

Agência Brasil

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