Abandonado, Delcídio ameaça falar o que sabe
Preso na superintendência da
Polícia Federal em Brasília, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) segue um
roteiro que já se tornou usual nos escândalos da era petista.
Encrencado, o ex-líder do governo esperava obter a solidariedade dos
amigos e companheiros. Ao sentir-se abandonado, ele ameaça contar
segredos capazes de encrencar outras pessoas. O movimento tem o ritmo da
chantagem, feita por alguém que espera obter proteção.
Delcídio irritou-se com o resultado davotação em que o plenário do Senado decidiu mantê-lo na prisão por 59 votos a 13, mais uma abstenção. Abespinhou-se também com comentário atribuído a Lula, segundo o qual ele teria se portado como um “imbecil”
ao tentar comprar o silêncio do delator Nestor Cerveró. Essa
observação, negada posteriormente por Lula, foi às manchetes nas pegadas
da nota oficial
em que o presidente do PT, Rui Falcão, escreveu que o partido “não se
julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade” com Delcídio.
Um amigo de Delcídio disse ao blog que ele tem
razões para estar decepcionado. Contou que, nos últimos meses, o senador
tornara-se interlocutor frequente de Lula. Conversavam amiúde, por
telefone e pessoalmente. Nas palavras desse amigo, Delcídio “monitorava”
os humores do pecuarista José Carlos Bumlai, o amigo de Lula que também
foi preso nesta semana. Bumlai e Delcídio se conhecem do Mato Grosso do
Sul.
Josias de Souza

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