ARTIGO: Prof Luiz Flávio Gomes - Brasil constrói presídios; Coréia do Sul expande educação
O
debate sobre a redução da maioridade penal, que tanto emociona o senso
comum do rebanho bovino (esta última locução é de Nietzsche) e de seus
pastores (legislativos, políticos, judiciais, religiosos, midiáticos
etc.), nos leva, naturalmente, a comparar o Brasil com a Coréia do Sul.
Em
2014 o Brasil sediará a Copa do Mundo de Futebol e vai mostrar para o
mundo todo o quanto é precária nossa infraestrutura. Estádios,
aeroportos, transportes, estradas, hotéis, comunicações etc., tudo pode
nos envergonhar. No mesmo ano a Coréia do Sul vai abolir os livros de
papel em todas as suas escolas: 100% dos alunos sul-coreanos usarão
tablets eletrônicos.
Um
programa de 2 bilhões de dólares conectará todos os alunos da escola
primária na internet. Em 2015 será a vez dos alunos da escola
secundária. Na América Latina, neste item, destaque é o Uruguai, que tem
um computador para cada aluno da escola primária.
A
Coréia do Sul fez sua aposta na educação. O Brasil, no crescimento das
prisões, que vão agora explodir com os menores lá dentro. A Coréia do
Sul está entre as campeãs em avanços educacionais. O Brasil é o campeão
mundial (absoluto) no encarceramento de pessoas. Nos últimos vinte anos
(1990-2010), houve aumento de mais de 470% (contra 77% dos Estados
Unidos). A Coréia do Sul está educando, o Brasil está prendendo (e
"educando" o interno para a criminalidade organizada).
Enquanto
a Coréia do Sul compra tablets para seus alunos, o Brasil está
construindo presídios, ou melhor, campos de concentração e de
treinamento (para melhorar a performance da crueldade dos presidiários).
De
acordo com levantamento do nosso Instituto Avante Brasil, a quantidade
de detentos não-condenados nas cadeias brasileiras subiu 1.253%, de 1990
a 2010. Já o número de definitivos cresceu 278%. Quarenta e dois por
cento (42%) dos detidos são provisórios. Em 1990 esse índice era de 18%.
Pesquisa
da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)
demonstra que a Coréia do Sul é uma das campeãs mundiais no uso de
computadores pelos estudantes. No ensino médio, um para cada 7
estudantes. No Brasil, 1 para 33 alunos.
De
acordo com o exame mundial PISA (que avalia o nível dos estudantes), no
item compreensão de leitura pelos alunos de 15 anos, a Coréia do Sul
ocupa o segundo lugar. O Brasil é um dos últimos colocados. Está na
frente do Zimbábue, é certo.
Em
2015 a Coréia do Sul já não estará gastando nada com papel, impressão e
distribuição de materiais escolares: todo o conteúdo do curso estará
disponível em tablets eletrônicos para os alunos. O Brasil, neste ano,
em contrapartida, já terá alcançado a marca de (mais ou menos) 700 ou
800 mil presidiários.
Quantas
reformas penais o legislador brasileiro fez, de 1940 a 2012? 136
reformas no Código Penal. Diminui a criminalidade no Brasil? Nada. Em
1980 tínhamos 11 assassinatos para 100 mil habitantes. Em 2010, 27.4
mortos para 100 mil habitantes. Todos os indicadores criminais
aumentaram. Em lugar da educação, jogamos nossa energia em reformas
penais e encarceramento massivo. O resultado é o aumento do rebanho
bovino e dos analfabetos. Por falta de informação, que raramente é dada
pela mídia, chegou-se a 93% de apoio (Datafolha) para a redução da
maioridade penal.
Estudo
realizado pelo Instituto Avante Brasil verificou (a partir dos dados do
IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que no período
compreendido entre 1994 e 2009 houve uma queda de 19,3% no número de
escolas públicas do país; em 1994 haviam 200.549 escolas públicas contra
161.783 em 2009.
No
mesmo período o número de presídios aumentou 253%. Em 1994 eram 511
estabelecimentos; este número mais que triplicou em 2009, com um total
de 1.806 estabelecimentos prisionais. Hoje está perto de 2 mil e 500
presídios.
Em
1950, 63% da força de trabalho brasileira estava na agricultura; 20% em
serviços e 17% na Indústria. Na Coréia do Sul, no mesmo ano, 60% da
força de trabalho estava na agricultura, hoje é menos de 10%; em
serviços, de 28% subiu para 63% (hoje). A produtividade desse setor, na
Coréia (conforme Ferreira e Fragelli, Valor Econômico de 22.05.13, p.
A15), cresceu continuamente a 2% ao ano. A Coréia, mais pobre que o
Brasil em 1950, é hoje duas vezes mais rica, em termos de renda per
capita. Em 1960 o PIB per capita lá era de 900 dólares; hoje é de 32 mil
dólares (Brasil, 10 mil).
Em
1960 tínhamos (Brasil e Coréia) 35% de analfabetos. Hoje ainda temos
13% (sem considerar os analfabetos funcionais) e eles têm ZERO. Apenas
18% dos jovens brasileiros estão nas universidades; na Coréia, apenas
18% estão fora da universidade. A evasão escolar no final do ensino
médio, no Brasil, é de 60%; na Coréia é de 3%. A Coréia do Sul, hoje, é
uma locomotiva mundial. O Brasil é um grande presídio, cheio de
analfabetos, sobretudo funcionais.
Colaboração: Dr. Jeorge Ferreira

4 comentários:
Coréia do sul, coréia do norte, japao, china sao paise top do mundo, e, todos tem em comum a prioridade máxima com a educacao e a total repugnancia ao estrangeirismo...(cultura estrangeira)
ISSO AI É NOTICIA VELHA JOÃO.
Enquanto na suíça estão fechando presídios por falta de clientes(bandidos).Bem que poderíamos mudar o congresso nacional para um desses na Suíça.
COM TODOS ESSES DADOS APRESENTADOS, QUANTOS DOS 200 MILHOES DE BRASILEIROS? FARIAM POR OPÇÃO, VIVER EM QUALQUER DESSES PAISES QUE O BRASIL?
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