O pedido da nova busca e apreensão ocorreu após os policiais
encontrarem na residência do ex-presidente em São Bernardo do Campo,
grande São Paulo, um documento intitulado “Termo de Transferência de
Responsabilidade (Custódia de 23 caixas lacradas)”, datado de 19 de
março de 2012. No material, consta a informação de que os bens estão sob
a guarda da mulher de Lula, Marisa Letícia Lula da Silva, e de seu
filho Fábio Luis Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Entre os
responsáveis pela entrega dos presentes na agência está Rogério Aurélio
Pimentel, assessor especial do ex-presidente, apontado como suspeito de
ter bancado despesas da reforma do sítio em Atibaia, São Paulo,
frequentado ao menos 111 vezes por Lula.
Entre os 132 objetos encontrados, classificados como joias e obras de
arte, estão medalhas, moedas, comendas, espadas, adagas, escultura,
entre outras peças que Lula ganhou durante o seu governo em missões
oficiais em diversos países, do Chile à Ucrânia. A PF precisou de dois
dias para analisar todo o acervo. Desde janeiro de 2011 até hoje, “o
material não foi movimentado ou alterado”. De acordo com o relatório da
PF, o gerente da agência do BB, Sérgio Ueda, disse que “não há custo de
armazenagem para o responsável pelo material”.
Uma boa parte dos pertences de Lula retirados do Palácio do Planalto,
do Palácio do Alvorada e da Granja do Torto estava armazenada em 10
contêineres em Barueri, na grande São Paulo. A despesa da custódia,
orçada em R$ 1,2 milhão, foi bancada pela construtora OAS, envolvida no
escândalo do Petrolão, segundo revelou a PF na 24ª fase da Lava Jato.
No último dia 9 de março, o Senado aprovou um requerimento para pedir
ao Tribunal de Contas da União (TCU) que realize uma auditoria para
apurar possíveis desvios ou desaparecimento de bens dos palácios do
Planalto e da Alvorada.
Época