10/08/2026

DENÚNCIA DE ARMAÇÃO CONTRA ALFREDO GASPAR É ENVIADA PELA CÂMARA AO STF

Câmara envia ao STF denúncia de “armação” contra Alfredo Gaspar

A Câmara dos Deputados encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF), em maio deste ano, o depoimento de um comerciante do Rio de Janeiro acusando o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) de envolvimento em uma “armação” a fim de acusar falsamente de estupro de vulnerável o também deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como vice na chapa com o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As informações são do colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles.

Inicialmente, o depoente de 62 anos identificado como Luis Antonio Lopes teria ligado para o gabinete de Gaspar denunciando o caso. Ele teria sido, então, encaminhado para prestar depoimento à Polícia Legislativa virtualmente no dia 23 de abril.

Na oitiva, o homem declarou ser dono de um quiosque no Shopping Jardim Guadalupe, na Zona Norte do Rio de Janeiro. De acordo com ele, uma jovem chamada Marcela Maria Mendes, que trabalhava no quiosque em questão, foi recrutada para se apresentar como vítima de um falso estupro praticado por Gaspar.

O responsável por recrutá-la seria um homem identificado como Lucas, mais conhecido como Doidinho, que dizia ser “assessor legislativo” “ligado ao contexto político” de Lindbergh. Em troca de executar o plano, a jovem teria recebido três depósitos nos valores de R$ 4 mil, de R$ 10 mil e outro de R$ 2,5 mil. Os comprovantes foram enviados à polícia.

Luis Antonio afirma ter tomado conhecimento do caso “por intermédio de um colaborador do seu estabelecimento, senhor Rodrigo Freitas, morador da comunidade do Acari e vizinho de Marcela, de que ela havia sido preparada para conceder entrevista sob identidade falsa, utilizando o nome fictício de ‘Jailma’, afirmando falsamente ser oriunda de Maceió (AL) e sustentando narrativa segundo a qual teria sido abusada sexualmente, ainda adolescente, por um político, fato do qual teria resultado uma criança”.

– Em sua avaliação, quando Lindbergh Farias levou adiante a acusação pública ao longo dos trabalhos da CPMI, caiu a ficha para o denunciante sobre a efetiva trama em curso; (…) o plano, conforme compreendeu, consistia em apresentar a falsa vítima Marcela, sob o nome de “Jailma”, e, num segundo momento, fazê-la desaparecer para, depois, sustentar publicamente que o relator da CPMI do INSS teria mandado sumir com ela, aprofundando a suspeita e o desgaste político – diz o boletim de ocorrência.

O depoente não apenas afirma que Lindbergh “parecia ter plena ciência do caso”, mas que também teria participado de reuniões virtuais com Marcela e outras pessoas envolvidas na “armação”.

– Segundo sua percepção, o declarante acredita que Lindbergh Farias parecia ter ciência do contexto tratado nas reuniões e integraria o conjunto de pessoas que discutiam os desdobramentos da narrativa. (…) O indivíduo Lucas foi apontado por Marcela e também percebido pelo declarante como o mentor inicial da ideia daquela simulação. (…) Lucas se vangloriava de ter sido ele quem apresentou a proposta a Carlos Roberto Lopes e outros personagens políticos – diz o relatório.

A Polícia Legislativa enviou o caso para a Corregedoria da Câmara, e a Mesa Diretora da Casa Legislativa encaminhou o material ao STF, haja vista que Lindbergh possui foro privilegiado. O caso está sob os cuidados do ministro Gilmar Mendes, relator do pedido de abertura da investigação contra Gaspar por suposto estupro. O magistrado aguarda parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o caso.

Em nota, Lindbergh descreveu o relato do comerciante como “picaretagem”.

– Desconheço os citados e a suposta investigação da Polícia Legislativa. Não conheço os envolvidos e não participei de reuniões para tratar desse assunto. A primeira coisa que a Polícia Federal tem que fazer é investigar esse tal “tio Luiz”, prender esse cara. Esse depoimento é inventado e é mais uma suspeita em cima do Alfredo Gaspar. Por que esse cara deu esse depoimento à Polícia Legislativa? A pedido de quem? – indagou.

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