O poste mijando no cachorro
A posse do ministro Benedito Gonçalves como corregedor-nacional de Justiça coloca no centro do debate uma série de questionamentos sobre a isenção e a imagem de quem agora terá justamente a missão de fiscalizar a conduta de magistrados.
O ministro aparece entre as autoridades que participaram, em Londres, de uma degustação de uísque Macallan promovida por Daniel Vorcaro, segundo informações obtidas pela CPMI do INSS, e posteriormente declarou-se impedido de julgar processos relacionados ao Banco Master.
Soma-se a isso a controvérsia envolvendo sua atuação no Tribunal Superior Eleitoral e a frase “missão dada é missão cumprida”, captada durante a diplomação de Lula e dirigida a Alexandre de Moraes, além das críticas de opositores à sua atuação em processos envolvendo Jair Bolsonaro.
Agora, ao assumir até 2028 o cargo responsável por fiscalizar magistrados, Benedito terá de enfrentar inevitavelmente a cobrança por transparência, imparcialidade e explicações sobre suas relações e decisões anteriores. Para críticos, é no mínimo contraditório que alguém cercado por episódios tão controversos seja colocado justamente na posição de julgar a conduta de outros integrantes do Judiciário.

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