Lula repreende Mauro Vieira por declaração sobre possível intervenção dos EUA no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repreendeu, nesta semana, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, por causa da declaração de que a classificação das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos poderia abrir caminho para uma intervenção militar norte-americana no Brasil. A informação é do portal Poder360.
A manifestação de Mauro Vieira constou de um ofício enviado à Câmara dos Deputados em resposta a um requerimento do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES). No documento, o chanceler afirmou que a decisão dos EUA poderia abrir a “possibilidade do uso da força militar” em território brasileiro e representar um risco à soberania nacional.
Segundo integrantes do governo, Lula avaliou que o posicionamento foi exagerado e provocou desgaste diplomático desnecessário.
Lula classificou com “erro” o envio do documento
De acordo com o Poder 360, Lula chamou o ministro para uma conversa reservada e demonstrou insatisfação com a repercussão da declaração. Durante ligação telefônica, o petista disse que foi um erro o Itamaraty mandar um documento assinado pelo ministro em resposta a um requerimento. Na avaliação de Lula, o tema foge da alçada do Ministério das Relações Exteriores.
O episódio ganhou repercussão depois que o Departamento de EUA classificou como “absurda” a avaliação do Itamaraty. Em nota, o governo norte-americano afirmou que a legislação usada para enquadrar organizações criminosas como terroristas não prevê ações militares em território brasileiro. O foco é em sanções financeiras, restrições de vistos e combate ao financiamento dessas organizações.
Declaração gerou reação no Congresso
A controvérsia também chegou ao Congresso Nacional. A Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou a convocação de Mauro Vieira para prestar esclarecimentos sobre o documento enviado aos deputados. Parlamentares da oposição questionam o fundamento da avaliação apresentada pelo chanceler.
Até o momento, o Ministério das Relações Exteriores não detalhou quais elementos embasaram a conclusão de que a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas poderia resultar em uma eventual ação militar dos EUA contra o Brasil.
revistaoeste

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