Arrogante e indolente, a Argentina não merecia a classificação
A Argentina ganhou de Cabo Verde por 3 a 2 e avançou na Copa, mas saiu de campo menor do que entrou. Arrogante e indolente, o time de Messi achou que venceria quando quisesse, como se a classificação fosse apenas uma formalidade a cumprir. Descobriu em Cabo Verde um adversário brioso, que não estava ali apenas para participar da festa alheia. A vitória veio, mas muito mais na base do susto e da sorte. Por um triz, mas por um triz mesmo, os hermanos não protagonizaram um dos maiores vexames da história das Copas.
A Argentina entrou em campo montada na soberba dos times que se acham bons demais para sofrer. Tocou a bola sem pressa, escolheu quando correr, escolheu quando marcar, escolheu até quando se preocupar. Só esqueceu de combinar tudo isso com Cabo Verde. O adversário correu, incomodou, acreditou e transformou o que deveria ser uma passagem tranquila em uma noite de pânico.
Messi marcou um belo gol, mas também desperdiçou uma chance claríssima diante de Vozinha quando o jogo ainda estava aberto. Ficou frente a frente com o goleiro, teve tempo para escolher o canto e finalizou mal, como se fosse um jogador comum. É o tipo de lance que não combina com alguém de sua dimensão. Nos últimos anos, muita gente tentou convencer o mundo de que Messi havia ultrapassado Pelé. Partidas como essa lembram que essa comparação é um delírio.
A Argentina está morta no Mundial? Claro que não. Ela provavelmente aprendeu uma dura lição na partida contra Cabo Verde. O próximo adversário é o Egito, outra seleção que, no papel, não deveria tirar o sono de uma candidata ao título. Mas duvido que os argentinos entrem em campo com a mesma displicência. Depois de flertar com um vexame histórico, ninguém continua caminhando como se a vitória fosse algo líquido e certo. A Argentina segue viva, forte e perigosa. Só descobriu, da pior maneira possível, que até os favoritos precisam suar a camisa para vencer.
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