26/07/2026

A INDUSTRIA BRASILEIRA DESCENDO PELO 'RALO'

Indústria brasileira, em queda, sofrerá ainda mais com tarifas dos EUA

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a uma série de produtos brasileiros vai além da quantidade e do valor dos negócios afetados. A repercussão pode afetar toda a cadeia produtiva, inclusive a indústria, que passa por um período de perda de competitividade.

“A elevação de tarifas comerciais representa um obstáculo adicional para uma indústria que já enfrenta dificuldades para recuperar dinamismo”, avalia Carlos Eduardo Oliveira Jr., presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo, em entrevista a Oeste.

Ele lembra que o Brasil caiu da 33ª posição no ranking internacional de desempenho industrial, da Organização das Nações Unidas, no início de 2024, para a 69ª colocação em 2026, em um contexto de crescimento global da manufatura superior ao registrado pela indústria brasileira.

Impactos das tarifas dos EUA

A alta da tarifa pode chegar a 37,5% para alguns produtos. Dois dias depois dos 25% direcionados exclusivamente ao Brasil, uma outra taxa de 12,5% foi introduzida para sessenta países, nos quais o Brasil se inclui.

“O país vem enfrentando dificuldades para aumentar produtividade, investir em inovação e ampliar sua participação nos segmentos industriais de maior intensidade tecnológica, justamente aqueles que mais crescem no cenário internacional”, afirma Oliveira Jr.. “A recuperação de capacidades produtivas, o avanço tecnológico e a modernização das cadeias industriais exigem investimentos contínuos e um horizonte de médio e longo prazos.”

Oliveira Jr. considera que, embora o governo tenha criado o programa Nova Indústria Brasil, a perda de posições da indústria brasileira decorre de uma combinação de fatores conjunturais e estruturais. “Entre eles, destacam-se o elevado custo do crédito, a desaceleração da atividade industrial nos últimos anos, a baixa taxa de investimento produtivo e a dificuldade histórica de elevar a produtividade em ritmo semelhante ao observado em economias mais avançadas.”

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