Gusttavo Lima, charutos e vinhos: como foi o jantar pós-posse de Nunes Marques
A posse de Nunes Marques e André Mendonça no comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na terça-feira 12, teve protocolo, discursos e 1,5 mil convidados no plenário da Corte. A verdadeira celebração, no entanto, ocorreu horas depois.
Longe dos holofotes institucionais, a elite política e judicial de Brasília se reuniu às margens do Lago Paranoá para um jantar exclusivo marcado por música ao vivo, charutos e espumantes.
O convite para a celebração no espaço de eventos Villa Rizza, no Setor de Clubes Esportivos Sul, custou R$ 800 por pessoa (quase mil compraram o ingresso vendido pela Associação dos Juízes Federais do Brasil, a organizadora do evento). Sob iluminação âmbar, arranjos florais monumentais e vista privilegiada para o lago, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do TSE, advogados, empresários e familiares de autoridades circularam entre mesas reservadas nominalmente para integrantes da cúpula do Judiciário.
Garçons serviam uísque Macallan (a garrafa mais barata custa por volta de R$ 700), espumante Chandon, vinho Miolo Sesmarias e drinques como Negroni, Aperol, Moscow Mule e gim tônica enquanto convidados transitavam pelo salão e pelas áreas externas do espaço. Ao fundo, uma banda ocupava o palco montado para a confraternização. Cantaram Sombrinha, Jorge Aragão, Dudu Nobre e Ivo Mirelles. Além deles, foi possível ver outras figuras que destoam do mundo da política, como o cantor sertanejo Gusttavo Lima e o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo.
O cardápio teve peixe, filé mignon ao molho madeira, risoto de queijo grana padano, massa e salada. De sobremesa, foram servidas tortas, mousse de chocolate e churros de banana.
No ambiente externo do evento, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, fumava charuto (havia das marcas Cohiba Lanceros, de R$ 4 mil, e MonteCristo, de R$ 200) ao lado do ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, diante da vista iluminada do Paranoá. Em outro ponto do salão, o ministro André Mendonça comia acompanhado da família e recebia cumprimentos de convidados.
Também compareceu ao jantar o decano do STF, Gilmar Mendes, acompanhado da namorada, a ministra do Tribunal Superior do Trabalho Morgana Richa. O casal interagiu com vários convidados, entre eles, Maria Cláudia Bucchianeri, ex-ministra do TSE, e Ricardo Lewandowski, ex-ministro da Justiça e do STF. A advogada Guiomar Mendes, ex-mulher do magistrado, marcou presença e conversou com diversas personalidades que vinham ao seu encontro. Participaram ainda Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Raul Araújo, todos do STJ. Da classe política, vieram o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e até o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).
Ao longo da noite, autoridades conversavam em pequenos grupos espalhados por varandas e mesas do espaço. Seguranças acompanhavam discretamente a movimentação.
A cena ajudava a traduzir uma característica frequentemente associada a Brasília: a convivência íntima entre os personagens centrais do poder brasileiro. Na capital federal, magistrados, políticos, empresários, artistas e integrantes do alto funcionalismo frequentemente compartilham não apenas agendas institucionais, mas também festas, jantares e círculos sociais.
Do lado de fora, Brasília seguia silenciosa, marcada pelas avenidas largas e pela arquitetura monumental. Dentro do salão, porém, a atmosfera lembrava menos uma capital republicana e mais uma espécie de corte tropical erguida no cerrado, onde o poder circula entre charutos, espumantes e relações cultivadas longe dos plenários.
Cerimônia de posse de Nunes Marques no TSE
Mais cedo, na solenidade de posse no TSE, Nunes Marques defendeu uma Justiça Eleitoral “neutra”.
“Cabe a nós assegurar que o cidadão possa exercer sua escolha sem receio, sem constrangimento”, disse Nunes Marques. “Sem fraude e, ademais, bem informado. A neutralidade institucional da Justiça Eleitoral é precisamente o que lhe permite servir à liberdade política de todos.”
O presidente do TSE disse que a Justiça Eleitoral não tem a missão de substituir a soberania popular, mas protegê-la. “Não nos cabe escolher vencedores, nem orientar preferências políticas”, observou. “Devemos atuar com independência, equilíbrio e prudência, sem omissão diante de ameaças concretas ao processo democrático. Mas também sem incorrer em excessos incompatíveis com o Estado Democrático de Direito.”
O ministro fez uma referência especial à população brasileira, os eleitores responsáveis por elegerem seus representantes. “Todo poder emana do povo”, relembrou.
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