Quem é o bilionário suspeito de ser o “verdadeiro dono” do Master
O nome do bilionário Nelson Tanure voltou a aparecer no noticiário após ser revelado, pela coluna de Míriam Leitão no jornal O Globo, que Daniel Vorcaro e sua “Turma” acessaram informações sobre ele. O empresário é suspeito de ser “o verdadeiro dono” do Banco Master.
Tanure se tornou um dos principais alvos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF). Investigadores apontam que ele atuava como controlador oculto do Banco Master, oficialmente comandado por Vorcaro.
A suspeita é de que Tanure usou estruturas financeiras complexas para influenciar decisões do banco e movimentar recursos ligados aos seus próprios negócios. A investigação apontou que ele operava nos bastidores do Master por meio de fundos e empresas interligadas.
Segundo a PF, ele seria beneficiário final da Lormont Participações S.A., empresa ligada ao FIDC Maranta, fundo que concentrava 97% de sua carteira em créditos relacionados à própria estrutura investigada. Para os agentes, isso indica o uso do banco para financiar operações ligadas diretamente ao empresário.
Em 2024, o Banco Central recebeu um alerta da PF, que apontou irregularidades e citou Tanure como “dono oculto” do Master, mas a autarquia disse que as suspeitas foram analisadas, arquivadas e que não foram encontradas ilegalidades na ocasião.
Documentos obtidos pela PF também mostram mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro nas quais Tanure aparece sendo chamado de “comandante”.
Outro ponto citado na investigação envolve um relógio suíço de luxo avaliado em cerca de R$ 1 milhão. As mensagens interceptadas indicam que Vorcaro teria presenteado Tanure com o item. Para a PF, o episódio reforçaria uma relação de subordinação incompatível com a versão apresentada pela defesa, de que os dois mantinham apenas relação comercial.
Vladimir Timerman, fundador da gestora Esh Capital, afirmou em depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, em março, que Tanure é o verdadeiro “dono” do Master e que Vorcaro é “um pau mandado” do bilionário.
🚨VORCARO O LARANJA
Vladimir Timerman afirma na CPI do Crime Organizado que Daniel Vorcaro não era o verdadeiro dono do Banco Master.Segundo ele, Vorcaro seria apenas laranja de Nelson Tanure, empresário ligado à Gafisa.pic.twitter.com/lW1Jbawfv7— Victor Garcia (@toninhodocall) March 19, 2026A apuração das autoridades também identificou que Vorcaro mantinha armazenada uma cópia oculta de procedimentos do MPF relacionados às suspeitas sobre Tanure.Segundo a PF, o Banco Master funcionava como principal fonte de crédito para expansão dos negócios de Tanure em setores como construção civil, energia e telecomunicações. Empresas ligadas ao empresário, incluindo operações envolvendo Gafisa, Light e a rede Dia, aparecem no centro do fluxo financeiro analisado pelos investigadores.O banco captava recursos de terceiros e direcionava parte desse dinheiro para debêntures e operações ligadas às empresas de Tanure, assumindo riscos incompatíveis com práticas comuns do mercado bancário. O MPF alegou que existia um fluxo “imbricado” de recursos entre o banco e estruturas associadas ao empresário.Nelson Tanure nega as acusações. Em nota divulgada em março, ele afirmou: “Não fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio”. A defesa alegou que a relação dele com a instituição era “estritamente comercial”, envolvendo operações de crédito, aplicações financeiras e investimentos privados.Nos registros oficiais do Banco Central do Brasil e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Daniel Vorcaro aparece como controlador do Banco Master. Apesar disso, investigadores afirmam que o conjunto de mensagens, perícias e movimentações financeiras colocou Tanure no centro da apuração sobre quem realmente comandava a estrutura financeira da instituição.Quem é Nelson TanureTanure nasceu em Salvador (BA), em 1951, e construiu a reputação de especialista em recuperação de empresas em crise. Ao longo das últimas décadas, ficou conhecido por comprar companhias endividadas, renegociar passivos e lucrar com a reestruturação dos negócios. Seu patrimônio é estimado em cerca de R$ 15 bilhões, com parte da fortuna ligada a estruturas financeiras no exterior.Entre seus principais negócios estão participações em empresas como PRIO, Light, Gafisa, Alliança Saúde e Ligga Telecom. Também participou da privatização da EMAE e recentemente assumiu operações da rede Dia no Brasil. Nos anos 2000, tentou reestruturar jornais tradicionais como o “Jornal do Brasil” e a “Gazeta Mercantil”, mas os projetos fracassaram.Filho de um empresário espanhol, Tanure se formou em Administração pela UFBA em 1974. Após uma temporada na França, mudou-se para o Rio de Janeiro e comprou estaleiros e empresas de engenharia em dificuldades financeiras.
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