09/05/2026

CONSIGNADO CLT: TRABALHADORES DO RN CONTRAÍRAM R$ 1,18 BILHÃO

Trabalhadores do RN contraíram R$ 1,18 bilhão em consignado CLT

O Rio Grande do Norte ocupa a 5ª posição entre os estados da região Nordeste com mais trabalhadores que contraíram empréstimos por meio do crédito consignado CLT. No total, 117,4 mil profissionais aderiram à iniciativa e foram responsáveis pela captação de 254,7 mil empréstimos, que somaram R$ 1,18 bilhão em pouco mais de um ano. É o que apontam dados levantados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a pedido da reportagem da TRIBUNA DO NORTE. Os números correspondem ao período de 2025 (a partir de 21 de março, quando a modalidade entrou em vigor) até 7 de maio de 2026.

O levantamento aponta que o valor total dos empréstimos na região Nordeste foi de R$ 18,7 bilhões, com média de R$ 2,08 bilhões por estado. No recorte nacional, o valor total foi de R$ 127 bilhões, com 21 milhões de contratos para mais de nove milhões de trabalhadores, segundo dados do MTE.

Em número de trabalhadores que aderiram ao consignado no Nordeste, o Rio Grande do Norte, com 117,4 mil adesões, foi superado pelos estados da Bahia (476.109), Ceará (310.535), Pernambuco (302.843) e Maranhão (200.289). Já os estados com menos adesões de trabalhadores ao consignado CLT foram Piauí (67.581) e Sergipe (96.346).

O crédito consignado para CLT, conhecido como Crédito do Trabalhador, foi lançado pelo Governo Federal em março de 2025. Nessa modalidade de empréstimo, os contratos podem ser feitos diretamente pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital) e os descontos das parcelas são realizados mensalmente na folha salarial.

Na época do lançamento, o governo apontou que a proposta da iniciativa era garantir acesso a empréstimos mais baratos pelos trabalhadores, com garantia do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de reduzir o superendividamento com a migração de dívidas. Na prática, no entanto, a adesão aponta uma realidade diferente.

O economista Robespierre do Ó avalia a adesão no Rio Grande do Norte como um reflexo do endividamento dos trabalhadores no Estado. Isso porque, na maioria dos casos, eles recorrem ao consignado CLT para conseguir quitar outras dívidas, tendo como principal motivação os juros mais baixos.

“O ideal seria pegar o empréstimo para fazer um investimento, como melhorar o conforto de casa ou comprar um carro. Mas, se olharmos para o perfil do consumidor e trabalhador brasileiro, eles estão usando esse dinheiro para fazer pagamento de dívidas. Isso ocorre porque nós temos hoje um salário mínimo de R$ 1.621, um dos mais baixos da América Latina, fazendo com que o trabalhador tenha dificuldade de fazer o pagamento das suas despesas”, destaca o economista.

Uma perspectiva semelhante é repercutida pelo economista Helder Cavalcanti. De acordo com ele, a alta adesão no Rio Grande do Norte reflete a busca por crédito para recomposição de renda, baixa capacidade de poupança das famílias e dependência financeira crescente. O resultado disso é uma maior vulnerabilidade ao superendividamento.

Clique no link abaixo e veja a matéria completa:

Nenhum comentário: