16/04/2026

TIME DE PESSOAS MAIS INFLUENTES DO MUNDO ENTRAM DOIS CIENTISTAS BRASILEIROS

Dois cientistas brasileiros entram na lista da Time de pessoas mais influentes do mundo

Dois cientistas brasileiros que trabalham com bactérias benéficas entraram na lista que a revista americana Time faz anualmente elegendo as cem pessoas mais influentes do mundo.

A edição de 2026 com os nomes saiu nesta quarta-feira incluindo Mariangela Hungria, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e Luciano Moreira, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Enquanto a pesquisadora ganhou prestígio por desenvolver microorganismos que ajudam plantas a absorver nitrogênio e melhoram a produtividade da agricultura, o cientista é reconhecido como criador do projeto que usa uma bactéria para combater o vírus da dengue.

A escolha dos dois nomes veio na esteira de prêmios internacionais que ambos já tinham ganhado. Hungria, microbiologista e agrônoma, recebeu no ano passado o World Food Prize (WFP), apelidado de "Nobel da Agricultura". Moreira, geneticista e agrônomo também, fez parte da lista dos dez cientistas mais influentes do planeta compilada pela revista científica britânica Nature.

Segundo a Time, o trabalho da pesquisadora da Embrapa impactou muito o agronegócio do Brasil e já ajuda produtores em outros países a aumentarem a produtividade, ao mesmo tempo em que reduzem o uso de insumos que poluem lençóis freáticos.

"Hoje, graças ao seu trabalho, 85% da soja brasileira é cultivada com esses microrganismos em vez de fertilizantes sintéticos", afirmou a revista. "Suas inovações científicas, utilizadas no mundo todo, ajudaram os agricultores brasileiros a economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano e a evitar a emissão de 230 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono."

A escolha de Luciano Moreira, da Fiocruz, teve relação com a expansão de seu programa de controle da dengue, com a criação de uma fábrica em Curitiba que produz mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia. Esses insetos proliferam e competem com mosquitos na natureza. O micróbio que carregam ajuda reduz a transmissibilidade da dengue caso o animal seja infectado.

"Por mais de duas décadas, Luciano Moreira desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento e na implementação em larga escala do método Wolbachia do Programa Mundial de Mosquitos, que consiste na criação de mosquitos incapazes de transmitir doenças mortais como a dengue", afirmou a Time no texto que justifica sua escola. "Ele conduziu o projeto desde a descoberta científica até o seu impacto duradouro na saúde pública no Brasil, um dos países mais afetados por doenças transmitidas por mosquitos."

Além de Moreira e de Hungria, a lista da Time incluiu o ator Wagner Moura, que estampa uma das capas produzidas para a edição impressa da publicação. Outros brasileiros já tiveram esse reconhecimento em anos passados. A inclusão do nome de dois cientistas brasileiros entre as personalidades consideradas as 100 mais influentes do ano, porém, é inédita.

O Globo

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