09/04/2026

NESSE BRASIL AMADOR NÃO ENTRA

Prefeitura registra enterro de “Sicário” um mês antes da morte

A Prefeitura de Belo Horizonte registrou no sistema municipal que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, teria sido enterrado quase um mês antes da data oficial de sua morte. O erro foi identificado no cadastro que informa os locais de sepultamento na capital mineira.

No sistema da administração municipal, consta que Mourão foi sepultado no dia 8 de fevereiro. A data, porém, é anterior ao dia em que ele morreu, em 6 de março deste ano.

“Sicário” foi preso pela Polícia Federal em 6 de março de 2026. No mesmo dia, tentou suicídio na carceragem da corporação, em Belo Horizonte, e foi levado ao Hospital João XXIII. Segundo a defesa, ele morreu após sofrer falta de oxigênio no cérebro, quadro que levou à morte encefálica.

A certidão de óbito foi registrada no Cartório do 1º Subdistrito da capital mineira. O documento, emitido um dia após o falecimento, não detalha a causa da morte e informa apenas que ela está “aguardando exames”.

Donos de cartórios ouvidos pelo Metrópoles,sob reserva afirmam que essa situação não é comum. Eles explicam, no entanto, que pode ocorrer quando a família deseja realizar o enterro rapidamente, enquanto exames ainda são feitos para confirmar a causa do óbito.

Em casos de suicídio, a certidão costuma trazer expressões como “lesões autoinfligidas”. No caso de Mourão, a informação é que ele tentou tirar a própria vida enquanto estava preso e depois foi levado ao hospital.

Dados da prefeitura indicam que o corpo foi enterrado no Cemitério do Bonfim, um dos mais antigos de Belo Horizonte.

Em nota, a administração municipal informou que houve falha no lançamento da informação e que a data já está sendo corrigida no sistema.

– A Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica informa que a divergência no sistema Sinec ocorreu por erro de digitação no lançamento do dado. A informação já está sendo corrigida – diz a nota.

RELEMBRE O CASO

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário e apontado como aliado do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, morreu no dia 6 de março. A informação foi confirmada pela defesa.

Segundo os advogados, o óbito foi declarado às 18h55, após o fim do protocolo de morte encefálica iniciado por volta das 10h15 do mesmo dia. O corpo seria encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

Mourão estava internado depois de tentar tirar a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal, na Superintendência Regional da corporação em Minas Gerais. O caso ocorreu após sua prisão na Operação Compliance Zero, realizada no dia 4.

No dia seguinte, a Polícia Federal abriu inquérito para investigar as condições da custódia. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, afirmou que toda a ação foi registrada por câmeras de segurança.

A operação apura um esquema bilionário de fraudes financeiras ligado ao Banco Master. Também foi preso na ação o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado pelos investigadores como líder do grupo.

De acordo com a Polícia Federal, Mourão teria papel importante no esquema. Ele seria responsável por executar ordens, monitorar alvos, obter dados sigilosos de forma ilegal e intimidar adversários.

Os investigadores apontam ainda indícios de que Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês de Vorcaro pelos serviços considerados ilícitos.

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