19/03/2026

VIAGENS LIGADAS A LULINHA PODEM TER SIDO BANCADAS COM DINHEIRO DO INSS

Dinheiro do INSS pode ter bancado viagens ligadas a Lulinha

A Polícia Federal investiga se recursos desviados de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foram utilizados para financiar despesas vinculadas a uma agência de viagens associada ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

A apuração tem como base relatórios obtidos a partir da quebra de sigilos bancários de envolvidos no esquema.

Os investigadores identificaram movimentações financeiras que partem do empresário Antônio Camilo Antunes, apontado como operador do esquema que é conhecido como “Careca do INSS”, e passam por intermediários até chegar a empresas ligadas ao setor de turismo.

Entre os destinatários aparece a empresária Roberta Luchsinger, que recebeu valores expressivos e posteriormente realizou pagamentos a uma agência de viagens.

De acordo com os dados analisados, Luchsinger recebeu cerca de R$1,1 milhão e transferiu aproximadamente R$640 mil para a empresa de turismo.

A Polícia Federal aponta que essa agência está associada a registros de passagens vinculadas ao nome de Lulinha em sistemas de controle aéreo, o que levantou a hipótese de uso indireto dos recursos para custear viagens.

Apesar das conexões financeiras, a investigação não encontrou, até o momento, transferências diretas entre Antunes e o filho do presidente.

A linha de apuração considera que eventuais benefícios podem ter ocorrido por meio de terceiros, mecanismo frequentemente usado para dificultar o rastreamento de recursos em esquemas de lavagem de dinheiro.

Depoimentos também reforçam as suspeitas. Um ex-funcionário ligado ao operador do esquema afirmou ter ouvido que despesas pessoais de Lulinha, incluindo viagens, eram custeadas por Antunes.

Além disso, mensagens interceptadas indicam ordens de pagamento com menções indiretas a beneficiários ligados ao empresário.

A investigação se insere no contexto mais amplo das fraudes bilionárias no INSS, apuradas pela chamada Operação Sem Desconto, que revelou um esquema de descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas.

O prejuízo estimado ultrapassa bilhões de reais, com atuação de operadores financeiros e uso de empresas para ocultação de valores.

A defesa de Lulinha nega qualquer ligação com irregularidades e afirma que não há relação direta ou indireta com os fatos investigados.

Já a defesa de Luchsinger sustenta que a agência de viagens é utilizada regularmente por sua família e que a emissão de passagens para terceiros não configura irregularidade.

Os investigadores seguem analisando documentos, transferências e registros de viagens para determinar a extensão dos repasses e identificar possíveis beneficiários finais do esquema.

O caso permanece em fase preliminar e pode ter novos desdobramentos conforme o avanço das diligências.

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