O que pode acontecer se o Irã boicotar a Copa do Mundo?
Há uma máxima do ex-treinador italiano Arrigo Sacchi repetida à exaustão sempre que os olhos da humanidade se viram para a Copa do Mundo: “O futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes”. Neste sábado, 28 de fevereiro, a frase ganhou relevo especial – e repeti-la é compulsório. Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã põem em dúvida, agora mais do que nunca, a participação da seleção persa na Copa dos Estados Unidos, México e Canadá, entre 11 de junho e 19 de julho. O Irã está no grupo G, ao lado de Egito, Nova Zelândia e Bélgica. Tem duas partidas marcadas para Los Angeles e uma para Seattle.
O conflito impõe uma pergunta que não pode calar: há possibilidade de boicote? Seria a primeira vez na história dos mundiais – embora tenha ocorrido em olimpíadas. No sorteio dos grupos, em dezembro do ano passado, a delegação iraniana não foi, em protesto contra a dificuldade de obtenção de vistos. O nó aumentou exponencialmente, com a eclosão bélica, ainda que muita água há de rolar ainda. “Tivemos uma reunião hoje e é prematuro comentar em detalhes, mas vamos acompanhar os desenvolvimentos em torno de todas as questões ao redor do mundo”, disse o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom.
Nos bastidores, é dado como provável a ausência do Irã – em resposta à agressão americana, mas sobretudo ante as dificuldades de segurança para a equipe, sem dúvida, mas também para os torcedores. Lembre-se que em Los Angeles, onde deveria ocorrer os duelos contra Nova Zelândia e Bélgica, há uma comunidade de cerca de 500 mil iranianos ou descendentes de iranianos, a chamada “Tehrangeles” ou “Pequena Persia”, pedaço da cidade já assimilada à cultura local, sem dúvida, mas sempre assustada com movimentos militares alheios à vontade de população.
A saída da Fifa
Do ponto de vista prática, caso o Irã realmente desista da Copa do Mundo, quais seriam as soluções desenhadas pelo estatuto da Fifa? Nesse caso, aparentemente haveria duas soluções potenciais para a FIFA. O primeiro caminho seria a convocação da seleção que, ao cabo das eliminatórias, tenha ficado logo atrás do Irã naquele pedaço de planeta. O caminho, portanto, seriam os Emirados Árabes Unidos, que ficou atrás dos iranianos no grupo asiático de que participaram. Uma outra saída: substituir o Irã pelo Iraque na Copa do Mundo, e os Emirados Árabes Unidos disputariam a repescagem de março no lugar de iraquianos. A decisão está amparada nas normas da Fifa. A saber, caso um país desista ou não possa participar do torneio: a troca “por uma equipe alternativa indicada, geralmente o segundo colocado direto da repescagem classificatória relevante ou a equipe não classificada de melhor ranking daquela confederação”
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