24/03/2026

PRESIDENTE DO TJ SERÁ EMPOSSADO GOVERNADOR DO RJ

Sem vice, Rio de Janeiro será governado por presidente do TJRJ

A renúncia do governador Cláudio Castro (PL) mergulhou o Rio de Janeiro em um imbróglio político e jurídico. Isso porque o estado está sem vice-governador desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha renunciou ao cargo para assumir uma vaga como conselheiro no Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.

As regras determinam que, na ausência de um vice-governador, o presidente da Assembleia Legislativa do estado (Alerj) deve assumir interinamente. Entretanto, Rodrigo Bacellar (União Brasil) está afastado do posto desde dezembro de 2025 por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em razão de suspeitas de ligação com a facção Comando Vermelho.

Seguindo a linha de sucessão estadual, coube ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto de Castro, assumir a cadeira de governador até a realização de eleição indireta na Alerj para um mandato-tampão.

Em entrevista à Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (23), Couto de Castro afirmou que “não está preparado para ser governador”.

– Um presidente de tribunal não está preparado para ser o governador do estado. Ele vai ocupar situações emergenciais, pontuais, de forma temporária para fazer essa transição. O presidente do tribunal tem uma visão mais rígida das coisas. É uma visão mais legalista. O governador tem que ter um olhar para as atividades próprias e essenciais como educação, segurança, mas também tem que ter uma noção de como se encontra o estado em termos estruturais para evitar situações negativas – ponderou.

A eleição indireta deve ocorrer no 30° dia depois da vacância do cargo, ou seja, no próximo dia 22 de abril. Os deputados estaduais votarão de forma secreta a fim de eleger o novo governador e vice-governador do estado. Podem se candidatar brasileiros que tenham mais de 30 anos com domicílio eleitoral no estado, que estejam filiados a partidos políticos e sejam indicados pelas direções partidárias. Para ser eleita, a chapa terá de obter ao menos 36 dos 70 votos dos deputados estaduais.

Cláudio Castro abriu mão de seu mandato a fim de concorrer ao Senado nas eleições deste ano. A renúncia ocorreu um dia depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar o julgamento contra ele por suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Se condenado, o ex-governador pode ficar inelegível.

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