14/03/2026

INVESTIGAÇÃO: PF FLAGRA SUPLENTE DE ALCOLUMBRE SAINDO DE BANCO COM R$ 350 MIL EM DINHEIRO

Suplente de Alcolumbre é flagrado pela PF, entra na mira de investigação e o motivo é revoltante

A Polícia Federal registrou em relatório de investigação que o empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre (União-AP), foi flagrado deixando uma agência bancária com R$ 350 mil em dinheiro em espécie. O episódio ocorreu durante monitoramento relacionado a um inquérito que apura suspeitas de fraude em licitações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no estado do Amapá.

Segundo os investigadores, após sair do banco, o empresário entrou em um veículo registrado em nome de uma empresa pertencente a primos do presidente do Senado. O caso consta em documentos de vigilância elaborados pela Polícia Federal ao longo das apurações sobre um possível esquema envolvendo contratos públicos.

A investigação teve início após alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações consideradas atípicas nas contas ligadas ao empresário. De acordo com o órgão, havia saques frequentes em espécie realizados pouco tempo depois do recebimento de recursos provenientes de contratos públicos, o que levantou suspeitas de possível lavagem de dinheiro.

Os agentes passaram então a monitorar os deslocamentos e operações financeiras de Breno Chaves Pinto. Conforme os registros da investigação, uma das retiradas acompanhadas ocorreu em 7 de novembro de 2024, em uma agência bancária no município de Santana (AP), localizado a cerca de 20 quilômetros de Macapá.

Na ocasião, a PF foi informada de que o empresário havia solicitado previamente a retirada de R$ 350 mil em espécie. Agentes posicionaram-se nas proximidades da agência para acompanhar a movimentação. Segundo o relatório, Chaves Pinto chegou ao local às 13h14, no banco do passageiro de uma SUV branca, carregando uma mochila azul.

Ele permaneceu aproximadamente 30 minutos dentro da agência. Ao sair, retornou ao mesmo veículo que o aguardava do lado de fora e seguiu em direção à sede de uma de suas empresas.

Durante a apuração, a Polícia Federal identificou que o automóvel utilizado na ocasião estava registrado em nome da empresa Lojas 2A Ltda., que atua no comércio de produtos importados em Macapá. A companhia tem como sócios Alberto Brasil Alcolumbre e André Luiz Brasil Alcolumbre, primos de primeiro grau do senador Davi Alcolumbre.

Documentos obtidos durante a investigação indicam que o veículo foi oficialmente transferido para Breno Chaves Pinto apenas em julho de 2025, cerca de nove meses após o episódio monitorado pela PF. A comunicação da transferência foi registrada no dia 24 daquele mês, dois dias depois de o empresário ter sido alvo de buscas e apreensões durante a Operação Route-156.

Procurado, André Alcolumbre afirmou que o carro teria sido vendido ao empresário ainda em 2022, com o valor da transação devidamente depositado em conta bancária. Segundo ele, a formalização da transferência junto aos órgãos de trânsito não ocorreu na época por um “erro material”.

O Código de Trânsito Brasileiro estabelece que o comprador de um veículo tem prazo de até 30 dias para realizar a transferência de propriedade junto ao órgão responsável, sob pena de multa.

As investigações da Polícia Federal apontam que Breno Chaves Pinto seria um dos líderes de um suposto esquema de fraude em licitações realizadas pela superintendência do DNIT no Amapá. Segundo o inquérito, ele teria exercido influência institucional dentro do órgão, utilizando sua condição de suplente de senador para, em tese, praticar tráfico de influência.

De acordo com relatório da PF, as análises financeiras identificaram saques sucessivos em dinheiro que, somados, ultrapassariam R$ 3 milhões nas contas de empresas ligadas ao empresário. Essas retiradas teriam ocorrido em datas próximas a pagamentos de contratos públicos.

Em nota, Breno Chaves Pinto afirmou que os valores retirados em espécie foram utilizados para pagamento de funcionários e prestadores de serviço de suas empresas. Ele também ressaltou que o processo tramita sob segredo de Justiça, motivo pelo qual as manifestações da defesa ocorrem exclusivamente nos autos.

O senador Davi Alcolumbre, por sua vez, declarou que não possui qualquer relação com as atividades empresariais de seu segundo suplente.

A investigação também apura suspeitas de fraude em licitações voltadas à manutenção e recuperação de trechos da BR-156, principal rodovia do Amapá, que possui cerca de 823 quilômetros de extensão entre os municípios de Laranjal do Jari e Oiapoque. Os contratos sob análise somam aproximadamente R$ 60,2 milhões.

Segundo a decisão da Justiça Federal que autorizou as medidas da operação, há indícios de que empresas investigadas teriam simulado concorrência em licitações para direcionar contratos públicos.

Auditorias da Controladoria-Geral da União apontaram ainda atrasos na execução das obras e possíveis irregularidades na aplicação dos recursos. A apuração também identificou troca de mensagens e compartilhamento de documentos sigilosos entre representantes de empresas e gestores do DNIT antes mesmo da publicação de editais de licitação.

Em uma das conversas interceptadas em 25 de outubro de 2023, o superintendente do DNIT no Amapá agradece a Breno Chaves Pinto pelo aumento de recursos destinados ao órgão, atribuindo o envio de verbas às “tratativas do nosso senador”, referência que, segundo os investigadores, seria ao presidente do Senado.

Em outro trecho da investigação, o gestor solicita ao empresário que peça ao senador Davi Alcolumbre para pressionar o governo pela liberação de pagamentos relacionados às obras.

Procurado, o DNIT não comentou especificamente os fatos investigados. Em manifestações anteriores, o órgão afirmou que colabora com as autoridades e que suas instâncias internas de integridade estão analisando o caso para eventual adoção de medidas administrativas.

A autarquia destacou ainda que mantém políticas internas de prevenção à fraude e corrupção, reiterando que repudia práticas ilícitas envolvendo contratos públicos.

Breno Chaves Pinto já havia sido alvo de outra operação da Polícia Federal em dezembro de 2022. Na ocasião, agentes apreenderam cerca de R$ 800 mil em dinheiro vivo na sede de uma de suas empresas, durante investigação sobre suspeitas de superfaturamento em obras rodoviárias no Amapá.

Segundo a PF, naquele inquérito também foram analisadas possíveis irregularidades envolvendo créditos florestais no sistema do Ibama e suspeitas de sobrepreço estimado em R$ 6,1 milhões em contratos relacionados às obras.

À época, o empresário declarou que a Justiça havia autorizado a devolução dos bens apreendidos e afirmou que a suspeita envolvendo madeira ilegal teria ocorrido devido a um erro administrativo na entrega do material. Ele também negou irregularidades nas contratações e qualquer conflito de interesses em relação às empresas que administra.

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