Novorizontino desafia times grandes com SAF diferenciada, mas dá prejuízo
A semifinal do Campeonato Paulista tem 3 times da capital e 1 do interior. Esse "intruso" não é uma surpresa. Nos últimos anos, o Novorizontino se acostumou a desafiar os principais times do estado. Inclusive, eliminou o Santos nas quartas de final e vai enfrentar o Corinthians neste sábado (27), às 20h30. O Novorizontino consegue chegar tão longe com uma SAF que é diferente da maioria, com grandes vantagens, mas também com prejuízo financeiro.
O projeto começou nos anos 70, quando Jorge Ismael de Biasi criou o Grêmio Esportivo Novorizontino. O time foi vice-campeão paulista em 1990, mas mudou de gestão e acabou logo depois. Em 2010, outra geração da família Biasi criou um clube muito parecido, mas com outro CNPJ: é o Grêmio Novorizontino. Só saiu o "Esportivo" mesmo, porque as cores, o uniforme e toda identidade foi resgatada.
O estádio também é o mesmo. E a maior novidade é um Centro de Treinamento moderno. Ambos estão passando por reformas: "Nosso estádio precisa de crescimento, por causa dos resultados alcançados. Jogos maiores precisam de mais cabines de imprensa e mais torcida. E juntamente com isso, tem as próximas obras para um desenvolvimento ainda maior do nosso Centro de Treinamento", conta Genilson Rocha, diretor-presidente do Novorizontino, ao Band.com.br.
Por que a SAF do Novorizontino é diferenciada?
É claro que, inicialmente, o Novorizontino não era uma SAF - em 2010 nem existia a lei que criou a Sociedade Anônima do Futebol. Mas o Tigre já funcionava como clube-empresa, pois era profissionalizado e tinha donos: os primos Jorge Biasi Filho e Roberto Biasi. Eles criaram a I-9 Sports, empresa que faz os aportes no Novorizontino.
Quando virou SAF, em 2023, o Novorizontino anunciou que era "a primeira SAF 100%". E realmente existe uma diferença: todo controle está nas mãos da família Biasi. Não há uma associação para fiscalizar ou apoiar os donos, como acontece nas outras SAFs do país. Existe conselho de administração e auditoria. Mas o controle é totalmente dos acionistas - Roberto, Jorge e o cunhado dele, Sandro Cabrera.
É por isso que nem existe eleição para presidente no Novorizontino: os donos sempre reelegiam Genilson Rocha, então resolveram deixá-lo como um "presidente fixo". Ele tem poder, participa das decisões e aparece publicamente, mas não é sócio.
Segundo Genilson, o lado familiar dos Biasi também é um diferencial para a SAF: "O Novorizontino é conhecido como um clube que cuida muito bem não só do atleta, mas da família do atleta. E isso vem fazendo com que nós tenhamos uma equipe que se ajuda. E isso tem sido demonstrado nos jogos".
Apesar de toda essa importância da família Biasi, os donos do Novorizontino são extremamente discretos. E isso marca outra diferença: a maioria dos donos de SAFs gosta de aparecer, principalmente se o time vive boa fase. Mas Jorge e Roberto evitam dar entrevistas, mesmo todo crescimento recente do time. É algo que lembra a postura do "misterioso" Junior Antunes, o principal idealizador do sucesso do Mirassol, clube que fica próximo de Novo Horizonte.
Genilson explica: "Apesar de serem os donos do Novorizontino, são pessoas muito simples e não fazem questão de aparecer. Eles vivem o clube, mas têm as suas prioridades, que o clube procura respeitar".
Em uma rara entrevista de Roberto Biasi, para o canal MF Cast, ele disse que participa ativamente da rotina do clube, vai ao vestiário e até conversa com jogadores durante as partidas.
Eu vou em todos vestiários. Antes, no intervalo e depois. Nunca escalei ninguém, tenho que respeitar. Mas se eu ver que um jogador não está fazendo aquilo que sabe, eu encosto. Não passo por cima do treinador. Mas cobro no intervalo
Por que a SAF do Novorizontino dá prejuízo?
Apesar dos diferenciais citados e dessa participação dos donos, o Novorizontino dá prejuízo. Ou seja, gasta mais do que arrecada, ano após ano. Os balanços financeiros mostram que os déficits estão acima de R$ 20 milhões em 2023 e 2024. O resultado de 2025 ainda não foi divulgado.
- 2020: R$ 7 milhões de déficit
- 2021: R$ 14 milhões de déficit
- 2022: R$ 13 milhões de déficit
- 2023: R$ 29 milhões de déficit
- 2024: R$ 22 milhões de déficit
Genilson admite que isso preocupa: "É claro que todo déficit gera um alerta. Como diminuir isso? Temos que fazer com que nosso produto, que são os atletas, sejam cada vez mais colocados em evidência. A única forma do clube ter o seu retorno hoje é negociação de atletas. Para isso, o Novorizontino tem nas suas categorias de base um trabalho de excelência, com atletas sendo lançados para que possam ser negociados".
E a base do Novorizontino realmente está forte: o time sub-20 foi campeão paulista em 2024, derrotando o Palmeiras, por exemplo. E a base já gerou lucro com vendas, como no caso do zagueiro Luisão, comprado pelo Santos por R$ 10 milhões. O zagueiro Dantas deve ser vendido em breve para o Botafogo.
Porém, essas vendas ainda não pagam tudo. Os déficits são cobertos pela família Biasi, através da I-9. O balanço de 2025 apontou que a dívida da SAF com a empresa é de R$ 111 milhões. Essa deve ser paga a longo prazo. Já as obrigações de curto prazo, que preocupam mais, são bem menores: R$ 10,4 milhões.
A conclusão é que o clube depende demais do dinheiro da família Biasi. Mas isso não é um problema tão grande. A família Biasi tem muitos recursos em diversos negócios: usina de açúcar, agropecuária, energia termoelétrica e até no mercado de reprodução de animais.
O Novorizontino não é autossustentável, depende dos aportes, mas Genilson não vê problema nisso: “O clube não rasga aquilo que é investido. O Novorizontino vem melhorando, ano após ano, e vem se valorizando”.
A SAF do Novorizontino será vendida?
Com tanta valorização, é possível que a SAF do Novorizontino seja vendida futuramente? Genilson acredita que isso pode acontecer. E revela que já surgiram propostas. Mas os donos não pretendem fazer isso agora.
"Surgiram sim algumas propostas, alguns interesses, mas no momento não passa pelos investidores essa hipótese de estar negociando ou vendendo o percentual das ações da SAF. E isso faz com que o clube mantenha uma mesma linha de trabalho e comprometimento", concluiu.
Band


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