Líderes do Centrão duvidam de viabilidade de CPI do caso Master
Com a explosão do caso do Banco Master em pleno recesso, parlamentares de direita e esquerda começaram a protocolar pedidos de abertura de Comissão Parlamentares de Inquérito (CPIs) para explorar o tema. Com a aproximação da volta dos trabalhos parlamentares, que será em fevereiro, as articulações em torno disso vão ficando mais intensas.
Líderes do Centrão, no entanto, resistem à ideia. Ouvido pelo Metrópoles em condição de reserva, um cacique afirmou que a abertura de uma investigação até deveria acontecer, “mas há forças internas trabalhando contra”. Esse influente político firma que há “muita gente amiga” envolvida no caso.
As figuras centrais de partidos do centro avaliam que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve consultar os líderes na reunião marcada para a próxima semana, na quarta-feira (28) para saber se há maioria ou não para abrir a comissão de inquérito e um integrante de um partido do Centrão admite que “não será fácil”.
Ainda que haja resistências importantes, o entendimento entre parlamentares também é de que, devido à gravidade do tema, “pegaria muito mal”, nas palavras de um deles, que o Congresso não investigue o escândalo bilionário.
O imbróglio do Banco Master no Congresso
Parlamentares de direita e esquerda pedem CPI/CPMI sobre o caso Banco Master, mas líderes do Centrão resistem, alegando pressões internas e envolvimento de “gente amiga”.
Hugo Motta deve consultar líderes na próxima semana para medir apoio; apesar da gravidade, há receio de desgaste político, sobretudo em ano eleitoral.
No Senado, a tendência é concentrar as investigações na CAE, presidida por Renan Calheiros, com poderes para convocações, pedidos de informação e propostas legislativas.
O Banco Master foi liquidado em novembro; o dono, Daniel Vorcaro, é investigado pela PF no STF, e um liquidante conduz o ressarcimento de credores e apuração de irregularidades.
No Senado, os líderes pretendem que as investigações fiquem a encargo da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), presidida por Renan Calheiros (MDB-AL).
O senador apresentou uma instrução normativa que permitirá aos integrantes do colegiado “realizar e sistematizar todos os atos legislativos voltados ao efetivo acompanhamento, tais como a apresentação de requerimentos de convocação de envolvidos e autoridades pertinentes, requerimentos de informação e a proposição de iniciativas legislativas relacionadas ao tema”.
Os integrantes do grupo de trabalho também poderão apresentar pedidos de informação a autoridades competentes e propor iniciativas legislativas sobre o tema.
Caso Master
A crise envolvendo o Banco Master ganhou força em novembro do ano passado, quando a instituição teve sua liquidação decretada pelo Banco Central.
O dono do banco, Daniel Vorcaro, é investigado pela Polícia Federal (PF) em um inquérito que corre em sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).
Com a decretação da liquidação, todas as operações da instituição foram imediatamente paralisadas. A decisão também resultou no afastamento dos administradores responsáveis pela gestão do banco até então, encerrando oficialmente sua atuação no mercado.
Para conduzir o processo, foi nomeado um liquidante, encarregado de mapear ativos e passivos, identificar eventuais ilegalidades e organizar o pagamento dos credores. Esse ressarcimento segue uma ordem legal específica, definida para minimizar prejuízos e garantir o cumprimento das normas do sistema financeiro.
Metrópoles

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