Tensão dispara entre Irã e EUA com troca de farpas entre Khamenei e Trump
A tensão disparou entre Irã e Estados Unidos com a troca de acusações e ameaças entre o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e o presidente americano, Donald Trump, justamente quando parecia perder força a possibilidade de um ataque contra o país persa.
Teerã responsabilizou Washington, neste domingo (18), por essa escalada, citando as ingerências americanas em seus assuntos internos em meio aos protestos que sacudiram o Irã nas últimas semanas e as ameaças dos EUA de uma intervenção militar.
– A geração de tensões se tornou parte da conduta hostil dos Estados Unidos – disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ismail Baghaei.
As declarações foram dadas durante uma entrevista coletiva. Ele acrescentou que o Irã que interfere nos assuntos internos dos EUA.
– Não é o Irã que interfere nos assuntos internos do povo americano, mas sim os Estados Unidos que continuam com sua política de ingerência contra o Irã e os países da região.
As acusações de Baghaei ocorrem depois que os líderes de ambos os países, Ali Khamenei e Donald Trump, trocaram ontem duras acusações e ameaças.
Khamenei desafiou Trump ao qualificá-lo de “criminoso” e o responsabilizou pela morte de “vários milhares de pessoas” durante protestos que ele atribuiu aos Estados Unidos e Israel.
– Consideramos o presidente dos Estados Unidos culpado pelas vítimas, pelos danos e pelas acusações que dirigiu à nação iraniana – disse em um encontro em Teerã por ocasião do aniversário da escolha de Maomé como profeta do islã.
A autoridade política e religiosa máxima do Irã assegurou que os protestos que sacudiram o país “foram um complô americano e o objetivo americano é devorar o Irã”, e acusou Trump de intervir “pessoalmente”.
– Os Estados Unidos devem prestar contas – sentenciou Khamenei.
Trump aceitou o desafio do clérigo e assegurou em entrevista à revista Politico que “é o momento de buscar uma nova liderança no Irã” que acabe com os quase 37 anos de mandato do líder supremo.
O republicano acusou Khamenei da “destruição total do país e do uso da violência em níveis nunca antes vistos”, com a morte de “milhares de pessoas para manter o controle”.
Trump ameaçou em várias ocasiões durante as últimas semanas atacar o Irã: primeiro se morressem mais pessoas nos protestos, depois se houvesse execuções, e mais tarde afirmou que havia “ajuda a caminho”, o que muitos interpretaram como um aviso de uma intervenção que acabou não ocorrendo.
Khamenei reconheceu ontem que milhares de pessoas morreram nos protestos, mas atribuiu essas mortes a um suposto complô EUA-Israel.
O promotor de Teerã, Ali Salehi, também mencionou Trump para rejeitar suas afirmações sobre a suposta suspensão das execuções de manifestantes e assegurou que a resposta da Justiça iraniana será “firme, dissuasória e rápida”.
– Trump sempre diz tolices sem fundamento; nossa resposta será firme, dissuasória e rápida – reiterou Salehi.
Os protestos começaram no final de dezembro, iniciados por comerciantes de Teerã devido à queda do rial, e logo se espalharam pelo país pedindo o fim da República Islâmica, atingindo seu auge nos dias 8 e 9, com uma explosão de manifestações em praticamente todo o Irã.
Agência EFE

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