09/01/2026

EM NATAL O ERRO DA MEDICINA A TERRA COBRE

Morte de jovem após erro em UPA de Natal pode gerar processo disciplinar

A morte da jovem Gabriely Barbosa de Melo, de 19 anos, após sofrer uma parada cardiorrespiratória depois de receber uma medicação errada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Potengi, na zona Norte de Natal, segue sob investigação administrativa e profissional e pode resultar em processos ético-disciplinares contra os envolvidos. A confirmação preliminar da troca de medicamentos foi feita pelo Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Norte (Coren-RN), enquanto a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) mantém sindicância interna em andamento e os servidores afastados desde a ocorrência do caso.

Gabriely morreu na segunda-feira (5), após semanas internada em um hospital particular por meio de pactuação com a SMS. Segundo a Secretaria, a causa do óbito foi um choque decorrente de infecção severa. A jovem havia dado entrada na rede privada no dia 17 de dezembro, após sofrer parada cardiorrespiratória na UPA Potengi, onde buscou atendimento inicialmente com sintomas gripais e recebeu um medicamento diferente do prescrito.

De acordo com o presidente do Coren-RN, Egídio Júnior, o conselho concluiu a fase de averiguação prévia e confirmou que houve troca de medicação durante o atendimento. “Sim, na averiguação ficou constatado a troca da medicação”, afirmou. Segundo ele, o relatório elaborado pela fiscalização já foi finalizado e o caso agora segue para análise de admissibilidade por uma Câmara de Ética da entidade.

A partir dessa etapa, o procedimento pode evoluir para um processo ético-disciplinar, conforme explicou o presidente do Coren. “Sim, pode evoluir para processo ético disciplinar, principalmente porque tem vítima. As sanções pelo Coren-RN, podem ir desde advertência até suspensão do exercício profissional. Quando se tem indicação de cassação, o processo é remetido ao Cofen-Conselho Federal de Enfermagem a quem compete julgar cassação”, disse Egídio Júnior.

Além da conduta individual dos profissionais, o conselho também analisa fatores estruturais e organizacionais da unidade de saúde. Segundo o presidente, as investigações consideram aspectos como condições de trabalho, protocolos adotados e dimensionamento das equipes.

A Secretaria Municipal de Saúde de Natal informou, em nota, que lamenta o falecimento da jovem e garante apoio integral à família desde o primeiro momento. A pasta destacou que os servidores envolvidos no atendimento seguem afastados, com sindicância administrativa em andamento. “O Processo Administrativo (PAD) será aberto assim que a sindicância for concluída, com acompanhamento dos órgãos competentes”, informou a SMS, ressaltando ainda que os Conselhos de Enfermagem e de Farmácia também realizam apuração paralela dos fatos. A secretaria não detalhou prazos para a conclusão dos procedimentos.

O Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Norte (CRF-RN) também acompanha o caso desde dezembro e realizou fiscalização na UPA Potengi após a repercussão do episódio. De acordo com o conselho, o relatório final elaborado pela equipe de fiscalização e pela Comissão de Farmácia Hospitalar será entregue à diretoria nesta quinta-feira (8). “A partir desta sexta-feira (9), o CRF-RN vai se pronunciar sobre o assunto”, informou o órgão em nota oficial.

Segundo informações apuradas anteriormente pelo CRF-RN, o medicamento prescrito para a paciente era o Succinato de Hidrocortisona, um corticoide indicado para o tratamento de inflamações e reações alérgicas, na dose de 100 mg. No entanto, o que foi dispensado e administrado foi o Succinil Colin, também de 100mg e conhecido como cloridrato de suxametônio, um bloqueador neuromuscular utilizado em situações específicas, geralmente associadas à entubação, e que exige controle rigoroso.

A diferença entre os medicamentos, apesar da dosagem semelhante, é apontada como fator determinante para a reação grave apresentada pela jovem. À época, tanto o Coren quanto o CRF informaram que ainda não era possível identificar em qual etapa ocorreu o erro, o que segue sendo apurado nos procedimentos em curso.

TN

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