Saúde mental juvenil: RN interna menos, mas preocupa especialistas
O Rio Grande do Norte apresenta uma das menores taxas de internação por transtornos mentais e comportamentais entre jovens de 15 a 29 anos no país. De acordo com o Informe II – Saúde Mental: Informes sobre a situação de saúde da juventude brasileira (2025), elaborado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o estado registrou taxa de 441,1 internações por grupo de 100 mil habitantes entre 2022 e 2024, abaixo da média nacional, que foi de 579,5 por 100 mil. À primeira vista, o dado poderia sugerir um cenário mais favorável. No entanto, especialistas alertam que os números, isoladamente, escondem um problema estrutural: a deficiência na assistência psiquiátrica, com falta de leitos, serviços ambulatoriais insuficientes e subnotificação de casos graves. Para discorrer sobre o assunto, a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap/RN) foi procurada ao longo da semana, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.
Para o presidente da Associação Norte-Riograndense de Psiquiatria (ANRP), Ernane Pinheiro, a explicação está diretamente ligada à ausência de uma rede estruturada de cuidado. “Primeiro, não há um maior número de internamentos porque não existe assistência psiquiátrica adequada para atender essas pessoas. Se existisse um sistema de saúde pronto, com certeza muito mais pessoas seriam internadas”, afirma.
A disparidade se torna mais evidente quando o Rio Grande do Norte é comparado a estados do Sul do país, que concentram as maiores taxas de internação entre jovens. O Rio Grande do Sul lidera o ranking nacional, com 1.615,6 internações por 100 mil habitantes, seguido pelo Paraná (1.170,5) e Santa Catarina (963,3). Mesmo dentro do Nordeste, estados apresentam índices superiores ao potiguar, o que reforça a leitura de que a taxa mais baixa no RN não reflete, necessariamente, menor adoecimento mental entre os jovens.
Segundo o presidente da ANRP, em sistemas bem estruturados, o maior número de internações não representa fracasso, mas sim acesso ao cuidado necessário. “Um país que tenha uma boa assistência psiquiátrica atenderia muito mais pessoas, internaria muito mais pessoas, e isso não refletiria outra coisa a não ser uma boa assistência”, diz Pinheiro.
Outro fator que contribui para a subnotificação é o grande contingente de jovens internados fora da rede hospitalar do SUS. “Em Natal, existem praticamente duas mil pessoas internadas, ou seja, por uso de drogas. E, no entanto, elas não estão registradas lá nos hospitais psiquiátricos ou hospitais gerais, porque são em comunidades terapêuticas”, explica Ernane. Esses atendimentos, por não integrarem o sistema de internações hospitalares, ficam fora das estatísticas que embasam o relatório da Fiocruz.
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