Bolsonaristas compartilham 'guia para vitória' e orientam eleitores como agir
Aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) elaboraram um 'guia prático para a vitória' no segundo turno das eleições presidenciais, e têm divulgado as orientações nas redes sociais. O documento, de 3 páginas, lista 12 medidas a serem adotadas pelos eleitores do presidente. O primeiro item no guia pede, inclusive, para que os apoiadores de Bolsonaro não falem sobre temas que envolvam fraudes nas urnas eletrônicas, uma vez que o assunto possa gerar "desconfiança dos potenciais novos eleitores e reforçar a narrativa petista de mau perdedor". O documento reforça ainda que os eleitores de Bolsonaro "não ataquem o nordeste".
Disposto a diminuir a larga vantagem de Lula na região, o presidente exaltou, durante seu programa eleitoral deste sábado (8), o Nordeste e agradeceu aos votos que teve na região, enfatizando que, apesar do desempenho pior do que no restante do país, teve mais votos lá do que no primeiro turno de 2018. "A estratégia da esquerda é segregar o povo, dividir para conquistar, não vamos cair nessa. Os irmãos nordestinos deram mais votos para Bolsonaro este ano do que em 2018. Temos que convencer o máximo de cidadãos que a reeleição do Presidente Bolsonaro é o melhor para todo o Brasil e especialmente para o Nordeste", diz um trecho do guia elaborado por aliados do presidente.
O documento foi compartilhado em um grupo do telegram do deputado federal reeleito Cabo Júnio Amaral (PL). Questionado quem seria o autor do documento, o parlamentar diz não saber e afirmou que "apenas viu e achou interessante".
Fraudes
Focando principalmente no tema da fraude das urnas eletrônicas, o documento compartilhado por apoiadores de Bolsonaro pede que os eleitores do presidente esqueçam o assunto e foque nos feitos do governo federal. Vale lembrar que desde o ano passado, o presidente, sem provas e sem fundamento, intensificou os questionamentos sobre a segurança do modelo eleitoral no Brasil, em especial sobre as urnas eletrônicas. Bolsonaro chegou a defender a volta voto impresso, mas devido às críticas tem falado cada vez menos sobre o tema. No último domingo (2), após a divulgação do resultado no primeiro turno, Bolsonaro evitou colocar em xeque as urnas eletrônicas e disse que só irá se pronunciar após as Forças Armadas apresentarem um relatório sobre o sistema de votação.
"Com a nova configuração do Congresso, a luta pelo voto auditável será retomada em breve. Confie no julgamento do Presidente que possui os dados e as informações sobre todo o processo (...) deixe que ele e sua equipe tratem dessa questão", cita um trecho do documento.
No guia, a orientação é que o discurso para virar votos sejam focados na pauta de combate à corrupção, se utilizando, principalmente, de depoimentos de venezuelanos, argentinos, bolivianos, nicaraguenses, dentre outros, para alertar sobre os "perigos do socialismo". "Caso a desconfiança da fraude (das urnas) seja mencionada, sugira foco otimista na reeleição: 'se tentaram, falharam, pois não levaram no primeiro turno'''. Nesta semana, a Polícia Federal (PF) afirmou não ter encontrado até o momento "nenhuma ocorrência de fraude ou tentativa de fraude às urnas eletrônicas no final de semana do 1º turno das eleições de 2022".
Fiscalização
Outro ponto defendido pelos apoiadores de Bolsonaro é que os eleitores "ajudem na fiscalização das seções eleitorais". Para isso, a orientação é que eventuais ocorrências sejam fotografadas e gravadas. Vale lembrar que são falsos, segundo a Justiça Eleitoral, os diversos vídeos que circularam nas redes sociais que mostram divergência no número de eleitores e o resultado das votações.
"Foram relatadas fraudes por compra de votos no primeiro turno, com a articulação de candidatos a deputados estaduais e federais e lideranças políticas locais; a omissão ou conluio de mesários e pessoal voluntário a serviço dos TRE demanda a presença de fiscais até o encerramento das urnas. O risco de ser fotografado e gravado com um celular é a maior arma para inibir essa prática. Identifique e apoie os fiscais dos partidos da base do Presidente", diz outro trecho do documento, que propõe que os apoiadores convençam os faltosos a participar" das eleições, e se utilize de linguagem adequada para cada público.
De acordo o guia, "a omissão pode ser fatal para o futuro de todas as famílias". Esse tem sido, inclusive, o argumento de aliados de Bolsonaro. Nesta sexta-feira (7), a ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves (Republicanos), eleita senadora pelo Distrito Federal, declarou durante uma reunião em Brasília que as chances de virar votos de Lula são mínimas. Ela sugeriu, contudo, que as lideranças religiosas foquem em eleitores que não votaram no último domingo e naqueles que optaram pelos outros candidatos.
Assim como no guia, Damares pede para os participantes usem camisa verde e amarela, bandeiras do Brasil. O documento defende ainda que apoiadores reforcem a campanha visual, adotando fotos de perfil com as cores da bandeira nacional e o número do presidente. "Adesive carros, lojas, residências, utilize a bandeira em janelas, sacadas e varandas. Foram mais de 30 milhões de ausentes no primeiro turno; as filas demoradas, que levaram muitos a desistir de votar, não se repetirão no segundo turno. Analise sua agenda e seus grupos de contato, promova abordagens adequadas por setor: os amigos do clube, o grupo de mães da escola, colegas de trabalho, etc. Parta com empatia em busca dos eleitores de Ciro, Tebet, Soraya e Felipe D’Avila, conversando sobre os riscos para o país de uma volta do PT ao poder", explica o guia.
otempo

Nenhum comentário:
Postar um comentário