Garotinho, em gravação, fala em acordo para filha assumir secretaria de Crivella
Garotinho classificou a Secretaria de Desenvolvimento Social de “operacional”, importante para montar uma base para seu grupo político. Em outro trecho, o ex-governador demonstra interesse de concorrer ao Senado em 2018. A conversa foi gravada no dia 31 de outubro, com autorização da Justiça, e integra os autos do processo da Operação Chequinho. Garotinho fala com um interlocutor identificado como Cleiton de Souza, assessor parlamentar do prefeito eleito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PR).
“Clarissa vai ser secretária, provavelmente, o Crivella vai convidar ela (sic), de Ação Social (Desenvolvimento Social) no Rio, pra montar nossa base. Será que não era melhor para você (Cleiton), ao invés de cuidar de política, pegar uma secretaria operacional, tipo essa assim, Ação Social?”, argumenta Garotinho.
Os dois conversam também a respeito da futura formação da gestão em Nova Iguaçu, e Cleiton demonstra interesse em ocupar a Secretaria de Governo, por ser a pasta responsável, segundo ele, por “operar” todas as outras. Em outro trecho, Garotinho volta a tratar da indicação de Clarissa para o governo Crivella.
“Minha preocupação, por exemplo, é que, porra, vamos lá que o Crivella cumpra (o acordo) e dê a Secretaria de Ação Social (para Clarissa)”, diz o ex-governador.
“Vai dar, vai dar, vai dar”, responde Cleiton.
“Vai dar, né? Ele vai dar?”, insiste Garotinho.
“Ah, acho que vai, claro”, afirma o aliado.
“Então, aí Clarissa pode montar um programaço, aproveitar aquele povo todo nosso na Zona Oeste, nosso colegas nas comunidades que estão tudo (sic) aí entregues às baratas, sofrendo e tal”, reforça o ex-governador.
Em novembro, Garotinho foi preso, acusado de coagir testemunhas e obstruir o trabalho da PF, em investigação sobre uso irregular de recursos de um programa social de Campos. Garotinho, que foi solto por decisão do TSE, nega as acusações e se diz vítima de perseguição.
O Globo
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