Jornalista traça futuro sombrio para Henrique Alves: ‘Vai virar carne de sol nas mãos de Sergio Moro’
A rainha não está morta, ainda, e ele já implora para que o ouçam
gritando (com sua voz rouca) “viva o rei!”. Ninguém me contou, eu vi num
jantar privado em Brasília, pouco antes da posse de Dilma para o
segundo mandato: derrotado para o governo do Rio Grande do Norte,
Henrique Eduardo Alves, então presidente da Câmara dos Deputados,
ficaria sem mandato parlamentar pela primeira vez desde 1971. Aos
prantos, pedia a dois senadores e a um deputado que fechassem logo a
lista dos ministeriáveis do partido, porque não podia ficar jogado às
traças por muito tempo.
Foi aconselhado a esfriar a cabeça e viajar. Argumentou que passaria
um Natal e um réveillon péssimos, pois estaria fora do eixo do poder
pela primeira vez na vida. Foi então indicado, semanas depois daquele
espetáculo de subserviência e apego, para o ministério do Turismo.
Agarrou-se com unhas e dentes ao cargo. Hoje mesmo, por acaso,
terminei por ouvir pessoalmente uma conversa em que Henrique Eduardo
Alves ainda apelava a um companheiro de partido para que adiassem a
definição de abandono da presidente à própria sorte.
O script da traição, contudo, já estava traçado e ele se arvora a ser
o primeiro a largar o osso – não porque esteja solidário ao poder
descendente que um dia tanto almejou, mas porque deseja ser o primeiro a
agarrar os novos ossos cheios de carne e sebo que começam a ser
lançados na direção dos adesistas que babam e rosnam atrás do poder
ascendente. Roda, Brasília. Roda.
O círculo é concêntrico e um dia ele se fecha. Talvez se feche antes
da chegada das chuvas, em fins de setembro, quando se encerra a estação
da seca do Planalto Central. Quanto a Henrique Eduardo, tenho fortes
suspeitas de que a seca vai transformá-lo numa espécie de manto de carne
de sol do Seridó nas mãos da turma de Curitiba.
Agorarn
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