30/11/2015

CIDADE CARCERÁRIA, UMA SOLUÇÃO?

Eis a questão!

Há pouco mais de 01(um) ano assistamos uma verdadeira ‘GUERRA” entre os pós e os contra a construção da cadeia pública para abrigar 600 detentos no território do nosso Município. Arrefecido os ânimos, agora é o momento de analisarmos com maior clareza as consequências deste empreendimento carcerário para Ceará Mirim e região.
Faço lembrar que naquele momento fui questionado sobre minha opinião  a respeito  do presidio e respondi que não via razão para tanta grita, a não ser por estarmos em plena campanha para Governador e as questões  políticas-eleitorais estavam dando lugar a emoção ao invés da razão.
Como venho fazendo nas ultimas semanas, depois de analisar detalhadamente o estudo realizado pela revista Isto É, a consultoria Austin Ratings, sobre as melhores cidades do Brasil, sendo a vez de conhecermos RIBEIRÃO DAS NEVES (MG) – Situada na região metropolitana de Belo Horizonte, Ribeirão das Neves é considerada um dos municípios mais pobres de Minas Gerais. 
Cerca de 60% dos seus mais de 300 mil habitantes trabalham fora de seus limites territoriais. Essa realidade já lhe rendeu o apelido de “cidade dormitório”. Outra denominação que deixa a população contrariada é a de “cidade carcerária”, devido à existência de cinco unidades prisionais no município, uma delas a primeira Parceria Público-Privada (PPP) com essa função.  
Com a chegada dos presídios a demanda por serviços aumentou e o comércio está em crescimento, com muitos bares, pizzarias, salões de beleza, supermercados, magazines, bancos, que abrigam uma parte da população economicamente ativa, além dos empregados dos presídios.
O Brasil atualmente possui um déficit  carcerário de 231 mil vagas e um profunda crise no sistema prisional, então ai vai um questionamento: seria uma saída econômica nos transformamos num polo carcerário, abrigando penitenciária (regime fechado), colônia agrícola (semi aberto), casa de albergado (regime aberto), já que teremos em breve um SEDUC e uma cadeia pública? 
Para reforçar o questionamento, a lei de execuções penais acaba de ser modificada, permitindo a administração dos empreendimentos carcerários a iniciativa privada, e com isso, o consequente aumento na arrecadação do ISS (imposto municipal), será que teremos condições de discutir este polêmico tema com a razão, ou as questões partidárias vencerão mais uma vez? 

Colaboração Dr. Jeorge Ferreira

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