Empresário Edvaldo Fagundes e o filho Rodolfo se entregam à PF em Mossoró
O empresário Edvaldo Fagundes de Albuquerque e o filho Rodolfo
Leonardo Soares Fagundes de Albuquerque se entregaram na manhã desta
segunda-feira, 20, na sede da Policia Federal, em Mossoró/RN.
Já estão recolhidos a Cadeia Pública Manoel Onofre de Sousa. Pai e
Filho estavam na condição de foragidos da Justiça Federal desde
sexta-feira, 17, da semana passada, quando a Justiça Federal de Mossoró
decretou prisão preventiva de todos da família dele a pedido da
Procuradoria da República.
Após o contato do advogado com os delegados da PF em Mossoró, o
empresário chegou a sede da PF na companhia do filho num carro de vidros
escuros. Assinaram o comunicado do decreto de prisão e foram levados
num carro com vidros escuros para o Instituto Técnico-científico de
Policia (ITEP). Fizeram exame de corpo delito e foram levados para a
Cadeia Públida Manoel Onofre de Sousa.
Ainda esta semana os advogados devem recorrer ao Tribunal Regional
Federal, em Recife, com pedido de habeas corpus para Edvaldo, os filhos e
a mulher, que são detentores de fortuna bilionária, em Mossoró. Nos
mesmos processos, o juiz federal Orlan Donato, atendendo pleito do
procurador da república Emanuel de Melo Ferreira, também tiveram
preventiva decretado todo o núcleo administrativo do que o MPF
classificou como “organização criminosa”.
Veja como era distribuído a “organização criminosa”
Núcleo Administrativo (detinha o poder de mando)
1. Edvaldo Fagundes de Albuquerque
2. Ana Catarina Fagundes de Albuquerque
3. Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho
4. Eduardo Fagundes de Albuquerque
5. Rodolfo Leonardo Soares Fagundes de Albuquerque
6. Zulaide de Freitas Gadelha
Núcleo Contábil (responsável por
instrumentalizar formalmente a constituição de diversas empresas
fantasmas do grupo, contribuindo decisivamente para os delitos
cometidos)
1. Tupinambá de Paiva Carvalho
Núcleo Operacional (composto
pelas interpostas pessoas aliciadas pelos líderes da organização,
compondo os popularmente chamados “laranjas”
1. Antônia Martins de Araújo
2. Antônio Fagundes de Albuquerque Neto
3. Carla Lígia Leite Barra
4. Denise de Souza Borges
5. Felipe Vieira Pinto
6. Genival Silvino de Sousa
7. Ivan Freitas da Silva
8. Jerônimo Antônio Ferreira Neo
9. Jose Bonifácio Dantas de Almeida
10. Manoel Inovilton de Paiva
11. Marcos Reigracion Borges
12. Miguel Ângelo Barra e Silva
13. Sebastião Aécio Borges
Dos presos, o Tribunal Regional Federal, de Recife, determinou que o
contador e advogado Tupinambá de Paiva Carvalho, por questão de saúde
grave (câncer), fosse retirado da Cadeia Pública e deixado em prisão
domiciliar. Corria risco de infecção no estabelecimento prisional.
Cronologia do caso
17 de abril de 2015 – A PF e o MPF, por determinação do juiz Orlan
Donato, da Justiça Federal de Mossoró, cumpriu as ordens de prisões
contra 10 que haviam sido denunciados no mês de janeiro de 2015 que,
segundo o MPF, são do setor administrativo do que eles chamam de
“organização criminosa” que, sonegando impostos, deu um prejuízo aos
cofres públicos superior a meio bilhão de reais.
26 de março de 2015 – A PF desencadeia a Operação Salt II. Nesta fase
da operação, os policiais federais, Ministério Público Federal, Receita
Federal e Técnicos do Tesouro Nacional, constataram que o empresário
Edvaldo Fagundes e seus familiares continuavam praticando crimes de
sonegação fiscal. Desta vez a PF comprovou que ele comprou máquinas
industriais nos Emirados Árabes e declarou a Receita Federal um valor
subfaturado e assim pagou bem menos impostos do que o devido. Nesta
operação, 15 policiais apreenderam grande quantidade de documentos na
sede das empresas de Edvaldo Fagundes, mulher e filhos.
Janeiro de 2015 – Ministério Público Federal ingressa com várias
ações na Justiça contra o empresário e seus familiares, acusando-os de
sonegação de impostos, fraude, organização criminosa, entre outros
crimes igualmente graves. Nesta fase, o rombo causado aos cofres
públicos em função da sonegação de impostos já ultrapassa a casa de meio
bilhão de reais. Devido a reincidência da família de Edvaldo Fagundes
nos mesmos crimes, o Ministério Público Federal abriu processo contra 20
pessoas e dezenas de empresas que teriam deixado rombo de R$ 500
milhões nos cofres públicos. Dos 20 processados, o MPF pediu a prisão
preventiva de 10 que faziam parte do núcleo administrativo do que eles
chamaram de “organização criminosa” liderada pelo empresário Edvaldo
Fagundes, mulher e filhos.
17 de dezembro de 2013 – Depois de seis meses de investigação em
parceria com a Receita Federal e técnicos do Tesouro Nacional, a Polícia
Federal desencadeia operação Salt I, com o objetivo de desarticular a
“organização criminosa. O MPF informou na época que Edvaldo Fagundes e
seus familiares criavam empresas nos ramos da carcinicultura, tecelagem,
salineiro, venda de veículos e combustível, encabeçadas pelos chamados
“laranjas”, para o fim de sonegar tributos e promover a lavagem
do dinheiro. O rombo, na época, chegava aos R$ 400 milhões. Nesta
operação 88 policiais federais cumpriram 21 mandados de busca e
apreensão nas empresas do grupo Líder no Rio Grande do Norte, Paraíba,
Ceará e Pernambuco, tendo apreendido uma grande quantidade de
documentos, dinheiro, carros de luxo, joias e até um helicóptero. Até
então eram 37 empresas investigadas.
20 de agosto de 2013 – Os advogados de Edvaldo Fagundes, pessoas de
grandes influência no Tribunal Regional Federal, de Recife, conseguiram
uma determinação judicial inédita no Brasil para que o investigado
tivesse acesso a todos os dados da investigação, inclusive escutas
telefônicas que estavam em andamento. O Blog Retrato do Oeste retratou
este fato, considerado muito grave no meio jurídico, uma verdadeira
afronta a estrutura policial.
Junho de 2013 – A pedido da Fazenda Nacional, a Justiça Federal do
Rio Grande do Norte determinou o bloqueio de bens de 32 empresas e 29
pessoas ligadas ao Grupo Líder na cidade de Mossoró e região. A Juíza
Federal Emanuela Mendonça Santos Brito, da 8ª Vara Federal, concluiu que
todas as 32 empresas e as 29 pessoas integram um mesmo grupo
empresarial, sob a gestão de Edvaldo Fagundes de Albuquerque, real
proprietário das empresas alcançadas pela indisponibilidade de bens. Os
bens de todo grupo foram bloqueados até o montante do débito no valor de
R$ 212.517.491,77, referente à execução fiscal ajuizada pela União.
2004 – Receita Federal autua o empresário Edvaldo Fagundes por
sonegação de impostos. O processo corre e deste origina vários outros.
Neste processo inicial, o empresário Edvaldo Fagundes, conforme apurou a
PF, se quer deu satisfação a Receita Federal, que deu andamento ao
processo até que chegou a execução e início das investigações criminais
por parte do Ministério Público Federal e a Policia Federal.
Mossoró Hoje
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