Indícios de fraudes vão ‘muito além’ da Petrobras, afirma juiz
Moro afirmou que “há indícios que os crimes transcenderam a
Petrobras” e classificou de “perturbadora” a tabela apreendida em março
com o doleiro e delator Alberto Youssef, com uma lista de cerca de 750
obras públicas de infraestrutura. Ali, constavam “a entidade pública
contratante, a proposta, o valor e o cliente do referido operador, sendo
este sempre uma empreiteira”.
“Embora a investigação deva ser aprofundada quanto a esse fato, é
perturbadora a apreensão desta tabela nas mãos de Alberto Youssef,
sugerindo que o esquema criminoso de fraude à licitação, sobrepreço e
propina vai muito além da Petrobrás”, escreveu.
Os comentários de Moro foram usados para rejeitar o pedido de
revogação da prisão preventiva de Gerson de Mello Almada,
vice-presidente da empresa Engevix, que está na carceragem da Polícia
Federal em Curitiba.
Segundo Moro, grande parte do esquema criminoso ainda está encoberto
e, por isso, “a prisão preventiva se impõe a bem da ordem pública, para
interromper e prevenir a continuidade da prática de crimes graves contra
a administração pública e de lavagem de dinheiro”.
Entre os indícios contra a Engevix está o depósito de R$ 3,3 milhões
para a MO Consultoria, empresa de fachada de Youssef, durante as obras
da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
A Engevix reconhece o pagamento a Youssef, mas afirma que o doleiro
foi pago por tarefas técnicas em benefício da empresa e nega ter
praticado qualquer irregularidade.
IG

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