02/01/2011

A DITADURA DE EXTREMOZ - NEM PINOCHET



Código de conduta é polêmica no município de Extremoz



O antigo hábito de criar galinhas no fundo do quintal, tão comum entre famílias do interior do Rio Grande do Norte, está agora proibido no município de Extremoz se o número de animais ultrapassar a 20 e se não tiver o acompanhamento de um veterinário, além de autorização da Prefeitura Municipal. A probição entrou em vigor desde o último dia 17 de dezembro quando a lei nº 630 de 03/12/2010, que institui o Código de Posturas de Extremoz, foi publicada no Diário Oficial do município. Composto de 458 artigos, o Código tem sido motivo de muita polêmica entre o poder público e a sociedade que tem se posicionado contra a lei, devido às limitações do direito de ir e vir das pessoas e por conter algumas pérolas dignas de qualquer anedotário popular.

Entre essas pérolas, o simples ato de bater roupa e tapete nas janelas e portas de casa que dão para a rua, queimar lixo no quintal, ou varrer o interior da residência e até do automóvel para a via pública estão proibidos pela lei e são motivos de sanções que vão desde advertência a multas a serem recolhidas aos cofres municipais.

Mas é no artigo 110 que o Código de Posturas extrapola os limites do anedotário, entrando para o perigoso âmbito da discriminação quando, com o pretexto de preservar a higiene pública, proíbe a "condução para a área urbana de doentes portadores de moléstias infectocontagiosas, salvo com as necessárias precauções de higiene e para fins de tratamento". O texto do documento dá margem à interpretação de que os doentes agora terão que ficar confinados sem poder sair nas ruas nem caminhar numa praça, ou seja, eles deixaram de ser cidadãos.

Confusão

A reação da população ao novo Código de Posturas foi imediata quando o prefeito Klauss Rêgo encaminhou a lei para aprovação na Câmara Municipal. Com o auditório da casa lotado de populares, a sessão do dia 3 de dezembro foi marcada por tumulto entre vereadores, quando um parlamentar da oposição chamou aquela casa de "leis de circo", referindo-se ao Códigoque estava sob votação. O caso terminou na polícia com troca de agressões e insultos entre vereadores da situação e oposição. Apesar de toda confusão a sessão aprovou o Código de Posturas por maioria de votos, mas com 116 alterações entre emendas e supressões. "Tudo que a população não queria foi retirado do Código", assegura a futura presidente da Câmara Municipal, Lúcia Ramalho.

Antes das alterações, segundo relatam o taxista José Antônio Borges e a coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação, Socorro Alves Ribeiro, o documento continha outras pérolas que proibiam o transporte de galinhas de cabeça para baixo, uma prática muito natural em um munícipio como Extremoz, e impunha limites à liberdade de expressão como condicionar à autorização da Prefeitura a utilização de carros de som em movimentos populares, quando, segundo a sindicalista, o objetivo era de prejudicar as manifestações sindicais. Socorro Ribeiro adianta que está organizando um abaixo-assinado pedindo a revogação da lei e a abertura de diálogo com a comunidade.

Prefeitura vai criar mais três códigos

Segundo o idealizador do Código de Posturas, o secretário de Planejamento do município, Antônio Lisboa Gameleira, o documento disciplina as relações entre o poder público e o cidadão. "É um instrumento que regula a prática de atos na área de segurança, higiene, ordem, respeito à propriedade e aos direitos individuais e coletivos e, ainda, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão do poder público". Na prática, isto significa que ações como a ocupação de calçadas, ou áreas de lazer tanto por parte dos comerciantes, ambulantes ou construtores, a poluição sonora de qualquer natureza que prejudique o sossego público, animais trafegando em via pública que possam causar risco à saúde, à higiene e a limpeza da cidade, entre outros, deverão ser fiscalizadas e devidamente punidos os infratores, eliminando assim a vista grossa por parte do Executivo.

Ele explica que o documento tem amparo no artigo 20 da Lei Orgânica do Município, criada há 20 anos, que ainda prevê a elaboração de outros três códigos, os do Meio Ambiente (também já sancionado), e os de Obras e de Vigilância Sanitária. "Os outros governantes não faziam por medo da reação popular porque resguarda não apenas os direitos do cidadão mas também os deveres e responsabilidades". Para garantir o cumprimento da lei, a prefeitura vai fazer uma reforma administrativa com direcionamento para fiscalização do Código de Posturas.

Sem indústria e sem hotéis

Apesar de estar situado na região metropolitana de Natal, o pacato município de Extremoz tem pouco mais de 28 mil habitantes. A própria cidade mais parece um grande sítio próximo ao litoral que vê sua população praticamente triplicar no período de veraneio. São pessoas que moram em Natal e em outras cidades que vêm passar o veraneio nas praias de Redinha Nova, Santa Rita, Genipabu, Barra do Rio, Graçandu e Pitangui que pertencem ao município. Para o secretário Lisboa, o município tem vivido, nos últimos anos, uma grande transformação principalmente na construção civil.

Por outro lado, há muitos anos sofre com a falta de investimentos. Não há um grande comércio, não há rede hoteleira, não há indústria, apesar de o município possuir seis importantes praias e o parque industrial ser conhecido como de Extremoz e estar praticamente encrustrado no seu território. "Além disso, há muitos anos não se podia construir um tijolo em nenhuma residência nas áreas de preservação ambiental, impedindo investimentos na área deturismo e geração de emprego e crescimento na arrecadação", disse Lisboa. Ele informou que a Prefeitura destravou esse processo encaminhando lei exclusiva à Assembleia Legislativa que vai dotar Extremoz de condições de atrair novos investimentos.

Alguns artigos

"É vedado fazer a varredura do interior dos prédios, dos terrenos e dos veículos para a via pública#" (Art. 106)

"Não é permitido bater roupa e sacudir tapetes ou quaisquer outras peças nas janelas e portas que dão para o passeio público#" (Art. 107)

"Para preservar a higine pública, fica vedado conduzir para a área urbana, doentes portadores de moléstias infectocontagiosas, salvo com as necessárias precauções de higiene e para fins de tratamento". (Art. 10)

"Fica condicionada à prévia autorização da Prefeitura Municipal, a criação, alojamento e manutenção de animais de produção, no perímetro urbano do município". (Art.188)

"É proibido o comércio de animais nos logradouros públicos e nos demais bens de uso comum. (Art. 198)

DN


Nota do Blog: Conversando com alguns amigos do município de Extremoz a respeito da administração do Prefeito Klaus Rêgo, eles foram unânimes em dizer que é um fracasso total. Depois de umas medidas absurdas destas, acredito que seja a despedida melâncolica do jovem e inexperiente Prefeito.

7 comentários:

Ana Maria disse...

Procure ouvir o outro lado também.
A administração de Klaus é muito melhor do que a de Peixoto.

Esse negócio de experência é balela, Enilton tem experiência mas você sabe em que né?

Esse políticos tradicionais tem experiência em não fazer nada.

João André disse...

Nobre Ana, eu só transcrevi uma materia que está no DN on-line. A mim não interessa quem é melhor nem pior. Eu, igualmente a muitas pessoas ficamos "tontos" com essas medidas descabidas. Criar galinhas nobre Ana, no interior não é roby, é necessidade mesmo, e isto é centenário, não é do dia para a noite que você vai proibir criar galinhas e nem transportá-la de cabeça pra baixo. Vou ser honesto com você. Entre essas medidas de Klaus e não fazer nada, prefiro a segunda hipótese. Um abraço.

Anônimo disse...

São medidas de interesse da coletividade, você gostaria que seu vizinho, sem regulamentação nenhuma criasse 80 galinhas, e ainda por cima queimasse o lixo pra fumaça ir toda pra sua casa? ou varresse poeira do terreno no seu nariz? Sinceramente, acho todas essas medidas boas. A diferença, João, é que você não mora em Extremox.

João André disse...

Caro(a) Leitor(a), você tem noção de quantas residênciass são varridas por dia e não se tem notícia de que os vizinhos tenham passado mal por isso? Eu já criei mais de cem galinhas no meu quintal, e nunca nenhum vizinho foi parar num hospital por isso. Quanto a queima de lixo, supunho que seja por falta de coleta, o que já é culpa da Prefeitura. Mesmo assim, qual brasileiro não passou e passa por estas situações todos os dias? O que eu acho, é que tem tantas prioridades em Extremoz para o Prefeito resolver que são de mais utilidade para a população, que estas medidas irrelevantes. Seja sincera e me diga como vai a Educação, a segurança, a saúde, a coleta de lixo e o acesso as praias dentro do município de Extremoz. Vão bem? Estas são prioridades, e em nenhum município do Brasil estão funcionando 100%, por isso não acredito que em Extremoz seja diferente. Um abraço.

Anônimo disse...

São mais de 200 artigos e você só está julgando os 5 mais polêmicos.

João André disse...

Caro(a) Leitor(a), são estes que estão na matéria do DN on-line. Ficaria muito grato se me enviasse todos os artigos. Faria-mos uma avaliação mais abalisada. OK? Um abraço.

Anônimo disse...

Rapaz se essa DITADURA PEGAR!, o que será de Ceará-Mirim heim, peixoto vai mandar essa LEI DE DITADURA, CRIANDO FAIXA VERMELHA NA PORTA DE CASA, COMER AS SOBRAS DE COMIDA PRA NÃO VIRA LIXO, APROVEITAR OS FATOS DE GALINHA PRA NÃO APODRESSER, VARRER A CASA SÓ DIA DE DOMINGO E JOGAR A POEIRA DENTRO DA PRIVADA, AMARRAR OS BICOS DOS GALOS PRA NÃO FAZER COCORICO, ACABAR COM OS BLOGS (SÓ OS QUE FALAM DE CEARA-MIRIM (VIXI), TODO CIDADÃO VAI TOMAR 3 BANHO POR SEMANA PRA ECONOMIZAR AGUAR, RSRSRSRS SE ESSA MODA PEGAR, DO JEITO QUE PREFEITO COPIA OUTRO, E SABEMOS QUE OS DOIS SÃO MUI AMIGOS... AVE MARIA.