
Sentiria-me omissa, neste momento se não viesse até aqui com o uso daquilo que sei fazer: analisar, refletir e pensar. Aqui vemos um único evento que denuncia e nos faz refletir sobre vários outros colapsos administrativos.
Um acidente em uma das principais ruas da cidade de Ceará - Mirim, nos chama à atenção; o senhor acidentado, sem poder se movimentar, esparramado em um solo fervente e imundo, sofria fortes dores em toda a região abdominal e esperava por um socorro, por muito tempo pode contar apenas com a compaixão de moradores locais, que organizaram uma espécie de “tenda” para livrá-lo do impiedoso sol que se lança sobre aquela área.
A assistência médica, naquele momento, deixa de ser um direito do cidadão e dever do poder público. O socorro aqui toma forma de um milagre ou de um “favor”, talvez traduzido em “assistencialismo” e patriarcalismo. Substantivos tão bem conhecidos no nordeste brasileiro!
A busca pela assistência médica, a colaboração de todos em ligar foi admirável, muitos celulares e telefones residenciais empenhados em várias tentativas. A persistência foi vencedora, a SAMU atendeu ao chamado, uma hora após o ocorrido. A ambulância mais próxima estava na capital do estado, mais espera...
Onde estão as ferramentas públicas locais? O carro da polícia militar apareceu para dar um suporte, mas também se viu isolado diante da ineficácia de um sistema que “deveria” trabalhar em rede. A boa vontade dos funcionários da polícia militar diante da inoperância administrativa serviu apenas como armadilha contra a gestão local, não havia a possibilidade de contato com o hospital do município, o telefone estava “programado temporariamente para não receber ligações”, como afirmava a gravação da prestadora de serviços. O contexto revelou que naquele momento o único representante do poder público que apareceu ao local foi mero adorno, uma figura decorativa.
A partir desse cenário nos perguntamos se o hospital da cidade esta realmente sendo gerido de maneira coerente? O que tem sido feito com o dinheiro que o governo federal envia regularmente para o fomento do Hospital Doutor Percílio Alves? Ao abrirmos o Diário oficial da União fica evidente a quantidade de verbas federais enviadas ao município sobre a alegação de licitações e solicitações para compras de medicamentos, materiais hospitalares, manutenção e infra-estrutura da saúde local.
O serviço primordial em um hospital é ter um elo institucional com a população, que se faz pelos vários meios de comunicação. Como pedimos “socorro” aqui? Não há telefone fixo, móvel, e-mail ou qualquer outra maneira de contato que responda ao povo. O que é absurdo, afinal vivemos na era da comunicação. Já quase encerrando a primeira década do século XXI, a cidade ainda não tem um sistema de comunicação efetivo. Não conseguimos contato com o hospital da cidade.
Parece uma piada? Uma brincadeira de mau gosto? Por que não perguntamos se isso é piada ao senhor acidentado e esparramado no chão sujo da cidade. As mães que presenciam seus filhos gemerem de dor por falta de uma gestão efetiva na saúde municipal será que também acham isso apenas mais um “caso”? O lixo acumulado na cidade gerando mais patologias a uma população já carente e sem assistência médica é também um fato irônico?
As imagens não revelam só o abandono de um corpo no chão, um corpo relegado, um corpo de um trabalhador sem voz, mas revelam uma cidade sem ecologia em todos os aspectos, desde a falta de arborização até a sujeira nas calçadas. Sujeira, doença, precariedade, descaso e caos rondam a gestão de uma cidade que parece dormir em cima do abismo, sem perceber que a qualquer hora pode cair. A população estaziada parece continuar submetida a um sistema vertical de poder, que há muito teve fim.
Ao escolhermos um gestor para representar nossa sociedade, para falar por todos, estamos diante de um poder que se faz horizontalmente, com a participação de todos. Isso é uma sociedade democrática; as vozes são ouvidas. Entregamos a “nossa empresa”, a “nossa cidade”, a “nossa casa”, ou seja, entregamos Ceará- Mirim nas mãos de quem acreditamos que possa orientá-la de maneira favorável, adequada e coerente. Se isso não acontece, devemos mandar embora quem contratamos, quem elegemos, quem escolhemos para nos representar. Vamos à busca de outro gestor, simples assim! Prefeito em uma democracia nunca foi e nem será autoridade, um prefeito não é hierarquia perante a população, isso porque ele não esta gerindo uma empresa privada.
Elegemos alguém para falar em nosso nome, em nome da nossa cidade, em nome da população. Daí surge uma inquietação: - Mas em nome de quem o gestor da cidade esta falando? O que ou quem nosso prefeito esta representando? Ele vai apenas ao encontro de seus interesses e suas paixões?
Metaforicamente falando, é viável continuarmos aceitando alguém que empregamos para falir a nossa empresa? Você continuaria com esse funcionário em seu quadro, visto que ele não atende as necessidades para o qual foi contratado?
Acredito que a população de Ceará - Mirim deva urgentemente sair do estado de estase e entrar em êxtase, derrepente a situação muda! Pois tudo o que estamos presenciando é um grande absurdo!
Assumo aqui minha autoria,
Sylvana Marques!
4 comentários:
Parabéns Sylvana!
admiro muito sua pessoa.Tudo que você escreveu é a pura verdade. Entregamos nossa cidade a um forasteiro, que não sabe administrar a sua casa que é um mundo pequeno, quanto mais uma´prefeitura. Também ele era delegado, não administrava nada por isso é que a prefeitura esta do geito que está. Ate agora nada o prefeito fez, a não ser termina algumas obras deixada por dona Edinolia.E ourtas obras deixada por ela com a verba no banco e dizem que ela não deixou. Me engana que eu gosto.Ai um babão do prefeito veio com uma converça que a firma que tomava conta dessa obra faliu. Tá pensado que o povo é besta e engole tudo isso.Esperi 2012 vem ai.
Na campanha municipal de 2008, o competente profissional da locução, Lúcio Som, a exemplo de inúmeras campanhas que já fez, criou um chavão muito usado nas passeatas de Peixoto, que foi "É UM DESMANTELO DESMANTELADO", isso por conta da grande presença popular que era um verdadeiro fenômeno. E quando começava as passeatas ao som de musicas especialmente escolhidas pelo profissional para incentivar a todos a dançarem, ele gritava a plenos pulmões, "E EU ACHO É POUCO". O povão delirava, dançando, pulando esbanjando alegria pela vitória antecipada. Não sabia Lúcio, que com sua criatividade estava prognosticando, um verdadeiro caos para nossa cidade. Peixoto traiu a nossa confiança, traiu sua própria historia. Transformou uma vitória tão bonita num "DESMANTELO DESMANTELADO" de incompetência administrativa, com auxiliares desqualificados para função e que a oposição grita "EU ACHO É POUCO". PARABÉNS LÚCIO PELO PROFISSIONAL QUE É, PELA SUA CRIATIVIDADE, PELA SUA DEDICAÇÃO EM SEU TRABALHO. Sabemos que você fez de tudo para abrilhantar o nosso candidato a ter sucesso em sua missão, que foi de ser um bom prefeito e corresponder a confiança do povo que nele votou e fazer um bom governo. Você perdeu, todos nos perdemos. Fora Peixoto.
Sinceramente sobre essa atuação eu acho deprimente. Não acho que o povo tenha sido "ignorante" ou que tenham "votado errado" acho simplesmente que as pessoas almejaram MELHORAS, acreditaram em algo que pudesse superar, mudar, incrementar... Afinal acompanhamos em todo o país uma grande ascensão econômica, ou seja é normal um otimismo e a crença. Corroborando com a pessoa que escreveu à cima, é realmente triste que um crédito tão grande virou um grande calote. Calote dado na confiança, calote dado na crença, nas expectativas, nos valores das pessoas que acreditaram. A POPULAÇÃO PODE SER E DEVE SER FORTE. NÃO EXISTE LADO A OU B, EXISTE UMA CIDADE ONDE TODOS QUE VIVEM SÃO ENVOLVIDOS E RESPONSÁVEIS CADA UM PELA MELHORA DESSA CIDADE. MOSTREM FORÇA! ISSO NÃO AUMENTARÁ A FORÇA DO POVO SÓ NESSE GOVERNO, SERVIRÁ DE EXEMPLO PARA QUE OUTROS GOVERNANTES SAIBAM QUE O MESMO PODER QUE TEMOS DE COLOCAR TEMOS DE TIRAR. Alertará futuros pretensos a essa cadeira que isso aí não é empresinha de ninguém p brincar 4 anos de "gestor" é uma administração pública passageira e que será cobrada. Quem está lá é porque se propos a falar em nome de todos e a defender os interesses de todo. Vamos pensar nisso. Ok? Vamos extinguir as arrogancias e pensar que o bem da cidade nao deve ser só de alguns e sim o bem geral!
Sinto-me envergonhada com essas coisas. Num mundo dito "civilizado", este tipo de atrocidade com o ser humano não deveria mais acontecer, nós temos direitos e deveres, porque só nos são cobrados os deveres? Se não pagarmos os impostos corretamente somos punidos severamente e numa rapidez inacreditável, porque que, com os nossos direitos não acontece a mesma coisa? Dois pesos e duas medidas, vergonhoso. Não sei se felizmente ou infelizmente, temos o poder de mudar o comando desse barco que tende a naufragar, um bom capitão saberia com certeza, guia-lo, mas chegamos num estágio que não podemos confiar em mais ninguem, me sinto de mãos atadas, tenho medo do futuro, mas tenho esperança, o que nos resta é abrirmos os olhos, e pensarmos muito bem antes de eleger as pessoas que irão ter o poder na mão. Fico aqui indignada e torcendo que o futuro seja melhor.
Isabelle Azevedo
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