segunda-feira, 20 de julho de 2020

RN: POR AÇÕES DE IRRESPONSÁVEIS GOVERNO PENSA EM ENDURECER REGRAS DE ISOLAMENTO

Governo do RN pode voltar a endurecer regras de isolamento, diz vice-governador sobre aglomerações

Vice-governador do RN, Antenor Roberto — Foto: Reprodução
"A permanecer essa conduta, nós vamos ter o mesmo destino das capitais vizinhas, que estados vizinhos tiveram, que é o chamado efeito sanfona. A governadora já disse que se voltarmos a índices de periculosidade da incapacidade dos leitos suportarem a pressão, ela não titubeará em voltar a proclamar novo endurecimento de regras", afirmou o vice-governador do Rio Grande do Norte, Antenor Roberto, sobre a possibilidade de crescimento no número de infectados por Covid-10 ao longo dos próximos 15 dias no estado.

Durante o fim de semana, aglomerações foram registradas em várias áreas de orla marítima de Natal e do interior do estado. Na praia de Ponta Negra, a Polícia Militar dispersou uma multidão que realizava uma festa no calçadão, no final da tarde deste domingo (19). Nesta segunda (20), o governo subiu o tom e também cobrou fiscalização por parte das prefeituras.

"Depois de todo esse esforço feito, esse comportamento em sociedade nos impressiona por falta de empatia. Quantos profissionais de saúde, da segurança pública já se sacrificaram. É uma atitude de muito pouco compromisso com o próximo. Essa conduta social de não respeitar as regras merece toda nossa repulsa e indignação. E as prefeituras que anteciparam decretos para reabertura dos comércios, as prefeituras que foram à Justiça dizer que era delas a competência sobra a orla marítima, sobre transporte coletivo, e horário de comércio, onde estão essas prefeituras?", questionou o vice-governador.

De acordo com Antenor Roberto, os municípios que não podem usar o argumento de baixo número de efetivo de guardas municipais e funcionários do Procon para justificar a ausência de fiscalização porque "há meses" o estado propõe ações conjuntas através do programa Pacto Pela Vida, com apoio das forças de segurança às secretarias municipais.

As aglomerações foram o tema central, nesta segunda (20), na entrevista coletiva realizada diariamente pelo governo sobre o combate ao coronavírus. De acordo com Alessandra Lucchesi, subcoordenadora de Vigilância, da Secretaria Estadual de Saúde, o estado vive um momento com tendência de queda da incidência da doença, mas o efeito pode ser revertido com as aglomerações.

"Com esse número de pessoas desprotegidas, expostas, o risco de contágio aumenta. Não necessariamente o contágio vai acontecer, mas o risco de transmissão é muito maior. Se as aglomerações começam a ter uma frequência maior, infelizmente, a tendência é que daqui a uns 15 dias a gente venha perceber novamente um aumento de casos. O efeito dessas aglomerações tendem a se apresentar de maneira mais expressiva no cenário nos próximos 15 dias", reforçou ela durante a entrevista.

O secretário de Segurança do Estado, Francisco Araújo, afirmou que a Polícia Militar dispersou a aglomeração na praia de Ponta Negra, após a festa ter sido flagradas pelas câmeras de monitoramento da região. Apesar disso ninguém foi detido ou multado por descumprir as medidas de distanciamento e uso de máscaras. De acordo com ele, a fiscalização cabe à prefeituras e as forças de segurança do estado estão à disposição das secretarias municipais.

Responsável pelo programa Pacto Pela Vida, o secretário de Relações Institucionais, Fernando Mineiro também cobrou ação das prefeituras e entidades empresariais. "Nós precisamos manter os protocolos para que não haja retrocesso no processo de reabertura das atividades econômicas. E é preocupante a gente assistir várias pessoas com aglomerações. Ontem [domingo, 19] ficou claro que a política de distanciamento social precisa voltar a funcionar e por isso o governo vem fazer um alerta tanto para as prefeituras como aos setores empresariais para manter os protocolos em dia", declarou.

"Não é porque está havendo um processo de retomada da economia que nós podemos dizer que a pandemia está controlada. Não está controlada. É preciso ter todos os cuidados, mais do que nunca, para que não haja retrocesso", acrescentou Mineiro.

Retomada econômica

Para a próxima quarta-feira (22) é prevista a reabertura de shoppings, centros comerciais e galerias de lojas desde que sem ar-condicionado, dentro da segunda fração da segunda etapa da reabertura gradual da economia. Também poderão abrir estabelecimentos com tamanho superior a 600 m² com “porta para a rua”.

O processo de reabertura começou no dia 1º de julho e foi interrompido na segunda semana do mês porque as metas de disponibilidade de leitos estabelecida pelo governo não tinham sido cumpridas. O plano foi retomado no dia 15 com a reabertura dos estabelecimentos previstos na segunda fração da primeira etapa e na primeira fração da segunda etapa de reabertura.

Um dos critérios analisados pelo governo é a ocupação dos leitos de UTI voltados para pacientes de Covid-19. A taxa estava acima de 86% na manhã desta segunda (20), quando o "nível de segurança" para o poder Executivo é de 80%.

G1

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