segunda-feira, 13 de julho de 2020

ISOLAMENTO SOCIAL E OS IMPACTOS PARA A SAÚDE MENTAL

Incerteza sobre isolamento social traz impactos para a saúde mental

Coronavírus: como manter a saúde mental em meio ao isolamento ...Municípios de Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco e também o Distrito Federal precisaram recuar em seus processos de reabertura após observar que a liberação de serviços não essenciais gerou aglomerações. Especialistas apontam, com preocupação, a possibilidade de um novo endurecimento das medidas de distanciamento, caso os números de contaminações e óbitos pela Covid-19 subam nas próximas semanas.

A necessidade de voltar atrás não aconteceu só no Brasil, que passou de 72 mil mortos pela Covid-19 no último domingo, mas em outros países, como China e Estados Unidos. O processo de abre e fecha pode causar ainda mais confusão na população, que já está sofrendo os impactos mentais de viver sob confinamento por quatro meses.

Até ontem, o país contava 1.866.176 infectados e 72.151 mortos pelo coronavírus, segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo.

Estudos realizados no Brasil e em várias partes do mundo indicam o aumento do nível de ansiedade como o principal efeito da quarentena sobre a saúde mental. Uma linha telefônica de emergência para pessoas em sofrimento emocional registrou aumento de mais de 1.000% em abril em comparação ao mesmo período do ano passado, nos EUA, segundo o Washington Post.

— Toda situação nova representa um tipo de estresse. No início da pandemia tudo era muito novo, as incertezas eram maiores. A falta de adaptação é o que leva a transtornos mentais, a esse excesso de ansiedade. Existe também a questão das diferenças individuais, algumas pessoas sofrem muito, e outras não sofrem nada. As pessoas que têm uma capacidade maior de se ajustar a novas situações provavelmente vão sofrer menos os impactos mentais da pandemia — afirma Deborah Suchecki, professora do departamento de Psicobiologia da Unifesp.

Falta de coordenação

Especialistas em saúde mental ouvidos pelo GLOBO foram unânimes em apontar a falta de uma coordenação nacional de combate ao novo coronavírus como um dos principais motivos que levaram as pessoas a se sentirem confusas com a possibilidade de reabertura.

No Brasil, cada estado e município pode decidir como combater a pandemia. A falta de uma diretriz federal fez com que regiões entrassem e saíssem da quarentena em momentos diferentes. As recomendações de saúde, muitas vezes contraditórias, criam ainda mais incerteza.

— Informações conflitantes podem gerar um estado de desamparo nas pessoas, fazendo com que não confiem mais nas notícias oficiais. Isso é algo que prejudica muito a orientação da população. Se existisse um processo mais ordenado de comunicação do governo, provavelmente as pessoas teriam mais segurança ao buscar informações para orientar seus próprios comportamentos e medidas de proteção. Essa descoordenação pode ter impacto de aumento eventual de ansiedade, principalmente por conta da incerteza em relação ao enfrentamento da doença no retorno às atividades normais — pondera Ronaldo Pilati, professor de Psicologia Social da UnB.

O GLOBO

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