segunda-feira, 23 de março de 2020

ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO NÃO TRANSMITEM CORONAVÍRUS - GARANTEM ESPECIALISTAS

Especialistas garantem que animais de estimação não transmitem coronavírus

Alessandra Correia tem um hotelzinho para cachorros e adota cuidados básicos com os animais desde o início da pandemia do coronavírusNos quintais ou nas varandas, em casas ou apartamentos, quase 140 milhões de animais de estimação dividem espaço com seus donos em todo o país, conforme dados do IBGE. E em tempos de tantas incertezas causadas pela pandemia do coronavírus, a preocupação não poderia ser diferente: os pets podem transmitir ou serem contaminados pela doença?

A virologista e professora da Escola de Veterinária da UFMG, Érica Costa, explica que não há probabilidade. "Lidamos com uma doença em tempo real, mas pesquisas mostram que os animais, como cachorros e gatos, são assintomáticos. Inclusive teve um caso de um cão que foi colocado em quarentena junto com um idoso diagnosticado com coronavírus, bem no início da pandemia. E todos os testes para o vírus deram negativo", comenta.

Já a veterinária Lucíola de Almeida lembra que há um vírus presente na mesma família do Covid-19 que afetam os animais. "Mas não é o mesmo que circula atualmente no mundo. Nos cães, por exemplo, ele provoca sintomas até 36 horas depois da contaminação, que vão desde febre, vômito e tremores, até uma forte diarréia", afirma.

De acordo com a especialista, há uma vacina que deve ser dada ao animal aos 45 dias de vida e que protege contra a doença. E mesmo sem risco, veterinários recomendam uma série de cuidados básicos com o animal durante o surto de coronavírus.

Restrição de passeios

Lucíola de Almeida conta que, assim como a população, os animais devem fazer isolamento social. "Os tutores devem evitar levar o animal para banhos e tosas nos pet shops e deixá-los mais reclusos em casa, evitando até os passeios na rua. Caso o cão ou gato precise de atendimento veterinário, só vá até a clínica se for um caso grave e mesmo assim evite aglomerações", aconselha.

Com uma shitzo de 14 anos em casa, Edenice Bueno, de 58 anos, redobrou os cuidados com a higiene. "Não entramos em casa de calçado, já que a Juliana [a cachorrinha] fica sempre no chão. E também não passamos a mão antes de lavar muito bem. Só depois disso tudo é que brincamos com ela. Os recipientes de comida e tapetes onde ela dorme também são lavados mais vezes que o comum", relata.

Proprietária de um hotel para cachorros no bairro Dona Clara, na Pampulha, Alessandra Paula Correia, 49, também está cautelosa. Além de reduzir os passeios na rua ou em praças públicas, a empresária ampliou a rotina de limpeza no espaço. "Quando vou passear com os cães, faço bem rápido e assim que chego higienizo as patinhas. Inclusive os pais de deles estão impossibilitados de voltarem da Filipinas por conta do coronavírus", comenta.

Contato menor

A virologista veterinária Érica Costa trouxe um alerta para quem estiver com os sintomas da doença ou com problemas respiratórios. "Evite ficar em contato com o animal e, se for possível, peça para outra pessoa da família cuidar. Caso não consiga, lave sempre bem as mãos quando for cuidar do pet, use a máscara e não deixe o cão ou gato lamber boca, nariz e outras partes do rosto. São medidas de prevenção e controle", enfatiza.

Além de seguir todas as sugestões, a especialista pede para os donos dos animais se atentarem às fake news sobre o coronavírus. "Há relatos de pessoas que estão aplicando em si mesmas vacinas para cães que protege contra o coronavírus canino, que é diferente do atual que circula no mundo. Isso pode causar uma reação alérgica e terminar em complicações", finaliza.

O Tempo

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