sábado, 14 de dezembro de 2019

O RECADO DA INGLATERRA NAS ELEIÇÕES - POR J. R. GUZZO

O recado da Inglaterra nas eleições: não aguentamos mais

Reprodução/InstagramOnde foi parar a “diferença mínima” que existia entre direita e esquerda na Inglaterra, nas eleições que finalmente decidiram onde está a verdadeira maioria do povo britânico? Foi para o espaço.

Foi para o espaço porque nunca existiu na vida real. Abertas as urnas e contatos os votos, o Partido Conservador e seu líder que tira o sono dos esquerdistas de matiz “liberal-democrática-centrista-etc.”, Boris Jonhson conseguiram, pura e simplesmente, a maior vitória sobre os seus rivais do Partido Trabalhista desde que Margaret Thatcher explodiu na cena britânica e mundial, com seus monumentais triunfos em 1983 e 1987 – portentos, como se veria depois, que teriam um papel decisivo no terremoto político que mudou o mundo para sempre.


Os conservadores conseguiram, com Johnson, maioria absoluta no Parlamento e poderão governar sem pedir apoio a ninguém – ficaram com 364 cadeiras de um total de 650. Pior ainda, para os adversários: tiveram 47 deputados a mais que nas últimas eleições, em 2017, enquanto o Partido Trabalhista ficou com 59 a menos.

Os grupos que ficam entre ambos, enfim, viraram farinha. Se isso não é um massacre eleitoral, e não mostra com clareza o que o eleitorado realmente quer – não o que a mídia diz – então é preciso encontrar uma outra palavra no dicionário para descrever o que aconteceu.

Boris Johnson, que pode não ser um Jair Bolsonaro, mas desperta nas classes intelectuais da Inglaterra os mesmos “instintos mais primitivos” que nosso presidente faz aparecer entre seus adversários daqui, vai cumprir o mandado principal que recebeu da grande maioria dos cidadãos britânicos – abandonar a Comunidade Europeia e voltar a cuidar da sua própria vida. Decisão errada? É o que se ouve há anos seguidos em todas as plataformas. O tempo dirá, como sempre – mas, certo ou errado, é isso que a Inglaterra quer.

Não é só a saída – o “Brexit”. Os britânicos estão dizendo que não aguentam mais pagar a conta que o centro-liberal-moderado, etc., etc. da Europa quer que eles paguem.

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