Peru vai às urnas em pleito que tem 35 candidatos à Presidência
O Peru vota, neste domingo (12), em eleições gerais para escolher as autoridades nacionais para o período 2026-2031, com uma oferta de 35 candidatos à Presidência – a mais ampla da história do país -, que acumula uma década de instabilidade política, com um total de oito mandatários nos últimos dez anos.
Desde às 7h da manhã (horário local, 9h de Brasília), começaram a abrir os 10.336 centros de votação instalados em território peruano, que receberão eleitores ao longo de dez horas, até às 17h (19h), momento em que as urnas serão fechadas e terá início uma apuração que deve ser lenta e pode demorar vários dias até apresentar resultados conclusivos.
Nestas eleições, mais de 27,3 milhões de peruanos estão convocados às urnas, entre eles cerca de 1,2 milhão no exterior, com grandes concentrações em Buenos Aires (115.097), Santiago do Chile (113.887), Madri (105.493) e Barcelona (79.606).
Ao chegar à cabine de votação, os peruanos se deparam com uma cédula enorme que inclui cinco eleições simultâneas: presidente, senadores nacionais, senadores regionais, deputados e representantes para o Parlamento Andino.
Devido à fragmentação dos votos entre os 35 candidatos na disputa, todas as pesquisas antecipam, quase com total segurança, um segundo turno entre os dois candidatos mais votados, cujos nomes são uma incerteza, dado que muitos peruanos decidirão seu voto no último minuto.
Entre os candidatos com maiores chances de passar ao segundo turno figuram a direitista Keiko Fujimori (Força Popular), filha e herdeira política do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), após ter perdido no segundo turno as três eleições presidenciais anteriores.
Também têm chances de avançar ao segundo turno o populista Ricardo Belmont (Obras), empresário de 80 anos e ex-prefeito de Lima (1990-1995); e o empresário ultraconservador Rafael López Aliaga (Renovação Popular), também ex-prefeito da capital peruana (2023-2025) e com um estilo semelhante ao do presidente americano Donald Trump.
Da mesma forma, tem probabilidades o comediante Carlos Álvarez (País Para Todos), uma figura da televisão peruana que se dedicou por mais de três décadas a imitar políticos e agora decidiu dar o salto para a arena política com um projeto de direita, em um caso que remete ao do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.
Após estas eleições, o Peru voltará a ter, depois de mais de 30 anos, um Parlamento bicameral com 60 senadores e 130 deputados, apesar de os peruanos terem votado contra isso em um referendo em 2018, onde o ‘Não’ à existência de duas câmaras venceu com 90,5% dos votos válidos.
O desenrolar do pleito será acompanhado por um total de 487 observadores credenciados para este processo, entre eles as missões de observação da União Europeia (UE), com mais de 150 especialistas destacados no país, e da Organização dos Estados Americanos (OEA), com 96 integrantes.
No Peru, o voto é obrigatório para pessoas entre 18 e 64 anos, sob pena de multa que varia de 27,50 a 110 soles (entre R$ 40 e R$ 160), conforme a condição econômica do eleitor.
Uma das principais novidades nestas eleições, motivada pelas denúncias de fraude sem provas realizadas na eleição anterior por Fujimori, é que os votos serão guardados até a proclamação dos resultados, para que possam ser recontados em caso de impugnações de atas, o que obrigará a custódia de 453 toneladas de cédulas, incluindo as do exterior.
Agência EFE

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