terça-feira, 4 de agosto de 2020

NÃO 'COISE' NA FRENTE DOS FILHOS, PODE CAUSAR CONFUSÕES PROFUNDAS PARA OS MENORES

Presenciar cena de sexo dos pais pode provocar traumas

Como agir quando os filhos se deparam com uma cena de sexo dos pais? Pode causar traumas? A sexualidade dos pais costuma ser um assunto pouco digerível para alguns, inclusive para os próprios adultos que, muitas vezes, não sabem como falar sobre isso com os filhos.

Especialistas da sexologia e psicanálise declaram que presenciar a cena pode trazer confusões profundas para os menores, mesmo aqueles que sabem do que se trata.

A sexóloga cristã Aryanne Marques esclareceu ao Pleno.News sobre os problemas que podem ocorrer.

– Toda imagem ou som de forte impacto emocional, algo novo que a nossa memória não reconhece como algo comum e natural vai gerar um registro emocional. Vai ficar na memória afetiva da pessoa um registro de impacto. A maioria das crianças que presencia atos sexuais fica com o registro, normalmente, de que uma pessoa estava batendo na outra, agredindo, machucando… Os gemidos e sons da relação sexual não são registros positivos para uma criança, tendo em vista que ela não entende o que é um prazer sexual, e nem deve saber – declarou.

EFEITO PSICOLÓGICO

Em uma live nas redes sociais, a psicanalista Suzana Barroso conta que outra dificuldade das crianças em lidar com cenas de sexo é não entender se aquilo tem relação com ela.

– A exposição da vida sexual do outro que possa gerar na criança a fantasia de que ela é objeto daquilo ali em alguma medida é algo muito traumático. Qualquer exposição excessiva em que a criança se vê na posição de objeto vai entrar na dimensão do excesso e do insuportável – declarou.

E OS ADOLESCENTES?

A jovem Larissa*, de 22 anos, falou com o Pleno.News que, quando pré-adolescente, ouviu os pais e achou que a mãe estava sendo vítima de violência doméstica. Ela conversou com a mãe na manhã seguinte perguntando se o pai havia batido nela.

– Eu devia ter uns 10 anos e, de noite, eu estava no meu quarto e ainda não tinha dormido. Então, comecei a escutar gemidos e fiquei desesperada porque não sabia o que era que estava acontecendo. Na hora eu não pensei que poderia ser sexo e, então, coloquei meu ouvido na porta para saber o que era. Escutei mais gemidos, fiquei com medo, mas voltei para o meu quarto. No dia seguinte, perguntei para a minha mãe se meu pai estava batendo nela. Ela começou a rir e foi isso, não me contou o que era, mas nessa hora eu entendi que não era agressão – declarou.

Mariana, de 20 anos, lembra uma vez em que, adolescente, presenciou a cena. Ao portal, ela relatou que, apesar de o acontecimento ter se tornado uma piada na família, na época sentiu muito constrangimento e que “foi horrível”.

– Outras vezes, eu já tinha escutado, já sabia o que estava acontecendo, colocava o fone de ouvido e aumentava o volume. Mas uma vez, numa tarde de domingo, eu estava mexendo no computador e meus pais foram para o quarto dormir, aparentemente. Aí eu resolvi dormir, mas fui para a cama dos meus pais, tinha uns 14 anos. E aí abri a porta do quarto, que não estava trancada, e vi a cena! Dei o maior gritão, fechei a porta e não falei mais com a minha mãe naquele dia. Ficava evitando os dois porque estava com muita vergonha. No dia seguinte, ela veio falar comigo e não parava de rir. Mas não falamos sobre aquilo. Foi horrível – relatou.

COMO CONVERSAR SOBRE O ASSUNTO?

As duas histórias, segundo a sexóloga, ilustram a dificuldade dos pais em conversar abertamente sobre sexualidade com os filhos.

– Os adolescentes que já entendem o que é sexo vão fazer o registro daquele flagra como o que é, mas também depende do que ele pensa sobre o sexo. Alguns podem achar que é um abuso, uma agressão ou um momento de apenas prazer. Por isso, é importante a família tratar sobre o assunto com os adolescentes, porque escutam e sabem o que é através do colégio, internet e amizades. Agora, o adolescente que tem uma boa visão do sexo, de forma saudável e positiva, consegue encara aquilo como um momento de intimidade dos pais, quando escutar – afirmou.

Aryanne também explicou que, para falar de sexo com os filhos, o adulto precisa ter boa informação e uma boa visão sobre o assunto antes de tudo.

– Deve ser em um ambiente seguro, sem agressividade, sem ameaças, tratando com o máximo de naturalidade e calma. E gerando um ambiente de confiança, estreitando laços da comunhão. O mais seguro é esperar que a criança pergunte. Mas se ela passou ali dos 12 ou 13 anos e nunca tocou no assunto, é importante que o pai ou a mãe avaliem se a criança tem um comportamento infantil ou mais adolescente e, dependendo do que observar, a chame para uma conversa sobre o assunto. Pode marcar para tomar um lanche na mesa e falar sobre o assunto ou pode usar algum estímulo (como a história de alguém que ficou grávida ou um filme em que há a insinuação de uma cena de sexo) para começar a conversa – opinou.

pleno.news

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