quarta-feira, 10 de junho de 2020

NATAL: VÂNDALISMO - MURAL SOBRE MOVIMENTO NEGRO É APAGADO

Mural de artistas potiguares sobre movimento negro é apagado em Natal


Mural do movimento negro pintado por artistas potiguares — Foto: CedidaUm mural que ilustrava a luta do movimento negro e foi pintado por seis artistas potiguares na Cidade Alta, em Natal, foi apagado na última segunda-feira (8). A arte tinha 20 metros de extensão e ficava em um muro na Avenida Deodoro da Fonseca, uma das mais movimentadas da capital potiguar.

Os seis artistas levaram dois dias para a criação da arte, que ficou pronta no sábado passado (6). Na noite de segunda-feira, eles foram informados que uma tinta branca havia sido passada por cima do mural.

Mural foi praticamente todo apagado
Um dos criadores, que prefere não se identificar, explica que o grupo de pintores não vai buscar personificar o responsável pelo desmanche da obra. Mais importante que isso, conta ele, é mostrar o que esse ato representa.

"O que a gente quer tirar dessa atrocidade é expor essa ideia de que quem cometeu isso faz parte de um grupo que não aceita a divergência. Eles não toleram a diferença. O que eles não concordam, eles tentam apagar", falou.

Apenas uma parte do mural foi deixada. "A única parte que não foi apagada foi algo que eles consideraram esteticamente agradável pra eles. Mas que foi tirada completamente do contexto".

A obra continha mensagens e personagens importantes da luta histórica do movimento negro, como Malcolm X, Martin Luther King, Nelson Mandela e Bob Marley. Ainda trazia referências a potiguares e a símbolos da luta nacional, como Marielle Franco, além de homenagear negros que recentemente se tornaram vítimas da violência como João Pedro, de 14 anos, morto em uma operação no Complexo do Salgueiro, no Rio de Janeiro, em maio.

Mural criado por artistas potiguares foi apagado — Foto: Cedida
A ideia de criar o mural neste momento foi motivada pela recente onda de movimentos antirracistas e antifascistas que acontece nos Estados Unidos e no mundo após a morte de George Floyd. "Com essa onda de violência contra o povo negro, essa ascensão da censura, decidimos expor nosso posicionamento", explicou um dos autores, que preferiu não se identificar.

"Somos colegas de trabalho, que fazemos eventos de grafite juntos. Somos pessoas diferentes, com pensamentos diferentes e posições políticas diferentes, mas que estamos unidos nessa pauta".


G1

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