segunda-feira, 13 de maio de 2019

PGR: A ARGENTINA OBSTRUIU A LAVA JATO

Autoridades da Argentina obstruíram Lava Jato, diz PGR

A procuradora-geral da República Raquel Dodge Foto: Jorge William / Agência O GloboA Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que autoridades públicas da Argentina obstruíram um inquérito da Operação Lava-Jato em andamento no Brasil, ao criar dificuldades para a tomada de depoimentos de cidadãos argentinos suspeitos de crimes relacionados à Petrobras. A manifestação sigilosa foi assinada pela procuradora-geral Raquel Dodge no último dia 4 de abril e enviada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin. Nela, a PGR classificou o caso de “embaraço nos atos de cooperação jurídica internacional” e apontou que os personagens “preferem se escudar em embaraços de ordem procedimental”.


O caso envolve suspeitas de pagamentos de propina ao ex-diretor da estatal Nestor Cerveró, a políticos do antigo PMDB e a autoridades argentinas por conta da venda da participação da Petrobras em uma empresa argentina, a Transener, no ano de 2007. A Polícia Federal enviou o primeiro pedido de cooperação internacional ao país vizinho em maio de 2016, solicitando a tomada de depoimentos de dois personagens que atuaram no caso: o advogado Roberto Dromi e o empresário Gerardo Ferreyra. A PF, porém, obteve respostas evasivas tanto do Ministério Público como da Justiça do país vizinho e os depoimentos nunca foram colhidos.

Por causa dessa dificuldade, Dodge solicitou a Fachin o arquivamento do inquérito, argumentando que os personagens argentinos poderiam ter dado informações úteis para esclarecer o caso, mas que a recusa das autoridades prejudicou a apuração. “Não há notícias da colheita dos referidos depoimentos, havendo, ao contrário, a documentação de recusa das autoridades argentinas e a ausência de superação dos entraves apresentados para a diligência”, escreveu no documento.

Época

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