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28/09/2026

REFLEXO DA QUEDA DE MORAES: CASAMENTO DO FILHO FOI ESVAZIADO

Casamento esvaziado do filho de Moraes é reflexo da “queda” do magistrado

Um fracasso de ‘público’ o casamento de Alexandre Barci de Moraes, filho do ministro Alexandre de Moraes. Em outros tempos, seria fatalmente um evento concorridíssimo. Presentemente, muita gente se esquivando de demonstrar qualquer tipo de relação com o magistrado.

Assim, o casamento do filho do ministro do, realizado em São Paulo, no sábado (26), teve ausência de diversos políticos e também de ministros da corte.

Envolvido na crise do Banco Master e nas mensagens com Daniel Vorcaro, o magistrado contou com a presença de apenas dois dos dez colegas do STF: o decano Gilmar Mendes e Flávio Dino, seus parceiros fiéis.

Entre os políticos, compareceram o ex-presidente Michel Temer, responsável pela indicação de Moraes ao STF, e o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Também esteve presente o seu quarto parceiro, o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet.

A festa foi muito ruim para Moraes. Deixou evidente sua decadência e abandono.

JCO

27/09/2026

CASAMENTO REÚNE O QUE TEM DE MAIS PODRE NO JUDICIÁRIO BRASILEIRO

Casamento do filho de Moraes reúne Gilmar, Dino, Gonet e ministros do STJ

O ministro Alexandre de Moraes reuniu colegas do STF, magistrados de outros tribunais superiores e autoridades do Ministério Público durante o casamento de seu filho, no sábado (26/9), em São Paulo.

Do Supremo, marcaram presença ao menos dois ministros: Gilmar Mendes, atual decano da Corte, e Flávio Dino. Ambos costumam atuar de forma alinhada a Moraes nas sessões do tribunal.

Outro que prestigiou a festa foi o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo relatos, Gonet parecia “abatido”, após ter seus contatos com o banqueiro Daniel Vorcaro expostos nos últimos dias.

O casamento também contou com a presença de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Entre eles, o atual presidente, Luís Felipe Salomão, e Benedito Gonçalves, corregedor nacional de Justiça.

Filho de Moraes, com a advogada Viviane Barci, Alexandre Barci de Moraes se casou com uma moça chamada Thaís. Não há detalhes do sobrenome da agora nora do ministro do Supremo.

O casamento aconteceu na Casa Fasano, um dos espaços de festas mais luxuosos da capital paulista. A cerimônia foi celebrada pelo ex-deputado e ex-vereador Gabriel Chalita, amigo de Moraes.

A festa aconteceu sob um forte esquema de segurança, inclusive com bloqueio de vias. O objetivo foi evitar protestos contra o ministro do STF, que se viu dragado para o Caso Master nos últimos meses.

Metrópole

A DITADURA NO BRASIL NÃO TOMA MAIS 51. ELA USA TOGA! - VÍDEO

Homem tem celular derrubado por segurança do casamento do filho de Alexandre de Moraes após reclamar de rua interditada



O empresário Gabriel Rocha Kanner relatou nas redes sociais ter sido agredido neste sábado (26) por um dos homens que fazem a segurança do local onde ocorre o casamento de Alexandre Barci de Moraes, filho do ministro do STF Alexandre de Moraes, no bairro Cidade Jardim, em São Paulo.

Segundo Gabriel, ele voltava para casa quando encontrou o acesso bloqueado. A ciclovia às margens do Rio Pinheiros está interditada desde a tarde de sexta-feira (25) por causa do evento.

O empresário afirmou que desceu do veículo e começou a filmar a rua após descobrir que o bloqueio estava relacionado ao casamento. No vídeo, um dos homens responsáveis pela segurança derruba o celular da mão dele.

“Diversos policiais e seguranças me mandaram voltar, mas eu teria que dar uma volta enorme pra chegar em casa. Aí que fui entender. Fecharam a rua para os cidadãos comuns por causa do casamento do filho do Alexandre de Moraes. Então eu desci, comecei a filmar a situação e o segurança veio me agredir”, escreveu Gabriel.

O casamento ocorre na Casa Fasano e conta com policiamento reforçado. Equipes da Polícia Judiciária, Polícia Civil e Polícia Militar fazem a segurança do evento e da chegada dos convidados.

Com informações do Metrópoles

23/09/2026

O ESQUEMA É PESADO...

Advogado de Vorcaro propôs “salvar” Moraes da Lei Magnitsky

Dois dias após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ser incluído na lista de pessoas atingidas pela Lei Magnitsky, o advogado Walfrido Warde, que defendeu Daniel Vorcaro até janeiro de 2025, apresentou ao ex-banqueiro uma proposta para tentar retirar o magistrado das sanções impostas pelos Estados Unidos.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro, divulgadas pelo jornal O Globo, mostram que Warde classificou sua iniciativa como uma “estratégia matadora” e disse querer ajudar o que chamou de “amigo” Moraes.

Em 1º de agosto de 2025, Warde sugeriu recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos, sustentando que o governo de Donald Trump estaria utilizando a legislação e os poderes presidenciais para pressionar um ministro do STF e, segundo o argumento apresentado pelo advogado, favorecer a eleição de Jair Bolsonaro em 2026.

– Acho que nós deveríamos ajudar na defesa do seu amigo Alexandre lá nos EUA – escreveu Warde a Vorcaro, acrescentando que tinha relações e uma estratégia para atuar na Corte.

O ex-banqueiro respondeu que conversaria com Moraes. Na sequência, o advogado afirmou que não buscava qualquer contrapartida e que pretendia apenas ajudar.

A Lei Magnitsky é uma norma usada pelos Estados Unidos para impor sanções a estrangeiros acusados de corrupção ou de envolvimento em violações de direitos humanos. Foi criada durante o governo de Barack Obama.

Moraes permaneceu sob as sanções por cerca de seis meses e deixou a lista em dezembro de 2025, durante um período de reaproximação entre os governos brasileiro e americano.

A relação entre Moraes e Vorcaro também aparece em uma investigação que pode ser analisada pelo plenário do STF. A discussão está suspensa após pedido de vista do ministro Flávio Dino, que interrompeu o julgamento sobre a validade de um relatório da Polícia Federal apontando a existência de 52 mensagens trocadas entre os dois.

pleno.news

21/09/2026

A PANELA NÃO ESTÁ MAIS AGUENTANDO PRESSÃO

Moraes se declara impedido em ação que envolve esposa e Vorcaro

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), se declarou impedido nesta segunda-feira (21) para relatar um processo que envolve sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Como mostrou a CNN, Moraes havia sido sorteado relator da ação. Em despacho assinado nesta segunda-feira, porém, o ministro se declarou impedido de atuar no caso, com base no artigo 144, inciso IV, do CPC (Código de Processo Civil). Ele determinou o envio dos autos à Presidência do STF para a redistribuição do processo, conforme as regras internas da Corte.

Na ação, o vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo-PR) pede acesso aos registros de entrada no Senado Federal de diversas pessoas incluindo, além de Vorcaro e Viviane, nomes como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
Entenda

A ação foi inicialmente movida por Kilter na Justiça Federal do Paraná após o Senado negar, via LAI (Lei de Acesso à Informação), o acesso aos registros. No entanto, como o vereador apontou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), como o responsável no processo judicial, o caso foi remetido ao STF.

Ao analisar o caso, a juíza da 1ª Vara Federal de Curitiba Thaís Sampaio Machado afirmou que a competência para julgar uma ação é definida pela autoridade apontada como coatora. Como Kilter indicou o presidente do Senado, que possui foro privilegiado, a magistrada entendeu que o processo deve ser julgado pelo STF.

"Sendo o Presidente do Senado Federal o representante máximo e integrante da Mesa Diretora daquela Casa Legislativa, a competência originária para apreciar o presente mandamus contra ato a ele atribuído ultrapassa à jurisdição desta Justiça Federal de primeiro grau, recaindo exclusivamente sobre a Suprema Corte", diz a juíza em despacho que reconheceu a "incompetência absoluta" da Justiça Federal do Paraná.

Com isso, o processo foi protocolado na Suprema Corte e, seguindo o rito usual, um relator foi sorteado entre os dez ministros. Esse seria o primeiro caso envolvendo sua esposa e Banco Master que Moraes atuaria, já que o processo sobre o banco tramita na Segunda Turma, colegiado do qual ele não faz parte.

CNN

ESTRANHO: SE FALAR ISSO ALI NA ESQUINA NINGUÉM ACREDITA

Moraes é sorteado relator de ação no STF que cita a esposa Viviane Barci, Vorcaro, Lulinha e o ‘Careca do INSS’

Um mandado de segurança que pede acesso a registros de entrada e saída no Senado foi distribuído por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 18 de setembro. Entre as pessoas citadas no pedido estão a esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, o banqueiro Daniel Vorcaro e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

O processo chegou ao STF em 17 de setembro e foi distribuído a Moraes no dia seguinte. Até o momento, o ministro não tomou decisão sobre o caso e pode se declarar suspeito para atuar na ação. A informação foi divulgada inicialmente pelo repórter Daniel Gullino, da Veja, e posteriormente confirmada pelo Metrópoles.

A ação foi apresentada pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo) contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União). Kilter busca obter os registros após Alcolumbre negar os pedidos de acesso, alegando proteção de dados pessoais.

Além de Viviane, Vorcaro e Lulinha, o pedido menciona Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, Felipe Macedo Gomes, Anderson Cordeiro de Vasconcelos, Américo Monte Junior e José Ferreira da Silva (Frei Chico) que é irmão do presidente Lula.

20/09/2026

APÓS FLAGRA EM AVIÃO DE VORCARO ESPOSA DE MORAES SE MANIFESTA

Esposa de Moraes se manifesta após flagra em avião de Vorcaro

O escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, negou que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, tenha viajado com integrantes da banca em aeronaves da Prime Aviation. Em nota, o escritório confirmou, porém, que utilizou serviços de táxi aéreo da empresa em algumas ocasiões.

A manifestação foi divulgada após a publicação de um vídeo pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, que mostra Alexandre de Moraes e Viviane Barci desembarcando, em agosto de 2025, de um jatinho associado a Vorcaro no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

Segundo a banca, as viagens realizadas pela Prime Aviation não tiveram a presença de Vorcaro nem de pessoas sem relação com o escritório.

De acordo com o Barci de Moraes, a contratação de táxi aéreo é feita com diferentes empresas, seguindo critérios operacionais, sem relação pessoal com os proprietários ou operadores das aeronaves. A nota também afirma que Viviane e o ministro Alexandre de Moraes estiveram em parte dos voos.

O escritório negou ainda qualquer relação comercial com a Prime Aviation além da contratação dos serviços de táxi aéreo e afirmou não manter contrato de prestação de serviços jurídicos com a empresa nem ter adquirido cotas da companhia.

Confira a íntegra da nota:

O escritório Barci de Moraes informa que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation, cujos serviços foram utilizados em determinadas ocasiões.

Em nenhum dos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation com integrantes do escritório esteve presente Daniel Vorcaro ou qualquer outra pessoa alheia ao escritório. Em determinados voos, Viviane Barci de Moraes foi acompanhada por seu marido, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A contratação dos serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos. A escolha das aeronaves utilizadas cabe às próprias empresas de aviação civil contratadas, neste caso, a Prime Aviation.

O escritório Barci de Moraes reitera que não possui contrato de prestação de serviços advocatícios com a Prime Aviation, tampouco realizou qualquer aquisição de cotas da empresa.

pleno.news

ALEXANDRE DE MORAES É MUITO SUJO

Satanás em 'figura de gente

Alexandre de Moraes é tão sujo de tantas maneiras que um de seus piores pecados - mentir constantemente ao público sobre sua relação com Vorcaro desde o início das reportagens de Malu Gaspar - tem sido ignorado.

E não apenas suas mentiras, mas o fato de ele ter apagado deliberadamente suas mensagens para Vorcaro: algo que ele próprio classificou como criminoso para mandar outros para a prisão preventiva.

A tentativa de equiparar o que Moraes fez ao que outros fizeram também se baseia em uma mentira. O escândalo Moraes/Vorcaro não é simplesmente o fato de Xandão e sua família terem recebido a quantia obscena de R$ 200 milhões, mas sim que, depois disso, ele agiu para proteger Vorcaro, inclusive intervindo para blindar o Banco Master e, aparentemente, conversando com Vorcaro sobre como escapar e obstruir a Justiça. Se você não consegue identificar o que alguém fez para ajudar Vorcaro e o Banco Master, então não há termo de comparação com Moraes.

18/09/2026

'MORRENDO' PELA BOCA FEITO PEIXE

Como Moraes deu argumentos à defesa de Bolsonaro para tentar reverter a condenação

Em 25 de março de 2025, diante dos ministros da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado Celso Vilardi apresentou uma das preliminares da defesa de Jair Bolsonaro antes do recebimento da denúncia sobre a suposta tentativa de golpe de Estado. Na sessão, o criminalista disse que teve acesso às provas selecionadas pela acusação, mas não à íntegra do material usado para extraí-las.

“Temos tudo que a denúncia citou, mas esse é o recorte da acusação”, afirmou Vilardi, ao ensinar que a defesa tinha o direito de examinar o acervo e fazer o próprio recorte.

A argumentação de Vilardi não impediu o avanço do processo. O ministro Alexandre de Moraes afirmou que os advogados tiveram amplo acesso aos elementos utilizados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), e Bolsonaro acabou condenado a 27 anos e três meses de prisão. Um ano e meio depois daquela sustentação de Vilardi, a discussão sobre a necessidade de conhecer a íntegra de provas digitais voltou ao STF. Desta vez, no escândalo do Banco Master e em meio às suspeitas que atingem o próprio Moraes.

Nos últimos dias, Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes requisitaram acesso aos dados brutos extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os ministros alegaram, em diferentes manifestações, que precisavam conhecer o material completo para avaliar o contexto das mensagens e os trechos selecionados pela Polícia Federal (PF). A PGR agiu de maneira semelhante. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumentou que os ministros deveriam ter acesso à “integralidade dos dados” antes de decidir sobre o caso.

De acordo com juristas consultados por Oeste, a cobrança pelo acesso integral aos dados de Vorcaro pode fornecer à defesa de Bolsonaro um argumento adicional para reforçar uma tese que já integra a revisão criminal apresentada ao STF em 8 de maio: a de que o ex-presidente não teve acesso integral e em tempo adequado ao conjunto de provas produzido durante a investigação.

A revisão está sob a relatoria do ministro Nunes Marques na 2ª Turma. Além dele, integram o colegiado André Mendonça, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Luiz Fux. A defesa pede a anulação da condenação e sustenta, entre outros pontos, que houve cerceamento de defesa.

Para a advogada constitucionalista Vera Chemim, o cerceamento pode ter consequências sobre a validade dos atos praticados no processo de Bolsonaro. Ela avaliou que a falta de acesso adequado às provas, se reconhecida pelo STF, pode fundamentar a declaração de nulidade. “O cerceamento de defesa é um fundamento de natureza processual, relacionado ao direito ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório, que tem potencial para levar à nulidade dos atos judiciais praticados pelo relator”, observou.

O pedido de Vilardi

A divergência sobre as provas apareceu antes mesmo de Bolsonaro se tornar réu. Em fevereiro de 2025, a defesa procurou Moraes para reclamar que não tinha acesso à íntegra das mídias relacionadas à investigação. O ministro rejeitou a alegação. Em despacho de 27 de fevereiro, afirmou não haver dúvida de que os advogados tiveram “integral acesso aos autos e ao sistema” e poderiam analisar os elementos extraídos dos celulares. Vilardi insistiu na questão durante o julgamento que decidiu pelo recebimento da denúncia, em março. O STF rejeitou a preliminar.

Zanin, por exemplo, afirmou que as defesas haviam recebido os elementos documentados nos autos e utilizados pela PGR para elaborar a denúncia. Naquele momento, argumentou o ministro, o Supremo decidia apenas se havia elementos suficientes para abrir uma ação penal contra os acusados. Por isso, entendeu que não era necessário disponibilizar todo o material reunido na investigação. O acesso integral deveria ocorrer depois, caso a denúncia fosse aceita e a ação penal, aberta.

Esse acesso mais amplo foi determinado posteriormente. Em 30 de abril de 2025, já depois de recebida a denúncia, Moraes mandou a PF disponibilizar às defesas todas as provas coletadas na investigação e fixou cinco dias para que a corporação informasse como faria a entrega. Mas a controvérsia continuou.

No julgamento de setembro de 2025, Vilardi voltou ao tema. Disse que parte do acervo chegou quando a instrução já estava em andamento e citou aproximadamente 70 terabytes de dados. Conforme o advogado, um problema no arquivo relacionado ao general Mário Fernandes só foi informado depois do encerramento da instrução. “Não tivemos acesso à prova e muito menos prazo suficiente”, afirmou, ao acrescentar que, em 34 anos de advocacia, era a primeira vez que chegava a um julgamento sem conhecer a íntegra do processo.

Moraes rejeitou novamente a alegação de cerceamento de defesa. Segundo o ministro, os advogados tiveram acesso aos autos e às provas usadas pela acusação e, por isso, não houve prejuízo ao direito de defesa.

A discussão reaparece no caso Master

A discussão ganhou outro peso na semana passada, quando o STF se preparava para analisar o relatório da PF sobre mensagens de Vorcaro atribuídas a conversas com Moraes.

Zanin pediu a íntegra dos dados do celular do banqueiro. Na decisão, justificou que precisava conhecer o material que dera origem ao relatório policial para formar sua convicção antes do julgamento.

Gilmar foi além. O decano afirmou que os ministros tinham em mãos “recortes de diálogos selecionados” e considerou que o acesso aos dados brutos era necessário para conferir o contexto e a representatividade daquela seleção.

Moraes também recebeu os dados completos. Em sua defesa, apresentada na última terça-feira, 15, o ministro atacou a maneira como a PF trabalhou com o material apreendido. Alegou que o relatório continha “recortes de fragmentos” e contestou a conclusão de que textos encontrados no bloco de notas do iPhone de Vorcaro fossem mensagens efetivamente enviadas.

O argumento de Moraes é semelhante ao apresentado pelos advogados de Bolsonaro no processo da “trama golpista”: sem acesso ao material completo, não seria possível verificar o contexto dos trechos selecionados pelos investigadores.

Para o advogado criminalista Gauthama Fornaciari, as manifestações recentes dos ministros podem reforçar a alegação de cerceamento apresentada pela defesa de Bolsonaro. Ele chama a atenção para o fato de que, no caso Master, o acesso ao material completo foi considerado necessário em uma etapa anterior à própria abertura de uma investigação. “Se isso foi exigido para a avaliação quanto à instauração de inquérito, no qual bastam indícios de materialidade da ocorrência de crime, com maior razão deveria ser considerado para a admissibilidade ou não de ação penal, na qual se exigem indícios de autoria e de prova de materialidade de crime, ou seja, maior rigor quanto aos requisitos de admissibilidade”, afirmou.

A revisão criminal de Bolsonaro já está no STF

A defesa de Bolsonaro incluiu a questão do acesso às provas na revisão criminal apresentada ao STF em 8 de maio. Os advogados afirmam que não receberam, em tempo adequado, a íntegra do material reunido na investigação e que houve cerceamento de defesa.

Os advogados contestam também a validade da colaboração do tenente-coronel Mauro Cid, a competência da 1ª Turma para julgar o ex-presidente e outros pontos do processo.

Nunes Marques foi sorteado relator. Em maio, abriu prazo para a manifestação da PGR. Gonet pediu que a revisão fosse rejeitada. Em parecer enviado ao STF em 16 de junho, afirmou que a defesa não apresentou fato novo capaz de justificar a alteração da condenação e sustentou que as teses dos advogados já haviam sido examinadas durante o processo.

É nesse ponto que as manifestações recentes no caso Master podem entrar na revisão criminal. A jurisprudência, contudo, impõe limites a esse argumento. Em junho deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou a Revisão Criminal nº 6.110/DF, na qual também se discutia a falta de acesso integral a mídias. O STJ entendeu que as provas usadas na condenação haviam sido disponibilizadas e que não ficou demonstrado prejuízo concreto à defesa nem apresentada prova nova capaz de alterar o resultado do julgamento.

O advogado William Pimentel, especialista em Processo Penal, chama a atenção para outro aspecto: não basta verificar se a defesa teve acesso aos documentos, mas em que condições isso ocorreu. “A questão não é simplesmente saber se houve ‘acesso’, mas se esse acesso foi integral, tempestivo e processualmente útil”, considerou. “A ampla defesa prevista no artigo 5º, inciso LV, da Constituição não se satisfaz com uma disponibilização meramente formal da prova.”

revistaoeste

17/09/2026

ASPECTO MAIS REVELADOR DO ESCÂNDALO ENVONVENDO MORAE E O MASTER É EXPOSTO POR GLENN

Glenn Greenwald expõe o aspecto mais revelador do escândalo envolvendo Moraes e o banco Master

É inacreditável que a mais alta Corte da Justiça brasileira esteja vivendo momentos tão angustiantes e vergonhosos por conta da conduta de um de seus membros. Pior é a maneira como algumas autoridades tentam fazer a sua defesa. Eis a análise do jornalista Glenn Greenwald:

“O aspecto mais revelador do escândalo de Moraes é que ninguém está tentando defendê-lo quanto ao mérito: nem mesmo o próprio ministro.

Isso porque não há como defender o recebimento de cerca de R$ 200 milhões de um banqueiro corrupto, seguido pela blindagem do banco por parte de Moraes, conversas sobre fugir da justiça e obstruí-la, e a exclusão deliberada de todas as suas mensagens para Vorcaro.

Portanto, a única saída encontrada por seus aliados no STF e por seus fãs e seguidores na esquerda para salvar Moraes é tentar barrar uma investigação, desviar o foco dele para outros e protelar o máximo possível. É raro um escândalo envolver uma conduta tão escancarada e obviamente errada a ponto de ninguém se dispor a defendê-la. Mas esse é exatamente o caso do comportamento genuinamente chocante de Moraes com Vorcaro.”

16/09/2026

VORCARO E MORAES TINHAM DIÁLOGO 'CABULOSO' SIM

Emoji pode comprovar troca de mensagens de Moraes e Vorcaro

Um emoji de “joinha” encontrado em mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o contato atribuído ao ministro Alexandre de Moraes se tornou um dos principais pontos de discussão no relatório da Polícia Federal (PF) sobre o caso.

Na defesa apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), Moraes afirma que não existe uma única mensagem de sua autoria no material apreendido no celular de Vorcaro e questiona a própria existência de um diálogo entre os dois. A presença do emoji, porém, levantou a dúvida sobre quem o enviou.

O relatório da PF reúne 52 mensagens relacionadas a Vorcaro e Moraes. Em algumas das conversas, o banqueiro envia textos ou imagens e, na sequência, aparece o emoji de “joinha”. Como as mensagens enviadas por Moraes utilizavam o recurso de visualização única do WhatsApp, os investigadores não conseguiram acessar o conteúdo que teria sido enviado pelo ministro.

Trecho do relatório com o emoji de joinha Foto: Reprodução/PF

Em uma reportagem, a revista Veja consultou dois técnicos especializados em redes sociais e inteligência artificial. Segundo eles, a posição do emoji nas conversas poderia indicar que o emoji foi enviado por Moraes. Um dos especialistas afirmou que seria “raríssimo” alguém inserir o emoji na própria mensagem de outra pessoa.

Os técnicos também apontaram que, caso a PF tenha acesso à mensagem ativa que contém o emoji, seria possível, em tese, verificar a autoria do envio ao selecionar o próprio elemento dentro da conversa. Essa análise, contudo, depende do acesso ao conteúdo original e dos dados preservados no aparelho.

O emoji aparece em pelo menos uma das conversas registradas no relatório durante novembro de 2025, período em que Vorcaro enfrentava problemas relacionados ao Banco Master.

Em um trecho, o banqueiro envia mensagens e imagens ao contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, enquanto outros elementos da conversa aparecem apagados.

A defesa de Moraes sustenta uma interpretação diferente. O ministro afirma que não há no material nenhuma mensagem textual que possa ser atribuída diretamente a ele e classifica como “ilações absurdas” as conclusões de que teria mantido um diálogo com Vorcaro.

– Não existe diálogo, que pressupõe a existência de dois interlocutores, pois não há uma única mensagem ou bloco de notas com o texto de mensagens do ministro Alexandre de Moraes – afirma a manifestação apresentada ao STF.

pleno.news

14/09/2026

SACANAGEM: ANTES DA BOMBA EXPLODIR NINGUÉM PEDIA DERRUBADA DE NADA

Moraes pede para Fachin derrubar sigilo de outro processo referente ao Master

O ministro Alexandre de Moraes pediu, neste domingo, 13, para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, derrubar o sigilo de uma ação referente ao caso Master.

Em ofício, Moraes destaca que sua solicitação é voltada à Petição 15.645. O processo tem como relator o ministro André Mendonça.

De acordo com Moraes, a petição em questão “possui elementos essenciais” para a sessão da próxima terça-feira, 15. O magistrado pede ainda que os autos sejam compartilhados com todos os integrantes do STF.

Justamente por estar sob sigilo, o conteúdo referente à Petição 15.645 não é de conhecimento público.

Moraes na mira do STF

Moraes é personagem central da sessão que ele menciona. Na ocasião, por convocação de Fachin, o plenário do STF definirá se haverá abertura de investigação contra o ministro por causa de relação com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do antigo Banco Master.

Em outro processo que conta com relatoria de Mendonça, a Polícia Federal (PF) identificou séries de interações entre Moraes e Vorcaro. Ao todo, a corporação cita 52 mensagens.

Conforme a PF, o então dono do Master chegou a perguntar ao ministro se deveria fugir do Brasil. A indagação se deu na semana anterior à primeira prisão do empresário, que ocorreu em 17 de novembro do ano passado.

Há mensagens que sugerem Moraes como interlocutor de Vorcaro a eventuais proteções por parte do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Agentes da Polícia Federal também identificaram que Moraes editou o contrato firmado pelo Master com o escritório de sua mulher, a advogada Viviane Barci. O valor do negócio foi de R$ 131 milhões.

Até o momento, Moraes não se manifestou a respeito das trocas de mensagens com Vorcaro.

revistaoeste

MORAES X VORCARO: DIÁLOGO CABULOSO(!?) - VEJA

‘Tenho gratidão da minha vida a você’, escreveu Vorcaro a Moraes; veja o que há de grave nessa relação

É considerado muito grave o que pesa contra o ministro Alexandre de Moraes na relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master de hábitos mafiosos, acusado de aplicar golpe bilionário na praça e de subornar autoridades. O relatório da Polícia Federal baseado em dados extraídos do celular do acusado, apreendido na Operação Compliance Zero, expõe as mensagens, em grande parte enviadas como prints do bloco de notas em visualização única, mostram apenas o lado de Vorcaro. As respostas de Moraes, quando existiram, não foram recuperadas no aparelho periciado. Somente uma perícia no celular de Moraes, em eventual investigação, mostrará suas respostas.
A Corte julga na terça-feira (15) se abre investigação contra Moraes. Seus aliados, ligados também a Lula (PT), pressionaram o presidente Edson Fachin para adiar a sessão, mas a pauta foi mantida.

A mensagem de gratidão após o encontro

Segundo o relatório, Vorcaro e Moraes se reuniram em 14 de novembro de 2025. Depois do encontro, o banqueiro redigiu:

“Estamos juntos sempre. Voce sabe que tenho gratidao da minha vida a você. Toda minha familia, funcionarios, parceiros amigos que dependem de nos tem uma divida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo. Agora é continuar na pegada pra conseguir concluir, se Deus quiser.”

Em março de 2026, a Secretaria de Comunicação do STF divulgou nota a pedido de Moraes negando que determinadas mensagens detectadas no celular de Vorcaro se referissem a conversas com o ministro. A nota não negou, porém, que os dois tenham conversado.
Série de mensagens antes da prisão

As transcrições cobrem sobretudo outubro e novembro de 2025, quando Vorcaro tentava vender o Master (negócio com o grupo Fictor e investidores dos Emirados) e barrar o avanço das investigações. Trechos recorrentes:

  • 30 de outubro: Vorcaro pede a Moraes que reforce com Andrei Rodrigues (diretor-geral da PF) e Paulo Gonet (PGR) orientação para que “ninguém de baixo” fizesse “sacanagem” com o banco. Em seguida elogia o “legado” do ministro e diz que “tudo de importante fica no seu colo”. Menciona pressão no Banco Central sobre “G” (Gabriel Galípolo) e lista nomes de delegados e procuradores.
  • 4 e 5 de novembro: reclama de estar “no escuro” sobre o inquérito, cita os advogados Pierpaolo Bottini e Roberto Podval, pergunta se vale protocolar petição e se “não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei”. Em outro texto: “Como estamos aí? Conseguiu bloquear a maldade e sacanagem?”.
  • 12 a 16 de novembro: sequência de pedidos de encontro. Vorcaro diz que iria a Brasília “somente pra te ver e atualizar de tudo”. Confirma reunião em casa no dia 14 (“Vou chegar 14h30 ok! La em casa marcado”). No dia 15 pergunta: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. No 16 avisa que está em voo e irá direto ao encontro. Horas antes da prisão, pede para “sensibilizar” Andrei a atrasar medidas porque “tem feriado” e “o banco não quebra”.
  • No dia 17, já na data da prisão em Guarulhos, pergunta: “Ele tá sabendo das soluções? […] E com Andrei dá pra segurar?”. No mesmo 17 de novembro, Vorcaro descreveu a venda antecipada do banco e mencionou vazamento de informações. Uma das últimas mensagens do dia recebeu de Moraes, segundo o relatório, um emoji de “joinha”.
A PF cruzou horários de abertura do bloco de notas, captura de tela e envio no WhatsApp para o contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA” (também registrado com variações como “Novo” e “STF TSE NOVO”). O número teria sido compartilhado com Vorcaro por Fábio Faria em 2023.
O que mais pesa

Além das mensagens, houve também:

  • Encontros presenciais ao longo de 2024 e 2025 (residências, eventos em Londres, Campos do Jordão, Brasília).
  • Participação de Moraes na edição de cláusulas de contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório da esposa, Viviane Barci. Pagamentos mensais de cerca de R$ 3,6 milhões constam em declarações do banco.
  • Autorização de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro.
  • Consultas sobre convidados de fóruns jurídicos patrocinados pelo banco e viagens em aeronaves ligadas a Vorcaro.
Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 ao tentar embarcar e novamente em 2026. O caso Master envolve suspeita de fraudes na casa dos R$ 12 bilhões. Neste domingo, o Estadão também informou que André Mendonça autorizou bloqueio de mais de R$ 2 bilhões em bens ligados ao grupo (obras de arte, incluindo um Picasso, mansões nos EUA, iate e aeronave).

Moraes não detalhou publicamente o conteúdo das conversas. A defesa de Vorcaro não se manifestou sobre as mensagens específicas. O plenário do STF decide na terça se o material justifica investigação formal.

DP

13/09/2026

PESQUISA DATAFOLHA 'ENTERRA' MORAES

Sai o resultado da pesquisa Datafolha sobre a situação de Moraes

Levantamento realizado pelo Instituto Datafolha captou a posição da população em relação a situação do ministro Alexandre de Moraes.

O resultado é devasta

dor para o magistrado. A opinião pública quer a sua punição.

A pesquisa divulgada neste sábado (12), mostra que 75% dos entrevistados defendem algum tipo de medida em relação ao ministro Alexandre de Moraes, após a divulgação de mensagens atribuídas ao ministro e a Daniel Vorcaro.

Para 34%, Moraes deveria se afastar temporariamente para ser investigado; 28% defendem um processo de impeachment e 13%, a renúncia.

O levantamento foi realizado após a divulgação de relatório da Polícia Federal que reúne mensagens enviadas por Vorcaro a um número atribuído pelos investigadores a Moraes.

O documento também registra referências a encontros entre os dois e pedidos de orientação e proteção feitos pelo banqueiro.

Outros 7% dizem que nada deveria acontecer com Moraes porque não há nada de errado nas mensagens.

Para 5%, o ministro não deveria sofrer consequências porque o vazamento das conversas foi ilegal. Outros 13% não souberam responder.

QUEM DIRIA? XANDÃO, O X9 DO SUPREMO!

As digitais de Moraes nos vazamentos para Vorcaro

Revelações obtidas com exclusividade por Oeste apontam o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como provável fonte de informações sigilosas recebidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro antes da Operação Compliance Zero.

Nos dias que antecederam sua prisão, o então dono do Banco Master demonstrou saber onde tramitava a investigação, mencionou o juiz responsável pelo caso, Ricardo Augusto Soares Leite, e consultou Moraes pelo WhatsApp sobre possíveis medidas cautelares.

As respostas do ministro não foram recuperadas porque os dois usavam o recurso de visualização única. Contudo, as mensagens enviadas por Vorcaro sugerem que o banqueiro recebia informações sobre o andamento do inquérito e sobre as diligências preparadas pela Polícia Federal (PF).
Defesa de Vorcaro entra em cena

Um plano de voo obtido por Oeste mostra que, em 17 de novembro, uma aeronave partiria do Aeroporto de Congonhas (CGH), em São Paulo, com destino a Brasília (BSB), para transportar os advogados do banqueiro. Eles tentariam despachar com o juiz responsável pelo inquérito, a fim de obter acesso aos autos e evitar medidas cautelares contra o Master.

Na tentativa de localizar o inquérito, os advogados entraram em contato com a 10ª Vara Federal Criminal de Brasília e receberam a orientação de enviar a petição por e-mail. O documento pedia acesso à investigação e oferecia a colaboração do Master e dos dirigentes do banco.

A petição foi assinada por Walfrido Warde, Pierpaolo Bottini, Roberto Podval e Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União no governo Jair Bolsonaro. Os advogados sustentaram que uma intervenção poderia causar impacto sobre o Master e comprometer as negociações em andamento. Alegaram também que o Banco Central (BC) não havia identificado irregularidades nas operações nem nas demonstrações financeiras do Master. Quando a defesa encaminhou a petição, a prisão preventiva de Vorcaro já havia sido decretada. Ricardo Leite assinou a ordem às 15h29. O documento chegou ao e-mail da vara às 15h47, 18 minutos depois.

A PF passou a examinar a coincidência entre a assinatura da ordem de prisão e o envio da petição como indício de que Vorcaro recebera informações antecipadas.

Documentos obtidos por Oeste mostram que a defesa ainda não conhecia o número do inquérito nem tinha confirmação de que o procedimento tramitava na 10ª Vara Federal de Brasília. Às 11h08 de 17 de novembro, o site O Bastidor informou que o juízo investigava uma possível fraude bilionária relacionada à tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). Com base nessa reportagem, os advogados encaminharam uma petição ao e-mail da 10ª Vara para tentar localizar o inquérito e obter acesso aos autos.
Os diálogos entre Moraes e Vorcaro

As mensagens recuperadas pela PF mostram que Vorcaro procurava Moraes desde pelo menos 4 de novembro. Naquela data, o banqueiro perguntou que tipo de medida poderia ser adotada no inquérito e quis saber se haveria uma busca ou quebra de sigilo. Na conversa, o banqueiro alertou para as consequências de uma operação sobre o Master. “Vai tudo por água abaixo”, escreveu. Às 19h09, informou que permaneceria acordado à espera de novidades. Mais tarde, às 20h45, pediu que Moraes verificasse se conseguiria “bloquear toda maldade”. Vorcaro afirmou que uma medida drástica poderia quebrar o Master de forma irreversível.

Em 6 de novembro, o banqueiro voltou a pedir informações. Perguntou como estava a situação, se o ministro havia conseguido “bloquear a maldade”, se o caso tramitava em Brasília, qual era o tema investigado e se seria necessário adotar alguma providência jurídica urgente. Na conversa, Vorcaro contou que o advogado Pierpaolo Cruz Bottini, um dos responsáveis pela defesa, havia apresentado um pedido para tentar localizar o inquérito e encaminhá-lo à vara responsável. De acordo com o banqueiro, Bottini temia que uma petição sem justificativa pudesse acelerar alguma medida. Em seguida, Vorcaro pediu a opinião de Moraes sobre a estratégia jurídica.

Em 7 de novembro, Vorcaro disse a Moraes que temia o impacto de uma ação da PF sobre os negócios do banco. “Amanhã, vamos ver se conseguimos puxar do lado de cá”, escreveu.



“Segunda já tenho que estar fora?”

A troca de mensagens se intensificou à medida que a prisão se aproximava. Em 15 de novembro, Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Depois de receber uma mensagem do ministro cujo conteúdo não foi recuperado, o banqueiro respondeu: “Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo”.

Na mesma conversa, Vorcaro perguntou se o inquérito estava com o juiz Ricardo Leite e se o presidente do BC, Gabriel Galípolo, sabia da investigação. Ainda quis saber se Moraes poderia “fazer alguma coisa”. Naquela semana, Vorcaro preparava o anúncio da venda do Master.

Em 16 de novembro, o banqueiro perguntou ao ministro se havia possibilidade de alguma medida ser cumprida na manhã do dia seguinte. A ordem de prisão ainda não havia sido assinada por Ricardo Leite.

Na manhã de 17 de novembro, Vorcaro manteve contato com Moraes. Às 7h19, informou que tentava antecipar a entrada de investidores no Master e que poderia assinar e anunciar parte da operação de venda naquele mesmo dia. Relatou ainda que informações sobre a investigação começavam a circular, embora ainda sem detalhes.

Prisão no aeroporto

A prisão seria cumprida inicialmente na manhã de 18 de novembro. A PF antecipou a operação ao suspeitar que Vorcaro poderia deixar o país.

Na tarde de 17 de novembro, das 13h30 às 14h10, Vorcaro participou de uma videoconferência com representantes do BC. Estavam na reunião Aílton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização, e Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Vorcaro informou aos dois que buscava uma solução de mercado para o Master e viajaria a Dubai para encontrar investidores. O Banco Central confirmou que recebeu a informação verbalmente. A videoconferência não foi gravada.

Por volta das 22h, o banqueiro foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Preparava-se para embarcar em um jato particular com destino a Dubai e escala em Malta.

Para a PF, a viagem reforçou a suspeita de fuga. Vorcaro negou essa versão. Ele afirmou que iria a Dubai para concluir as negociações com os investidores estrangeiros e que havia viajado uma semana antes para tratar com o mesmo grupo.

Em 18 de novembro, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master, ao citar a grave crise de liquidez, o comprometimento significativo da situação econômico-financeira e as graves violações das normas do Sistema Financeiro Nacional.

Vorcaro foi solto em 29 de novembro de 2025.

O depoimento à Polícia Federal

O banqueiro prestou depoimento à PF em 30 de dezembro de 2025. A delegada Janaína Palazzo questionou como os advogados haviam apresentado uma petição à vara correta no mesmo dia em que a prisão foi decretada.

A delegada perguntou se o banqueiro recebera antecipadamente informações sobre o local de tramitação do processo. Vorcaro respondeu que a defesa havia apresentado pedidos semelhantes em outros locais depois da publicação de notícias sobre o inquérito.

Indagado sobre eventual acesso a documentos sigilosos, Vorcaro afirmou que não se recordava. Ele admitiu a possibilidade de ter recebido informações de um repórter, embora tenha dito não se lembrar.

Os desdobramentos do escândalo

Também em dezembro, o caso chegou ao STF por determinação do ministro Dias Toffoli, depois da descoberta de transações imobiliárias entre o banqueiro e o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA), que tem foro por prerrogativa de função.

Toffoli deixou posteriormente a relatoria. A saída ocorreu depois da divulgação de negócios envolvendo o Tayayá Resort, empreendimento ligado à família do ministro, e pessoas ou fundos relacionados ao entorno de Vorcaro.

O ministro André Mendonça assumiu o caso e determinou a segunda prisão de Vorcaro. A PF prendeu novamente o banqueiro em 4 de março de 2026. Duas propostas de colaboração premiada apresentadas por Vorcaro foram rejeitadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República. Ele busca uma terceira oportunidade para negociar um acordo.

revistaoeste

11/09/2026

A VERGONHA SUPREMA

Moraes fez duas edições no contrato de R$ 131 milhões de escritório com Master, diz PF

As cláusulas do contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da família do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram revisadas e editadas ao menos duas vezes pelo próprio ministro, segundo perícia da Polícia Federal. O acordo previa, entre outros pontos, sigilo integral sobre o contrato e pagamentos mensais de pró-labore no valor bruto de R$ 3.646 529,77.

As edições de Moraes e as 51 mensagens que Daniel Vorcaro enviou ao ministro, reveladas pelo Estadão, pautarão a sessão do STF da próxima terça-feira, 15, quando o plenário vai avaliar se abre uma investigação ou arquiva tudo o que foi revelado sobre a relação entre ele e o banqueiro.

O ministro não se manifesta sobre o teor do relatório da Polícia Federal desde 1º de setembro, quando o Estadão revelou as mensagens e o sigilo, posteriormente, foi levantado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master.

O escritório Barci de Moraes confirmou que o ministro Alexandre de Moraes acessou e editou o contrato. Segundo o escritório, o setor de compliance pediu ao ministro informações sobre eventuais impedimentos legais à contratação pelo Banco Master da banca de Viviane Barci de Mores, mulher do ministro.

A primeira edição do contrato atribuída a Moraes ocorreu antes mesmo de o documento ser enviado ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Como mostrou o Estadão em julho, Viviane Barci de Moraes encaminhou a minuta ao banqueiro pelo celular pessoal em 11 de janeiro de 2024, às 17h23. Na mensagem, escreveu: "Prezado Daniel, boa tarde. Conforme conversamos, estou enviando minuta de contrato de prestação de serviços para sua análise. Estou à disposição para qualquer esclarecimento. Abraço. Viviane Barci de Moraes".

Os metadados do arquivo, intitulado "MINUTA DE CONTRATO", registram como autor um usuário identificado como "GUILHERME BENAZZI" - administrador do escritório Barci de Moraes - e apontam que a última modificação antes do envio foi feita por um perfil denominado "Ministro Alexandre de Moraes", às 16h30 daquele mesmo dia - 53 minutos antes de Viviane encaminhar o documento a Vorcaro.

Foi a primeira edição atribuída ao ministro, segundo a PF.

Quatro dias depois, em 15 de janeiro de 2024, às 21h22, Vorcaro devolveu a minuta a Viviane pelo WhatsApp, com marcas de revisão, segundo a investigação. "Boa noite! Segue o documento preenchido. Foi incluída apenas a cláusula I.3. Por favor, nos indique se está adequada. Caso estejam de acordo, combinamos a assinatura! Um abraço", escreveu o banqueiro.

Depois da devolução, o documento voltou a ser aberto e modificado em um sistema Office 365 associado ao ministro. Os metadados registram nova alteração feita por um perfil também identificado como "Ministro Alexandre de Moraes", às 23h04 de 15 de janeiro - cerca de 1 hora e 40 minutos depois de Vorcaro ter enviado a versão revisada a Viviane.

De acordo com a perícia, Foi a segunda edição atribuída ao ministro.

Os registros coletados pela Polícia Federal apontam duas intervenções distintas de um perfil identificado como "Ministro Alexandre de Moraes": a primeira, às 16h30 de 11 de janeiro, antes do envio inicial da minuta a Vorcaro; e a segunda, às 23h04 de 15 de janeiro, após o banqueiro devolver o contrato com alterações e marcas de revisão.

Esses registros ficam armazenados na aba de propriedades de documentos manipulados no Office 365, sistema da Microsoft, e reúnem informações técnicas como autoria, datas, horários e histórico de modificações do arquivo.

Além das edições, o Estadão detalhou as principais vertentes da relação entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, incluindo pedidos reiterados do banqueiro para que o ministro interviesse junto ao delegado Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para travar as investigações sobre negócios fraudulentos do Master; a participação de Moraes na edição de um contrato de R$ 131 milhões de Viviane Moraes com Vorcaro; conversas sobre uma possível saída do banqueiro do País antes de sua prisão; cobranças relacionadas a pagamentos ao escritório Barci de Moraes; e a autorização de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos de Moraes.

Na quinta-feira, 10, o ministro marcou um pronunciamento no plenário da Primeira Turma do STF, mas cancelou a fala poucos minutos depois. O movimento ocorreu um dia depois de Moraes ser retirado da relatoria do inquérito das fake news pelo presidente da Corte, Edson Fachin, que assumiu o caso.

Estadão Conteúdo