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02/02/2026

'ENDIREITANDO': DIREITA VENCE ELEIÇÃO PRESIDENCIAL NA COSTA RICA

Laura Fernández é eleita presidente da Costa Rica

A candidata de direita Laura Fernández, de 39 anos, venceu neste domingo 1º a eleição presidencial da Costa Rica no primeiro turno, com ampla vantagem, após uma campanha na qual se apresentou como a herdeira política do atual presidente, Rodrigo Chaves, e prometeu uma postura firme contra o crime e a insegurança, as principais preocupações da população.

Com 94% das urnas apuradas, a candidata do Partido Soberano do Povo obteve 48,3% dos votos, à frente do social-democrata Álvaro Ramos, candidato do Partido da Libertação Nacional (PLN), com 33,3%.

Cientista política e especialista em políticas públicas e governança democrática, Fernández tornou-se a segunda mulher a se eleger presidente na história da Costa Rica, depois de Laura Chinchilla, do PLN, que governou o país de 2010 a 2014.

Fernández se declarou vencedora

“Desde o primeiro dia, vocês confiaram em mim, acreditaram em mim, souberam valorizar meus méritos e me deram a confiança necessária para ser a presidente eleita da Costa Rica hoje”, disse ela ao presidente Rodrigo Chaves em um telefonema televisionado.

Ela também discursou na capital, São José, perante centenas de apoiadores. “Cabe-nos a nós construir a terceira república. O mandato que me foi conferido pelo povo soberano é claro: a mudança será profunda e irreversível”, declarou Fernández.

Na Costa Rica, as mudanças políticas que surgiram após a guerra civil de 1948, como a abolição das Forças Armadas e a elaboração de uma nova Constituição, são conhecidas como Segunda República.

Fernández, que assumirá o cargo em 8 de maio, não especificou as mudanças que pretende implementar na “Terceira República”, mas, durante a campanha, prometeu reformar o sistema judicial e outras instituições estatais.

Ramos reconheceu a derrota e prometeu liderar uma “oposição construtiva”. “Que Deus lhe dê sabedoria. Nós a apoiaremos quando suas decisões forem para o bem do país”, disse o economista de 42 anos num breve discurso aos seus apoiadores.

A presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), Eugenia Zamora, disse que as eleições foram “exemplares, livres e autênticas” e honraram “a mais nobre tradição costarriquenha”.

“Herdeira” do presidente Chávez

Fernández, que foi ministra da Presidência e ministra do Planejamento no atual governo, proclamou-se herdeira política do presidente Rodrigo Chaves e responsável por dar continuidade às suas iniciativas.

A segurança pública e a expansão do narcotráfico foram os temas centrais da campanha da candidata, por serem vistos pela população como o principal problema do país. Em resposta, Fernández propôs a decretação de estado de emergência em zonas de conflito.

Fernández propõe copiar as estratégias do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, contra as gangues e reformar os poderes do Estado, o que seus oponentes denunciam como um plano para consolidar o poder absoluto, à semelhança do presidente salvadorenho. Bukele parabenizou Fernández por telefone.

A vitória de Fernández fortalece a direita na América Latina, após as recentes vitórias no Chile, na Bolívia e em Honduras.

Carta Capital

18/01/2026

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DE PORTUGAL: CANDIDATO QUE CHAMA LULA DE LADRÃO LEVA ELEIÇÃO PARA O 2º TURNO

Candidato que chama Lula de ‘ladrão’ leva eleição presidencial de Portugal para 2º turno

Com 97% dos votos apurados, os candidatos Antonio Jose Seguro (PS) e André Ventura (Chega) lideram a apuração dos votos para presidente de Portugal, com o socialista somando 30,8%, seguido de perto pelo candidato de direita, com 23,8%. Ventura sempre se refere a Lula (PT) como “ladrão” e prometeu receber o brasileiro com “voz de prisão”, se estiver no exercício do poder e o petista desembarcar em solo português.

As presidenciais portuguesas devem ser decididas em segundo turno porque nenhum dos candidatos obteve um mínimo de 50% dos votos para ser declarado vitorioso em primeiro turno.

Outro candidato conservador, Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, partido que nasceu na cidade do Porto, que agora soma 15,68%, ultrapassando o rival Marques Mendes, candidato do PSD, partido do atual primeiro-ministro Luís Montenegro, que caiu para 11,77% e ficou em 5º porque foi superado pelo almirante Gouveia e Melo (sem partido), que subiu para 4º, somando 12,29%, A candidata do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, que merece mais atenção da mídia portuguesa do que os postulantes mais relevantes, não passa de 2% do total e se mantém em 6º lugar.


Do total de onze candidatos a presidente, o comunista António Felipe (PCP) obteve até agora 1,53%, segundo de Manuel João Vieira, espécie de anticandidato que prometia Ferraris e vinho encanado aos eleitores, é apenas o 8º mais votado, com 1,01% do total. Jorge Pinto (Livre), com 0,66%, André Pestana da Silva (Movimento Alternativo Socialista), 0,22%, e Humberto Correia (0,09%), que não tem partido, completam a lista.

O primeiro-ministro Luˆs Montenegro (PSD), cujo candidato chegou apenas em 5º lugar, fez declarações no curso da apuracão deixando claro que seu partido não apoiará qualquer dos dois nomes que disputarão o segundo turno.

Seguro ressurgiu na cena política após perder a liderança do PS para o ex-primeiro-ministro António Costa, que caiu após seu governo se envolver em um escândalo de corrupção, e o jornalista André Ventura ventura volta a ser uma das principais estrelas em disputa eleitoral portuguesa. Ele é fundador e candidato a presidente pelo Chega.

PORTUGAL ELEGE NOVO PRESIDENTE NESTE DOMINGO (18)

Portugal vai às urnas para eleger presidente neste domingo

Eleitores portugueses vão às urnas neste domingo 18 para escolher o sucessor do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que já exerceu dois mandatos de cinco anos.

A votação teve início às 8h da manhã do horário local ─ 5h da manhã em Brasília. O encerramento será às 19h em Portugal Continental e Ilha da Madeira, e às 20h nos Açores ─ 16h e 17h no Brasil.

Segundo a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, 21% dos eleitores votaram até as 12h no horário local ─ 9h em Brasília.

Esta é a eleição presencial com maior número de candidatos a presidente já realizada em Portugal, com 11 concorrentes, e haverá segundo turno se nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos. Nesse caso, o novo pleito será em 8 de fevereiro.

A última vez em que as eleições portuguesas para presidente tiveram segundo turno foi em 1986.

Entre os candidatos com mais intenções de voto nas sondagens eleitorais estão Luís Marques Mendes (PSD), António José Seguro (PS), André Ventura (Chega), José Cotrim de Figueiredo (Iniciativa Liberal) e Henrique Gouveia e Melo (Independente).

A posse do próximo presidente da República será em 9 de março, data que tem sido a mesma desde 1986.

03/01/2026

QUEDA DE MADURO É COMEMORADA POR VENEZUELANOS PELA AMÉRICA DO SUL

Venezuelanos pela América do Sul celebram queda de Maduro

Venezuelanos opositores ao regime de Nicolás Maduro radicados na Argentina comemoraram neste sábado (3) a captura do ditador por parte dos Estados Unidos e consideraram que marca “o princípio do fim de um pesadelo”.

– É um dia que estivemos esperando durante tantos anos. Hoje a Venezuela inteira está comemorando, ouça bem, estamos comemorando, porque prevemos que isso é o princípio do fim de um pesadelo, pelo qual lutamos durante anos e anos – afirmou a líder opositora e secretária-geral do Fórum Argentino para a Defesa da Democracia (FADD), Elisa Trotta.

Trotta expressou sua expectativa de que Edmundo González Urrutia — candidato opositor que disputou as controversas eleições presidenciais venezuelanas de 2024 e quem ela considera ter sido o verdadeiro vencedor do pleito — assuma o poder e comece um processo de reconstrução institucional.

– Esperamos que muito em breve o presidente Edmundo González Urrutia possa finalmente ir de mãos dadas com María Corina Machado à Venezuela, assumir o cargo que lhe corresponde como presidente do país e começar esse processo de reinstitucionalização fundamental que a Venezuela necessita – acrescentou.

A venezuelana Lormys Rojas, fundadora e presidente da Associação Civil Laços de Liberdade, descreveu em diálogo com a imprensa argentina o impacto emocional que a notícia teve na diáspora.

– As emoções que eu sinto são as mesmas que sentem todos os venezuelanos. Na madrugada falávamos com a família por videochamada, todos na cama, mas acompanhando com emoção tudo o que estava acontecendo – contou.

Liset Luque, integrante da organização Aliança pela Venezuela e que vive na Argentina há sete anos, afirmou à imprensa local que a notícia a deixou em um “estado de choque emocional”.

– Muitos venezuelanos estão entre o anseio pela liberdade e o impacto de ver aquele que consideramos o líder de um sistema criminoso finalmente capturado – contou.

NO CHILE, MILHARES CELEBRAM

Milhares de venezuelanos foram neste sábado às ruas em Santiago, no Chile, para comemorar a captura de Maduro. Na ocasião, muitos expressaram o desejo de voltar à pátria para se reencontrarem com seus entes queridos.

Desde as primeiras horas da manhã, os venezuelanos concentraram-se tanto no central Parque Almagro quanto na chamada Little Caracas, uma região da capital chilena conhecida por sua numerosa população venezuelana.

– Depois de tantos anos de ditadura, já era hora de prenderem essa ratazana e todo o seu pessoal. A Venezuela está livre! Agora sim vamos poder abraçar nossos familiares que há tantos anos não vemos – disse Alfonso González, que vive no Chile há oito anos.

Ao lado, segurando uma bandeira da Venezuela e com lágrimas nos olhos, a venezuelana Betania Pérez disse que, embora o futuro ainda seja incerto e “nada se saiba 100% sobre o que vai acontecer, isso é um avanço, já é uma vitória”.

– Pedimos muitas vezes a Deus que nos ajudasse a sair deste narcorregime e estamos felizes. As lágrimas me saltam aos olhos. Estou há oito anos fora de nossa pátria e agradeço muito ao Chile por ter nos recebido – afirmou à EFE outra mulher venezuelana de meia-idade, que preferiu não se identificar.

Os venezuelanos tornaram-se nos últimos anos a maior comunidade migrante do Chile, superando os peruanos. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas do Chile (INE), vivem no país austral cerca de 730 mil venezuelanos, principalmente na Região Metropolitana de Santiago.

– Tenho muita vontade de voltar. Desde que fui embora, só pensei em voltar, em me reencontrar com meu país, com minha gente, com minha cultura – declarou Génesis, uma jovem que está há dez anos fora da Venezuela.

Com as cores da bandeira venezuelana pintada no rosto, Mendoza agradeceu a todos os países que acolheram os mais de 8 milhões de venezuelanos que se calcula que emigraram.

– Tivemos que migrar de maneira involuntária, mas aqui estamos, e penso que também contribuímos para os países aos quais chegamos – disse.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado que o ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão sendo levados para Nova Iorque após terem sido capturados em uma operação em larga escala durante a madrugada em Caracas por forças especiais americanas.

EFE

31/12/2025

FALTA REMÉDIOS NOS POSTOS PELO BRASIL E MUITA GENTE PASSANDO FOME, MAS A COMIDA E OS REMÉDIOS VÃO PRA CUBA

Brasil envia 10 toneladas de alimentos e medicamentos

O Brasil entregou, nesta terça-feira (30), uma doação de dez toneladas de alimentos desidratados, além de 50 purificadores de água e kits de medicamentos, para ajudar os afetados pelo potente furacão Melissa, que causou estragos no leste de Cuba.

Esta doação faz parte de uma “presença constante” do governo e da sociedade brasileira ao lado do povo cubano, ressaltou o embaixador do Brasil em Havana, Christian Vargas. Ela deu declarações durante a cerimônia de entrega a autoridades do Ministério do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro (Mincex).

A carga é destinada a atender mais de 5,5 mil pessoas afetadas após a passagem devastadora do furacão Melissa no final de outubro, com impacto nas províncias de Santiago de Cuba, Granma, Holguín, Guantánamo e Las Tunas.

– Isso não foi um fato isolado – afirmou o diplomata brasileiro.

Ele lembrou ainda que, desde sua chegada a Havana em 2023, foram relançados mais de dez projetos de cooperação técnica em áreas como saúde, educação e produção agrícola.

Vargas destacou o recebimento de doações anteriores de medicamentos para tuberculose, hepatite viral e diálise, vacinas pediátricas e antibióticos, além da recente entrega de 300 sistemas de painéis solares. Nesse sentido, ele adiantou que em janeiro está prevista a chegada à ilha de mais de 20 mil doses da vacina BCG (Bacilo de Calmette-Guérin) contra a tuberculose.

O diplomata também ressaltou que a solidariedade brasileira “não é apenas governamental, mas também social”, como parte da mobilização de grupos de apoio a Cuba em seu país, que assegurou que continuará em 2026.

Após a passagem de Melissa, a ilha recebeu ajuda para reparar os danos de cerca de 30 países, entre eles Venezuela, Colômbia, Japão, Índia, Espanha, México, Vietnã, Belize, República Dominicana, Suíça, Coreia do Sul e China, além das agências da ONU, que lançaram um plano de ação para arrecadar 74,2 milhões de dólares (R$ 407, 59 milhões).

Melissa, um furacão de categoria 3 (de 5) na escala Saffir-Simpson, cruzou a zona leste cubana com ventos de 200 km/h e chuvas de até 400 milímetros em alguns pontos do país. Sua passagem deixou danos materiais significativos — mas sem vítimas, segundo o governo cubano — que abrangem 116,1 mil residências, 600 instalações médicas estatais, mais de 2 mil centros educacionais, cerca de 100 mil hectares de cultivos e infraestruturas de transporte, telecomunicações, eletricidade e abastecimento de água.

Com informações da Agência EFE

E AGORA 'LULES', O QUE TU VAI DIZER A TEU 'AMIGUES?'

China aplica tarifa de 55% sobre de carnes bovinas do Brasil

A China anunciou tarifas de 55% sobre importações de carnes bovinas do Brasil que excedam determinadas quantidades. A decisão começa a valer a partir desta quinta-feira (1º) e foi anunciada pelo Ministério de Comércio do país asiático.

Além do Brasil, outros países da América como Argentina, Uruguai e Estados Unidos também serão afetados. A Austrália, de mesmo modo entrou na lista. A China é a nação que mais compra carne do Brasil, tendo importado quase uma tonelada e meia da proteína só neste ano.

A China concluiu que o alto número de importações prejudicou o mercado e a concorrência nacional. Essa, pelo menos, foi a justificada dada pela pasta no comunicado oficial. As tarifas, no entanto, têm prazo de validade e serão mantidas por três anos, até dezembro de 2028.

O documento também afirma que as medidas protecionistas serão reduzidas aos poucos. O imposto será aplicado quando a importação ultrapassar determinadas cotas. Para 2026, o Brasil poderá exportar até pouco mais de um milhão de toneladas de carne bovina.

18/12/2025

CHINA APOIA SEU COMPARSA NARCOTERRORISTA E DITADOR VENEZUELANO E CRITICA PRESSÃO EXTERNA

China apoia ditador da Venezuela e critica pressão externa

Em um movimento de reafirmação diplomática nesta quarta-feira (17), a China declarou suporte oficial à Venezuela na proteção de sua autonomia, posicionando-se contra as recentes medidas de pressão impostas pelos Estados Unidos.

Durante diálogo com o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Yvan Gil, o chanceler chinês Wang Yi enfatizou a solidez da parceria entre Pequim e Caracas. Segundo nota do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Yi pontuou que a confiança recíproca é um pilar histórico dos laços entre os dois países.

“A China acredita que a comunidade internacional compreende e apoia a posição da Venezuela na defesa de seus direitos e interesses legítimos”, declarou o representante chinês.

O respaldo de Pequim ocorre em um cenário de agravamento da postura de Washington frente ao governo de Nicolás Maduro. Na última terça-feira (16), o presidente Donald Trump determinou o isolamento completo de embarcações petroleiras que possuam sanções e que operem em território venezuelano.

O governo dos Estados Unidos tem intensificado sua presença bélica no Mar do Caribe, mobilizando um contingente que inclui aeronaves, veículos terrestres e navios de combate, destacando-se a presença do maior porta-aviões da frota global.

O comando americano justificou a ofensiva como parte de operações contra o tráfico de drogas, tendo realizado intervenções contra diversas embarcações sob essa suspeita. Através de plataformas digitais, o líder dos EUA descreveu a Venezuela como “cercada”, sugerindo uma ampliação do cerco contra o regime de Maduro.

DP

15/12/2025

APÓS ELEIÇÃO NO CHILE VEJA COMO FICOU A DIVISÃO NA AMÉRICA DO SUL

Esquerda x Direita: a divisão na América do Sul após eleição no Chile

O ultradireitista José Antonio Kast foi eleito presidente do Chile neste domingo, 15, com cerca de 58% dos votos. Ele derrotou a candidata governista, Jeannette Jara, que lidava com a baixa popularidade do presidente Gabriel Boric — que estava impedido pela Constituição chilena, dos tempos do ditador Augusto Pinochet, a concorrer à reeleição. Com a vitória de Kast, o tabuleiro político da América do Sul se move em direção à direita. Se antes a esquerda dominava por margem estreitíssima, agora o placar está empatado.

A alternância é comum na história moderna. Até meados do século XX, a maioria dos países sul-americanos esteve submetido a ditaduras, incluindo Brasil e Argentina. A guinada à esquerda aconteceria apenas no início dos anos 2000 e ganharia até nome: “onda rosa”, como cunhou o jornalista Larry Rohter, do jornal americano The New York Times, após o êxito do esquerdista Tabaré Vázquez no Uruguai.

A mudança ocorreu em meio ao boom das commodities por demanda da China, o que beneficiou países exportadores e impulsionou o desenvolvimento econômico, ao mesmo tempo em que crescia o apelo pela redução da desigualdade social. Mas a crise de 2008, resultado de uma bolha imobiliária nos Estados Unidos, e a redução do valor das commodities levaria à ascensão conservadora na América do Sul, marcada pela histórica instabilidade democrática.

A eleição de Rodrigo Paz, de direita, na Bolívia começou a movimentar o jogo ainda em outubro. Com a nova peça, a esquerda perdeu espaço, mas ainda liderava com 7 dos 5 governos sul-americanos. Agora, com o pleito na Bolívia, há um empate: seis para a esquerda, seis para a direita (sem contar com a Guiana Francesa). O quadro pode mudar com as eleições de 2026 no Brasil. Veja abaixo:

ESQUERDA (6)
  • Brasil – Luiz Inácio Lula da Silva
  • Colômbia – Gustavo Petro
  • Guiana – Irfaan Ali
  • Suriname – Jennifer Simons
  • Uruguai – Yamandú Orsi
  • Venezuela – Nicolás Maduro

DIREITA (6)

  • Argentina – Javier Milei
  • Bolívia – Rodrigo Paz
  • Chile – José Kast
  • Equador – Daniel Noboa
  • Paraguai – Santiago Peña
  • Peru – José Neri

O CHILE SE ENDIREITOU

José Antonio Kast, de direita, é eleito presidente do Chile

O candidato de direita José Antonio Kast venceu Jeannette Jara no segundo turno e foi eleito presidente do Chile neste domingo, 14. Com 83% das urnas apuradas, Kast aparece com 58% dos votos, mais de 6 milhões, enquanto Jara soma 41%, cerca de 4 milhões de votos, cenário considerado irreversível ainda com a contagem em andamento.

O resultado consagra a terceira tentativa de Kast de chegar ao Palácio La Moneda. Fundador do Partido Republicano, ele construiu sua campanha com foco em três eixos centrais: segurança pública, geração de empregos e controle das fronteiras. O desempenho eleitoral também se refletiu no Congresso, onde seu partido passa a contar com 31 deputados e cinco senadores.

Ao longo do segundo turno, o candidato conservador conseguiu reunir o apoio de diferentes forças da oposição, como partidos da direita tradicional e grupos de centro. Mesmo sem maioria própria no Congresso, sua base parlamentar foi ampliada em relação à legislatura anterior, o que tende a influenciar a relação do Executivo com o Legislativo.

Jeannette, por sua vez, chegou ao segundo turno depois de liderar a primeira votação, mas não conseguiu manter a vantagem na etapa decisiva. No primeiro turno, realizado em novembro, ela havia obtido cerca de 27% dos votos, contra aproximadamente 24% de Kast. No confronto direto, porém, o candidato conservador ampliou significativamente seu desempenho e venceu em todas as regiões do país.

Kast tomará posse como presidente do Chile em março

A posse está prevista para 11 de março, quando o atual presidente, Gabriel Boric, fará a transferência do cargo. Até lá, a principal missão do presidente eleito será definir a equipe que conduzirá o começo do novo governo. A expectativa é que os nomes do primeiro gabinete sejam anunciados a partir da segunda quinzena de janeiro.

No dia da votação, Kast compareceu às urnas acompanhado da mulher, María Pía Adriasola, e passou o restante da manhã em sua residência, antes de seguir para o comando de campanha, onde acompanhou a apuração ao lado de aliados.

08/12/2025

A VELHA CONFRARIA BOLIVARIANA

A velha confraria bolivariana

O apelo recente de Nicolás Maduro para que “os brasileiros” se mobilizem em defesa de seu regime não deveria surpreender ninguém familiarizado com a história política latino-americana. O ditador venezuelano não fala ao país, mas a um público específico: a militância organizada de extrema-esquerda, que há décadas transita com naturalidade entre Caracas, Havana e Brasília, sob a bandeira da velha solidariedade revolucionária.

A relação é antiga. Desde o início da era Chávez, organizações brasileiras — em especial o MST — participaram de encontros, congressos e programas de “formação” promovidos pelo bolivarianismo. Em 2007, o Senado brasileiro chegou a debater denúncias de treinamento de militantes em território venezuelano, em parceria com as Farc. Antes disso, já havia intercâmbio regular com Cuba, sempre descrito com o eufemismo de “cooperação agrária”, expressão que, na prática, significa formação política alinhada ao comunismo latino-americano.

Nada disso deveria causar espanto. A esquerda latino-americana sempre funcionou como uma constelação de movimentos espelhados, unidos por afinidades ideológicas e interesses estratégicos que atravessam fronteiras, e fazem dos países do continente meros instrumentos para um projeto supranacional de poder. Do apoio brasileiro aos sandinistas nos anos 1980 à criação do Foro de São Paulo em 1990, com Lula e Fidel no centro, a coordenação continental foi se tornando cada vez mais explícita.

O problema é que, hoje, defender o socialismo bolivariano já não exige apenas fervor ideológico, mas uma completa suspensão moral. A Venezuela se tornou sinônimo de crise humanitária, êxodo em massa, colapso institucional e narcoestatismo. Ainda assim, Maduro sente-se à vontade para convocar militantes brasileiros como se pedisse apoio a uma causa legítima, e não a um regime criminoso.

O que o pedido de Maduro revela

Esse pedido revela algo mais profundo: a persistência de uma fraternidade política que, apesar de sua retórica popular, sempre dependeu menos do povo e mais de movimentos sociais, partidos políticos e organizações de fachada. Uma engrenagem que sobrevive não por resultados, mas por lealdade político-ideológica de tipo mafiosa.

Em última instância, o apelo de Maduro não é um gesto de desespero, mas de continuidade. Ele apenas confirma que a velha confraria revolucionária — essa aliança entre movimentos sociais brasileiros (que orbitam em torno do lulopetismo) e regimes autoritários do continente — permanece ativa, esperando apenas a próxima oportunidade de se mobilizar. Como sempre fez.

revistaoeste

05/12/2025

TENSÃO COM OS EUA: MADURO COM BONÉ DO MST PEDE AJUDA AO BRASIL FALANDO EM PORTUNHOL

Com boné do MST, Maduro pede ajuda do Brasil em portunhol

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, se arriscou no portunhol – a mistura informal entre os idiomas português e espanhol -, nesta quinta-feira (4), para pedir o apoio do povo brasileiro ao seu país em um programa da TV estatal, em meio ao crescimento da tensão com os Estados Unidos.

– A vitória nos pertence. Viva a unidade do povo do Brasil, viva a unidade com o povo venezuelano – disse Maduro.

Maduro mencionou o Brasil ao agradecer, durante uma transmissão ao vivo, por ter recebido um boné do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

– Povo do Brasil, às ruas para apoiar a Venezuela em sua luta pela paz e pela soberania. Eu falo para vocês toda a verdade: temos direito à paz com soberania. Que viva o Brasil – declarou.

Nos últimos meses, os Estados Unidos têm atacado embarcações no Caribe e no Pacífico, que, segundo os militares americanos, seriam de traficantes de drogas.

O governo americano também alertou companhias aéreas para que evitem sobrevoar o território venezuelano, realizou exercícios militares em águas internacionais perto da jurisdição venezuelana e enviou o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, para as proximidades da costa sul-americana. Também foram autorizadas ações secretas da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) na Venezuela.

Segundo o governo Trump, Maduro lidera um cartel de drogas chamado Cartel de los Soles. O governo venezuelano nega e diz que os EUA buscam derrubar Maduro e obter o petróleo da Venezuela. Publicamente, Maduro vem pedindo paz, chegando a cantar a música Imagine, de John Lennon, e a dançar com universitários, embora tenha reforçado que não quer “uma paz de escravos”.

Maduro e Trump conversaram por telefone em novembro. No mesmo mês, o empresário brasileiro Joesley Batista viajou para a Venezuela na tentativa de achar uma saída negociada para a crise, com a renúncia do presidente venezuelano.

AE

O ASSUNTO DA CONVERSA, POR TELEFONE, ENTRE TRUMP E LULA - SAIBA

O que Donald Trump disse a Lula sobre o destino de Nicolás Maduro

O mais recente telefonema entre Lula e Donald Trump transcorreu, segundo fontes da diplomacia, de forma bem diferente da que divulgou a Secom.

Foi o presidente dos Estados Unidos quem ligou para o brasileiro, que interrompeu uma visita à refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, para atendê-lo; e o tema principal da conversa de quarenta minutos, dizem esses interlocutores, foi o destino de Nicolás Maduro.

Donald Trump disse a Lula, que já se propôs a mediar o conflito com a Venezuela, o seguinte: só haverá acordo se o ditador deixar o país.

Surgiu, então, a hipótese de o sucessor de Hugo Chávez ganhar passagem segura para o Brasil com sua família e o entorno político mais próximo.

Daqui, os que não ficassem poderiam seguir para um asilo definitivo em Teerã, capital do Irã.

Veja

17/11/2025

'JORNALISTAS FICARAM FELIZES POR DEIXAR BELÉM' - DIZ CHANCELER ALEMÃO DIANTE DA BAGUNÇA DA COP30

Chanceler alemão: Jornalistas ficaram felizes por deixar Belém

O chanceler alemão Friedrich Merz fez um discurso em defesa de seu país, na semana passada, e acabou fazendo uma declaração considerada polêmica sobre o Brasil. O caso foi registrado no Congresso Alemão do Comércio.

Merz citou sua ida a Belém (PA) para a COP30 ao falar que a Alemanha é um dos países mais bonitos do mundo.

– Minhas senhoras e meus senhores, vivemos em um dos países mais bonitos do mundo. Eu perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil, na semana passada: “Quem de vocês gostaria de ficar por lá?” Ninguém levantou a mão. Ficamos todos felizes por, especialmente daquele lugar onde estávamos, termos voltado para a Alemanha na noite de sexta para sábado – declarou.

As informações são da DW Brasil.

Confira:

PARECE QUE VÃO 'ENDIREITAR' O CHILE

Direita soma 70,1% dos votos e impõe grande derrota à extrema-esquerda no Chile

Os candidatos conservadores a presidente do Chile somaram 70,1% dos votos e o mais votado deles, José Antonio Kast (Partido Republicano), com 24,02%, irá disputar o segundo turno contra a candidata de extrema-esquerda Jeannette Jara, do Partido Comunista Chileno (PCC), candidata de uma coalizão de partidos esquerdistas, que somou 26,76%.

O jornalista Gustavo Burgos, diretor da prestigiada revista El Porteño, afirmou à televisão local que os chilenos “provavelmente estãn presenciando uma das derrotas políticas eleitorais de maior envergadura da esquerda nos últimos 50 anos”.

O Serviço Eleitoral chileno divulgou os percentuais de votação na noite deste domingo (16), depois de computados prticamente todos os votos. Os demais candidatos de direita foram Franco Parisi (Partido de La Gente), com 19,59%, Johannes Kaiser (Partido Libertário), com 13,94%, e Evelyn Matthei, de centro-direita, com 12,56%.

No total, os candidatos conservadores de direita ou centro-direita somaram 70,13% dos votos e todos eles já garantiram apoio a Kast no segundo turno contra a candidata apoiada pelo atual presidente, Gabriel Boric, do PCC, que conclui seu mandato como um dos presidentes mais mal avaliados pelos seus cidadãos.

13/11/2025

COP30: DECEPÇÃO (!?) - LULA NÃO VAI VER A COR DO DINHEIRO DE XI JINPING

China não deve fazer aportes em fundo florestal

A China decidiu que não deverá participar do chamado Fundo Florestas Tropicais para Sempre, conforme apontaram três fontes. Também conhecido como Tropical Forest Forever Facility (TFFF), o fundo foi apresentado pelo Brasil na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP30), em Belém (PA).

A proposta do TFFF consiste em um modelo de financiamento que vai combinar investimento público e privado e prevê que os recursos sejam repassados a países com florestas tropicais que trabalhem pela preservação dessas áreas. Entre os países estão: Brasil, Colômbia, Peru, Indonésia, República Democrática do Congo e Gana.

Na prática, países que conseguirem recuperar e manter suas florestas de pé serão recompensados financeiramente por esse esforço. Eles só receberão os valores após verificação por imagens de satélite que confirmem níveis de desmatamento abaixo de limites pré-definidos.

O fundo já acumula 5,5 bilhões de dólares (R$ 29,12 milhões) em compromissos de investimento. Países como Noruega, França e Indonésia já confirmaram participação no aporte. A Alemanha disse que irá planejar uma contribuição substancial.

Duas fontes disseram que as autoridades chinesas acreditam que os países desenvolvidos devem arcar com a principal responsabilidade pelo financiamento de esforços globais de conservação. A delegação chinesa na COP30 não respondeu a pedidos de comentário. As informações são do InfoMoney e da Agência Brasil.

09/11/2025

BOLÍVIA NORMALIZA DIPLOMACIA COM OS EUA, APÓS QUASE 20 ANOS!

Após quase 20 anos, Bolívia normaliza diplomacia com EUA

A Bolívia e os Estados Unidos normalizarão suas relações diplomáticas e em breve trocarão embaixadores, anunciaram o novo presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, e o subsecretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau. Ambos reuniram-se após a cerimônia de posse de Paz e anunciaram o início de uma nova era nas relações diplomáticas entre os dois países.

– É inusitado que não tenhamos tido embaixadores. É um passo importante e espero que possamos anunciá-los muito em breve – disse Landau, o diplomata americano de mais alto escalão que viajou ao país nos últimos anos.

O último embaixador norte-americano na Bolívia foi expulso em 2008 pelo então presidente boliviano Evo Morales, que acusou suposta espionagem interna e depois retirou do país a Administração de Repressão às Drogas (DEA) e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid).

Landau, que foi embaixador de seu país no México, anunciou ainda que Washington está disposto a cooperar em vários campos com o novo governo boliviano.

– O presidente Paz expressou seu interesse em manter uma boa relação com os Estados Unidos. De forma recíproca também queremos boas relações e estou certo de que assim o faremos – afirmou.

Paz, por sua vez, abriu a possibilidade de um possível retorno à DEA.

– Todas as instituições não só dos Estados Unidos, mas de países fronteiriços que queiram trabalhar com a Bolívia para fazer um país mais seguro contra ilícitos, estarão e nós estaremos vinculados a essas nações – disse em coletiva de imprensa conjunta.

Na semana passada, antes de assumir o cargo, Paz viajou aos Estados Unidos para se reunir com organizações financeiras internacionais e buscar apoio para tirar seu país da pior crise econômica em quatro décadas.

Durante o governo de Morales (2006-2019) e de Luis Arce (2020-2025), a Bolívia se desvinculou dos Estados Unidos para fazer parte da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA) junto a Cuba, Nicarágua e Venezuela, cujo bloco suspendeu este país andino após as aproximações de Paz com Washington.

AE

04/11/2025

ACABOU A QUÍMICA QUE NUNCA EXISTIU

Itamaraty vê clima esfriar para nova conversa com os EUA sobre o tarifaço

Depois da reunião entre Lula e Donald Trump na Malásia, ficou acertado que o trio de ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Fernando Haddad (Fazenda) e Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) faria uma reunião em Washington com seus homólogos americanos – os secretários Marco Rubio (de Estado) e Scott Bessent (Comércio) e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

O encontro, no entanto, segue sem data para acontecer. Havia a expectativa de que as negociações pela reversão do tarifaço fossem retomadas nesta semana. Mas fontes da diplomacia brasileira relataram ao Radar que o cenário atual é de silêncio no rádio. E não há nenhuma movimentação para viabilizar uma reunião na capital americana nos próximos dias.

Na última quinta-feira, Greer disse que o governo dos EUA está “analisando o formato” do possível acordo comercial com o Brasil, mas esse processo poderia demorar “algumas semanas ou meses”. E acrescentou: “Queremos ter certeza de que os brasileiros (…) estejam prontos para colaborar.”

O governo Lula já colocou na mesa a possibilidade de reduzir as tarifas cobradas sobre a importação de etanol americano – que é, inclusive, um dos produtos em que de fato os Estados Unidos têm déficit comercial com o Brasil (algo totalmente diferente das constantes declarações de Trump de que os americanos sofrem um “enorme” déficit no comércio bilateral como um todo).

Mas um assunto que promete ser mais espinhoso gira em torno da regulação das big techs proposta pela administração petista. Trump vê medidas de endurecimento de controle de conteúdo e multas por descumprimento como ataques à liberdade de expressão de empresas americanas e, até, o “roubo” de dinheiro delas.

Além disso, cresce no Itamaraty a percepção de que pode demorar mais que o Brasil gostaria para se obter algum avanço nas tratativas bilaterais com os Estados Unidos, com Washington evidenciando que tem outras prioridades na política externa, sendo a principal delas evitar a deflagração de uma guerra comercial com a China.

Mesmo na América Latina, o maior foco de Trump é hoje ostentar a presença militar perto da costa da Venezuela, com um discurso ambíguo sobre o real objetivo de ataques a barcos em águas internacionais sob o pretexto de combater o narcotráfico – de fato, o presidente americano não faz questão de esconder o desejo de ver a queda do regime de Nicolás Maduro.

A escolha de Marco Rubio como o principal negociador americano semeou incertezas entre autoridades brasileiras sobre quão linha-dura o republicano descendente de cubanos seria nas tratativas. Na verdade, a aparente falta de disponibilidade do secretário de Estado dos EUA para receber a comitiva do governo Lula já está se mostrando, em si, um empecilho para o desenrolar das negociações.

Veja

03/11/2025

TAXAS: XI JINPING SE ENTENDEU COM TRUMP, SÓ O 'ARROCHADO' DO BRASIL FAZ 'BEICINHO'

Brasil enfrenta tarifa mais alta do que a China após acordo entre Trump e Xi Jinping

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (30) uma redução das tarifas de importação sobre produtos chineses, que passaram de 57% para 47%. A decisão foi tomada após uma reunião com o presidente da China, Xi Jinping.

Com a medida, o gigante asiático — principal rival econômico dos EUA — passou a pagar taxas mais baixas do que o Brasil. Os produtos brasileiros enfrentam hoje alíquotas de até 50% para entrar no mercado americano, embora existam várias exceções.

Além do Brasil, a Índia também enfrenta tarifas de até 50% impostas por Donald Trump. No caso indiano, a medida foi uma resposta à manutenção das compras de petróleo russo pelo país, contrariando as sanções dos EUA em meio à guerra na Ucrânia.

Já o Brasil foi penalizado após Trump acusar o país de promover uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

No último domingo (26), Trump e o presidente Lula (PT) se encontraram na Malásia para discutir as relações comerciais. A reunião, que durou cerca de 45 minutos, aumentou as expectativas sobre uma possível redução das tarifas impostas pelos EUA.

“O que importa em uma negociação é olhar para o futuro. A gente não quer confusão, quer resultado”, afirmou Lula.

Trump, por sua vez, disse que, apesar de o encontro ter sido “muito bom”, isso não garante um acordo imediato. “Eles gostariam de fazer um acordo. Vamos ver, agora mesmo estão pagando cerca de 50% de tarifa.”

Na reunião, os líderes decidiram iniciar um processo de negociação bilateral. Já na segunda-feira (27), representantes comerciais dos dois países realizaram a primeira reunião.

Participaram das conversas o chanceler Mauro Vieira, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, e o embaixador Audo Faleiro. O grupo definiu um calendário de reuniões focado nos setores mais afetados pelas tarifas.

Segundo o ministro do Desenvolvimento e vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ainda não há data marcada para uma nova reunião.

O encontro entre Trump e Xi Jinping

A reunião entre o presidente dos EUA e o líder chinês ocorreu na madrugada desta quinta-feira, na Coreia do Sul. Segundo Trump, em troca da redução na tarifa sobre produtos da China, Pequim deve:
  • retomar a compra de soja americana;
  • manter o fluxo de exportação de terras raras;
  • e combater o comércio ilícito de fentanil.
O encontro, que durou quase duas horas, foi o primeiro entre os dois chefes de Estado desde o retorno de Trump à Presidência, em janeiro. Na prática, representou um avanço nas tentativas de reduzir as tensões da guerra comercial entre os dois países.

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30/10/2025

QUANDO SE TEM ARGUMENTOS TUDO SE RESOLVE - QUÍMICA É 'MEUS EGGS'

Encontro entre Trump e Xi Jinping, da China, tem redução de tarifas e acordos sobre fentanil e exportação de terras raras

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que fechou um acordo com Xi Jinping, presidente da China, para reduzir tarifas sobre produtos chineses na quinta-feira (30).

Segundo Trump, as taxas sobre produtos chineses caíram de 57% para 47%. Em troca, Pequim deve:
  • retomar a compra de soja americana;
  • manter o fluxo de exportação de terras raras;
  • e combater o comércio ilícito de fentanil.
Os dois se reuniram em uma base aérea na cidade de Busan, na Coreia do Sul, para discutir uma possível trégua na guerra comercial. A reunião, primeira entre os dois líderes desde o retorno de Trump à presidência em janeiro, durou quase duas horas.

Já os tributos impostos sobre produtos relacionados ao fentanil passaram de 20% para 10%. Trump também disse que o país asiático vai comprar "quantidades enormes" de soja e outros produtos agrícolas.

🏥 O que é fentanil? É uma droga sintética muito potente, 50 vezes mais viciante do que a heroína. Hoje é o principal medicamento responsável pelas mortes por overdose de opioides nos EUA. Mas também pode ser prescrito por médicos no país, como analgésico.

➡️ A China é a principal fonte dos precursores químicos usados para produzir o fentanil. Em 2019, segundo reportagem da BBC, Pequim classificou o fentanil como um narcótico controlado. Mas o comércio de algumas substâncias envolvidas na produção da droga, muitas delas com finalidades legítimas, continua permitido, e traficantes buscam maneiras de burlar a lei.

Trump afirmou que Xi prometeu uma "ação firme" sobre a exportação das substâncias usadas para produzir fentanil. A China pediu a redução de tarifas sob o argumento de que já havia intensificado a fiscalização no país.

“Eu achei que foi uma reunião incrível”, disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One, logo após deixar Busan.

Sobre o fornecimento de terras raras, o republicano afirmou que os dois fecharam um acordo renovável de um ano.

“Todas as questões sobre terras raras foram resolvidas, e isso é para o mundo”, disse Trump.

🪨 O que são terras raras? São um grupo formado por 17 metais, como o praseodímio, o disprósio e o neodímio. Eles são essenciais para a tecnologia moderna, como na fabricação de smartphones e TVs de tela plana. Também têm papel fundamental na estratégia militar, usados em aviões de caça e drones.

O presidente americano falou ainda que os países "trabalharão juntos" para resolver a guerra da Ucrânia.

Já no caminho de volta para os Estados Unidos, Trump afirmou que alguns assuntos não foram abordados. Entre eles, os chips de inteligência artificial Blackwell, da Nvidia. O produto é alvo de tensão entre os países por causa das restrições de exportação impostas pelos EUA.

Após o encontro, o presidente chinês disse, em pronunciamento, que os dois países "não devem cair no ciclo vicioso da vingança" e que os times econômicos das potências chegaram a soluções consensuais para as divergências entre os dois países.

Por fim, Xi afirmou que eles têm "boas perspectivas de cooperação em inteligência artificial".

No início do encontro, Xi afirmou que, há poucos dias, os negociadores comerciais de ambos os países alcançaram um “consenso fundamental sobre como tratar as principais preocupações mútuas”. Ele acrescentou que está disposto a continuar trabalhando com Trump para fortalecer a base das relações entre China e EUA.

“Vamos ter uma reunião muito bem-sucedida, não tenho dúvida disso. Mas ele é um negociador muito duro”, disse Trump ao apertar a mão de Xi, no começo da reunião.

Durante o encontro, as ações chinesas chegaram a subir para o maior nível em uma década, mas recuaram horas depois.

O índice de referência Shanghai Composite Index subia até 0,2%, para 4.025,70 pontos nas negociações da manhã, atingindo seu nível mais alto desde 2015. Os setores bancário, de seguros e de bebidas alcoólicas lideraram os ganhos, embora o sentimento geral permanecesse cauteloso.

Em Hong Kong, o Hang Seng Index, subiu 0,6% após retomar as negociações, interrompidas por um feriado na quarta-feira (29).

O yuan, moeda chinesa, alcançou seu valor mais alto em quase um ano frente ao dólar, enquanto investidores apostam em uma possível diminuição das tensões comerciais que têm impactado o comércio global. Nos últimos dias, bolsas de valores ao redor do mundo — de Wall Street a Tóquio — registraram recordes.

Pouco antes do encontro, Trump afirmou em uma rede social que os EUA aumentariam imediatamente os testes de armas nucleares, citando o crescimento do arsenal chinês. O republicano se recusou a responder à pergunta de um repórter sobre essa publicação durante a reunião.

Disputa comercial

A guerra comercial entre os dois países reacendeu neste mês depois que a China propôs ampliar drasticamente as restrições às exportações de minerais de terras raras, essenciais para tecnologias de ponta — um setor dominado pelo país asiático.

Trump chegou a prometer retaliar com tarifas adicionais de 100% sobre as exportações chinesas, além de outras medidas, incluindo possíveis restrições às exportações para a China de produtos feitos com softwares americanos — ações que poderiam ter abalado a economia global.

g1