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12/09/2026

PROVA DE CONCURSO DA PMRN MARCADA PARA 20 DE SETEMBRO É SUSPENSA PELO TJRN

TJRN suspende prova de concurso da PMRN marcada para 20 de setembro

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) suspendeu a prova do concurso público para os cargos de Praças da Saúde (QPS) e Praças Músicos (QPM) da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, marcada para 20 de setembro. A decisão é da juíza relatora da 2ª Câmara Cível e suspende edital de retomada até que o Tribunal julgue os recursos que tratam das cotas raciais e das vagas para pessoas com deficiência.

Segundo a Defensoria Pública do Estado (DPE-RN), autora da ação civil pública que deu origem ao caso, o documento havia remarcado a prova, mas não cumpria as mudanças no edital que já haviam sido determinadas pela Justiça sobre as cotas para candidatos pretos, pardos, indígenas e quilombolas e sobre a reserva de vagas para pessoas com deficiência (PcD).

O novo edital foi publicado sem que a Comissão do Concurso alterasse as regras do edital e sem reabrir o prazo de inscrições. Diante disso, a Defensoria pediu ao TJRN que a decisão judicial fosse cumprida integralmente, com a alteração do edital, ou, caso isso não ocorresse, que a nova prova fosse suspensa até o julgamento final dos recursos.

A magistrada citou uma decisão anterior do Supremo Tribunal Federal na ADI nº 7.401 (relator ministro Nunes Marques, Plenário, julgada em 18/05/2026). Segundo esse entendimento, pessoas com deficiência não podem ser impedidas de participar de concursos militares de forma genérica, principalmente quando se trata de cargos técnicos, como os das áreas de saúde e música do concurso da PMRN, que não envolvem policiamento ostensivo.

Com base nisso e no risco de uma eventual anulação após as etapas do concurso, a relatora aceitou o pedido da Defensoria para suspender o "Edital nº Retomada/2026" e a realização da prova objetiva marcada para 20 de setembro. A suspensão vale até que a 2ª Câmara Cível julgue, de forma colegiada e definitiva, os agravos de instrumento em tramitação.

Entenda o caso

O Edital nº 001-2026/PMRN previa inicialmente, por meio da Retificação nº 04/2026, a reserva de 30% das vagas para candidatos pretos, pardos, indígenas e quilombolas. Depois, quando as inscrições já haviam sido encerradas, uma nova retificação, a de nº 05/2026, reduziu essa cota para 20% e retirou a reserva de vagas para indígenas e quilombolas. Desde o início, o edital também impedia a participação de pessoas com deficiência no concurso, sob o argumento de que os cargos exigiriam aptidão física plena por se tratar de uma carreira militar.

A 10ª Defensoria Cível de Natal considerou a medida "uma violação de direitos fundamentais de grupos sociais vulneráveis", e entrou com uma ação civil pública contra o Estado do Rio Grande do Norte e o Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e Assistencial Nacional (IDECAN).

A Justiça de primeira instância, na 2ª Vara da Fazenda Pública de Natal, concedeu uma decisão provisória suspendendo a prova objetiva, que estava marcada para 14 de junho de 2026. Também determinou que o edital fosse alterado em dez dias para restabelecer a cota de 30% e criar uma reserva mínima de 10% das vagas para pessoas com deficiência. A decisão também determinou a reabertura das inscrições por pelo menos 15 dias, sob pena de multa diária.

Essa decisão foi confirmada pela Desembargadora, então relatora do caso na 2ª Câmara Cível, que em 12 de junho de 2026 negou o pedido do Estado para suspender os efeitos da decisão provisória. Com isso, foram mantidas as obrigações de alteração do edital.

Como não houve nenhuma decisão do colegiado que tenha mudado o entendimento da então relatora, a Magistrada concluiu que a suspensão de segurança, por sua natureza político-administrativa, não substitui o recurso adequado nem pode alterar uma decisão já tomada por uma das Câmaras do Tribunal. Por isso, entendeu que a realização da prova em 20 de setembro, sem a alteração prévia do edital, não teria respaldo em uma decisão judicial.

TN

18/07/2026

PMRN EXPULSA SARGENTO CONDENADO POR ESTUPRO E MORTE

Condenado por estupro e morte de Zaira Cruz é expulso da Polícia Militar

O sargento da Polícia Militar Pedro Inácio Araújo de Maria, condenado a 20 anos de prisão pelos crimes de estupro e homicídio da estudante Zaira Dantas Silveira Cruz, de 21 anos, foi excluído da Polícia Militar do Rio Grande do Norte. A decisão foi oficializada na sexta-feira 17, por meio de portaria publicada no Boletim Geral da corporação, encerrando o vínculo do militar com a instituição após a condenação pelo Tribunal do Júri.

A decisão foi assinada pelo comandante-geral da PM, coronel Alarico Azevedo, que determinou a exclusão “a bem da disciplina”. No documento, o comandante afirma que a condenação criminal tornou Pedro Inácio incompatível com a permanência na ativa e cita a existência de “manifesta incapacidade moral superveniente”. A portaria também registra que a condenação representa “infração aos deveres do policial militar, atingindo o sentimento do dever, o pundonor policial-militar e o decoro da classe”.

O desligamento foi determinado após recomendação do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e revisa uma decisão administrativa tomada em 2024, quando o então sargento havia recebido apenas uma punição disciplinar de 30 dias de prisão. Segundo o Ministério Público, a manutenção do militar nos quadros da corporação e as promoções concedidas durante o período em que permaneceu preso eram incompatíveis com a legislação militar.

Pedro Inácio estava preso preventivamente desde março de 2019. Conforme a investigação, os crimes ocorreram dentro de um carro durante o Carnaval de Caicó, em março daquele ano. Após o julgamento, ele foi condenado por homicídio qualificado e estupro contra Zaira Cruz.

Enquanto aguardava o julgamento sob custódia da própria Polícia Militar, o militar foi promovido duas vezes. Quando foi preso, ocupava o posto de cabo, mas recebeu promoção para terceiro-sargento, em 2020, e para segundo-sargento, em 2023. Em março deste ano, voltou a ser promovido. Durante aproximadamente sete anos de prisão, continuou recebendo remuneração normalmente.

Dados do Portal da Transparência apontam que o salário do policial passou de pouco mais de R$ 4 mil, em março de 2019, para mais de R$ 10,6 mil em fevereiro deste ano. No período em que permaneceu preso, o servidor recebeu quase R$ 600 mil em salários brutos, sem considerar os descontos previdenciários.

Após a condenação definitiva pelo Tribunal do Júri da 3ª Vara da Comarca de Caicó, a Polícia Militar anulou a decisão administrativa anterior e reconheceu que a permanência do então sargento nos quadros da instituição era incompatível com a condenação criminal.

Além da exclusão da corporação, o Ministério Público mantém uma apuração para verificar possíveis prejuízos aos cofres públicos decorrentes das promoções consideradas indevidas e dos valores eventualmente pagos de forma irregular ao militar durante o período em que esteve preso.

Agora RN