28/03/2018

CEARÁ-MIRIM SITIADA

Por Carlinhos Supla.

Quem me dera, o tempo voltasse e me desse a tranquilidade das madrugadas pacatas de minha cidade.

Quem me dera, o túnel do tempo existisse e pudesse viajar através dele e chegasse as 2:00 da madrugada.
Onde essa madrugada, pertencia apenas aos sapos, grilos e rãs com suas harmonias de uma orquestra sinfônica. E até mesmo, se assustar com nossas lindas corujas rasga-mortalhas em suas proteções noturnas das torres da igreja.

Quem me dera, que a teoria de Albert Einstein fosse possível e pudéssemos viajar no tempo. E assim, viajar naquelas "saudosas  madrugadas" da minha "saudosa cidade pacata." Madrugadas tranquilas, onde andávamos a pé nos bares da cidade ou nos finais de festas tradicionais do seu único clube. Ponto de encontro da juventude valeverdiana. Madrugadas essas, onde já sabíamos que íamos encontrarmos. Talvez, alguém no chão, sobre efeito etílico do seu limite, sem ninguém pra incomodar. Ou talvez de um encontro não desejado com o, para alguns, cangaceiro, "O BIRAJARA."  O homem das madrugadas.

Assim, terminavamos as madrugadas nas bancas do picado, saboreando  um (indigesto pós noitada), picado de carneiro com tapioca e a velha e boa cachaça. Ou, uma bela e famosa carne de sol com macaxeira e cerveja, do saudoso Valdir. Sobre os olhares das passagens de carros e carretas da BR, que até então, sem grampos, propositadamente colocados para impedir o direito de ir e vir das pessoas nas madrugadas.

Sinto saudade daquele tempo, que não volta mais. E aquelas madrugadas pararam no tempo. Mas, como diz o poeta: "O tempo não para." Eu digo: O tempo evolui. Mas, não fez evoluir nossas madrugadas. E em vez da harmônica orquestra dos sapos, grilos e rãs, nossas madrugadas passaram a serem orquestradas por forasteiros encapuzados, armados até os dentes. Numa desarmonia orquestra de balas, tiros e bombas, riscando os céus da agora, madrugadas de terror.

Tenho dito.

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