Lobista doou R$ 50 mil ao PT via ingressos para evento da sigla
A lobista Roberta Luchsinger repassou, em março de 2024, R$ 50 mil ao Partido dos Trabalhadores (PT) por meio da compra de dez convites para um jantar em comemoração aos 44 anos da sigla. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou da celebração, realizada em Brasília, assim como a então presidente nacional da legenda, Gleisi Hoffmann, ministros, parlamentares e outros integrantes do partido.
Segundo mensagens obtidas pela coluna de Andreza Matais, do site Metrópoles, Luchsinger demonstrou preocupação em deixar registros da contribuição. Em 18 de março daquele ano, ela perguntou a Rogério Guedes, contato com quem tratava de assuntos do Ministério da Saúde, se poderia enviar o dinheiro para que outra pessoa fizesse a compra dos ingressos.
– Porque senão fica registrada doação, né? – indagou.
Os pagamentos foram, de fato, realizados por terceiros. Para chegar aos R$ 50 mil destinados ao Diretório Nacional do PT, foram feitos dois Pix de R$ 10 mil por Paulo Cesar Matheus da Silva e Marleide Santos Conceição; outro de R$ 20 mil pelo motorista de Luchsinger, Ulisses Barbosa Viana Junior; e duas de R$ 5 mil, uma realizada pela filha dela, Valentina, e outra por Francisco Edivan Moreira de Oliveira. A lobista encaminhou os comprovantes a Rogério Guedes.
A compra dos convites havia sido articulada dias antes. Em 14 de março, o então número 2 do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, enviou a Luchsinger um vídeo em que Gleisi Hoffmann convidava os participantes para o evento. No dia seguinte, ela procurou Rogério Guedes para saber como fazer o pagamento e informou que pretendia comprar dez ingressos.
– Serão as dez unidades de 5.000 reais? – perguntou Guedes.
– Isso – respondeu Luchsinger.
Em um áudio enviado posteriormente, ela afirmou que estava adquirindo os ingressos para “apoiar a cota do Berger”.
O jantar ocorreu na noite de 20 de março de 2024, em um centro de convenções de Brasília. Luchsinger confirmou que estaria presente e informou a Guedes que somente ela e seu então namorado, Gustavo Gaspar, participariam do evento. Os demais ingressos poderiam, segundo a lobista, ser destinados a outras pessoas.
Gaspar era assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e também é investigado no caso das fraudes em benefícios do INSS. Desde fevereiro deste ano, ele cumpre prisão domiciliar em decorrência da Operação Sem Desconto.
Nas eleições municipais de 2024, Luchsinger não registrou doações oficiais ao PT nem a outras legendas. O nome da lobista aparece atualmente em três inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) que investigam fatos relacionados a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.
A apuração considerada mais avançada trata de suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde envolvendo Lulinha, Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Segundo a investigação citada pela reportagem, o grupo teria atuado para vender fármacos derivados de maconha, como o CBD.
Outro inquérito apura supostos pagamentos feitos por Luchsinger a pessoas próximas ao presidente Lula, entre elas o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Uma terceira investigação trata de possível tráfico de influência na Dataprev, empresa pública de processamento de dados.
pleno.news

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