Ditadura do Irã, apoiada por Lula, condena à morte garota de 23 anos que critica o regime
A ditadura do Irã condenou à pena de morte uma garota de 23 anos, Najmeh Amini, estudante de contabilidade, por “blasfêmia” devido a uma a um post em redes sociais cujo teor é desconhecido. O “crime” consiste em “insultar” o profeta Maomé, mas na verdade Najmeh Amini é apenas uma jovem que corajosamente critica o autoritarismo no país dos aiatolás e se transformará em mais uma mulher assassinada pelo regime.
Organizações de direitos humanos alertam que, embora execuções por blasfêmia não sejam frequentes (as últimas conhecidas ocorreram em 2023), o caso sinaliza alargamento do uso da pena de morte contra expressões online pacíficas. Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da Iran Human Rights, classificou a condenação da jovem de 23 anos por um post como “extremamente alarmante” e pediu que a comunidade internacional exija a anulação da sentença e uma moratória nas execuções.
O caso ocorre em um contexto de intensificação da repressão no Irã, com direitos humanos apontando o uso crescente de condenações à morte para silenciar dissidência.
Segundo a organização de direitos humanos Iran Human Rights (sediada na Noruega), Najmeh foi presa em Mashhad, no nordeste do Irã, no final de janeiro ou início de fevereiro de 2026, após monitoramento da Polícia Cibernética (Fata), ramo da polícia política da ditadura, que é apoiada pelo governo Lula (PT).
A acusação inicial mencionava “insultos extremamente obscenos e ofensivos contra os imames infalíveis”. Ela foi consenada pela 6ª Vara do Tribunal Criminal de Primeira Instância da província de Khorasan Razavi. Em um áudio divulgado, a jovem afirmou que a sentença foi proferida em 16 de setembro e pediu ajuda à comunidade internacional e à ONU: “Sou uma jovem inocente com tantos sonhos e esperanças. Sejam a minha voz”.
Além da pena capital, Najmeh recebeu, em processo separado, a condenação de 12 anos, seis meses e um dia de prisão por acusações de atos contra a segurança nacional e disseminação de propaganda contra o regime. Ela permanece detida na penitenciária de Vakilabad (ou Central) em Mashhad. A sentença de morte ainda não é definitiva e está sujeita a recurso perante a Suprema Corte do Irã.
Na defesa, a estudante e seu advogado alegaram que as publicações ocorreram por um “lapso de linguagem” enquanto ela estava sob efeito de cogumelos alucinógenos consumidos com amigos. O juiz rejeitou a justificativa e questionou por que, no mesmo estado, ela não teria insultado adversários do regime, como Estados Unidos ou Israel.
DP

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