Na ONU, Lula diz estar preparado para enfrentar crime e corrupção
As pautas do crime organizado e da corrupção no Brasil foram abordadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante seu discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU realizado nesta terça-feira (22) em Nova Iorque, Estados Unidos. Na ocasião, o petista afirmou que seu governo “não subestima o desafio”, mas alegou estar “preparado para enfrentar” as facções e a corrupção de forma “implacável doa a quem doer”.
– O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades. Trabalhadores são roubados, mães perdem seus filhos, policiais não voltam para suas casas. As pessoas estão cansadas da violência – assinalou.
O petista, contudo, sinalizou não admitir interferência externa no combate à criminalidade brasileira, mas sim “cooperação”. A fala ocorre em um contexto em que os EUA classificaram as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas.
– Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e dinheiro que abastece o crime organizado. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos. Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior – disse Lula.
O chefe do Executivo atribuiu ainda o crescimento do crime no Brasil à falta de coordenação entre os estados.
- Por muito tempo os estados brasileiros atuaram cada um a sua maneira, o crime se aproveitou da falta de coordenação. Mas isso está mudando. Criamos em Manaus, no Amazonas, o centro de cooperação policial internacional da Amazônia, reunindo autoridades de segurança pública dos nove países amazônicos. Em 2025, realizamos a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil. Batemos recorde de apreensão de drogas, de bens e recursos ilícitos. Estamos enfrentado todos os escalões da criminalidade, incluindo os magnatas do crime – assinalou.
Lula encerrou o tema dizendo que o “crime organizado e corrupção andam juntos, o combate à corrupção continuará implacável doa a quem doer” e que “ninguém está acima da lei”.
Por tradição, o Brasil é sempre o primeiro a discursar na Assembleia Geral da ONU. Isso porque a delegação brasileira se voluntariou para abrir os debates nos primeiros anos da organização, uma época em que outros países resistiam a assumir tal responsabilidade.
Assista ao discurso completo de Lula a seguir:

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