Lobista deu obra de arte a secretário da Saúde, diz PF
A Polícia Federal (PF) obteve mensagens que indicam o envio de uma obra de arte a Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde. A lobista Roberta Luchsinger teria entregado o presente depois do aniversário do executivo, em 2024.
Barbosa ocupa atualmente o cargo de chefe-adjunto de gabinete da Presidência. Até julho, respondia a Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula e alvo de investigações.
A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 28, pelo jornal O Globo. Segundo a PF, Roberta e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, atuaram com Barbosa para viabilizar negócios de Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, no Ministério da Saúde.
Um dos contratos previa R$ 626 milhões para fornecer derivados de canabidiol e kits de teste para dengue. A pasta não fechou os contratos.
Mensagens entre Marcola e lobista citam quadro
Marcola também pediu uma obra de arte à lobista. Em mensagem em 19 de dezembro de 2024, Marcola cobrou Roberta sobre o envio de uma tela: “E meu quadro? Kkk”. Ela respondeu: “Vai na semana que vem”, escreveu. “Berger indo hoje. Tá colocando moldura. Ontem fui lá.”
Em seguida, enviou uma foto de uma pintura de Antonio Veronese e explicou que a obra receberia nova moldura e documentação. Em áudio, Roberta afirmou: “É lindo o quadro, maravilhoso […] Esse quadro vale € 100 mil”. No dia seguinte, Barbosa enviou a ela uma foto do quadro emoldurado e respondeu: “Excepcional!!! Muuuito obrigado”.
Pela assessoria da Presidência, Barbosa afirmou à imprensa que a informação sobre o recebimento do quadro “não procede”.
Repasse de R$ 80 mil
O Careca do INSS foi o principal alvo da Operação Sem Desconto, que investiga desvios de dinheiro de aposentados. Roberta enviou a Marcola uma minuta de contrato do empresário e pressionou Lulinha a intervir no Ministério da Saúde.
A PF identificou ainda transferências de cerca de R$ 80 mil de Roberta para Marcola. No entanto, Marcola alega que o valor corresponde a um “empréstimo pessoal” legal. A defesa de Roberta disse que ela responderá aos questionamentos somente nos autos.
Em maio de 2026, Roberta afirmou que apresentou Lulinha ao Careca do INSS por “boa educação”, mas negou intermediação financeira. “Jamais apresentei os 2 com intuito de negócio”, disse. “Tanto que eles nunca tiveram transações comerciais.” De acordo com a investigação da PF, porém, Lulinha supostamente recebia uma mesada de R$ 300 mil de Antunes.
revistaoeste


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