28/07/2026

PARTIDO NOVO/RN VAI A JUSTIÇA CONTRA PERFIL DE ALLYSON BEZERRA

Partido da coligação de Álvaro aciona TRE para tirar perfil de Allyson Bezerra do ar

O Partido Novo, uma das cinco legendas que integram a coligação “EnDireita RN”, formada em torno da candidatura de Álvaro Dias (PL) ao Governo do Estado, acionou o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) para pedir que o perfil oficial do também candidato Allyson Bezerra (União) no Instagram seja retirado do ar até 15 de agosto, véspera do início oficial da campanha eleitoral.

A ação, assinada pelos mesmos advogados que representam Álvaro Dias, foi protocolada na noite desta segunda-feira 27. Na representação, a legenda acusa o candidato da coligação “Esperança e Trabalho” de realizar propaganda antecipada ao promover dois eventos para oficializar a mesma candidatura e utilizar, segundo a acusação, uma rede coordenada de páginas nas redes sociais para ampliar artificialmente sua exposição durante a pré-campanha.

Além da retirada temporária da conta @allysonbezerra.rn, o Novo pede, como medida alternativa, que a Meta remova, no prazo de 24 horas, 16 publicações relacionadas ao evento realizado por Allyson no domingo 26, sob pena de multa diária de R$ 20 mil.

O Partido Novo sustenta que Allyson realizou uma primeira convenção no dia 20 de julho, na sede estadual do União Brasil, ocasião em que foram homologadas as candidaturas de seu grupo político para as eleições de 2026. Na ocasião, a ata foi lida, aprovada e transmitida à Justiça Eleitoral, encerrando formalmente todas as deliberações sobre o tema.

Seis dias depois, no domingo 26, Allyson participou de um novo evento, no Palácio dos Esportes, em Natal, apresentado publicamente como a convenção que oficializaria sua candidatura. Oficialmente, no entanto, o evento foi a convenção do PSD, um dos partidos que integram a coligação de Allyson e que tem como presidente no Estado a senadora Zenaide Maia, candidata à reeleição.

Para o Novo, o segundo encontro não possuía qualquer função partidária e teria sido organizado apenas para ampliar a presença do candidato na imprensa e nas redes sociais antes do período permitido para a campanha.

“Privado de função deliberativa, o evento de 26 de julho não foi, materialmente, uma convenção. Foi um ato de campanha de grandes proporções, dirigido ao público em geral, com estrutura, linguagem e finalidade típicas de comício de lançamento”, afirma a ação. Em outra passagem, a legenda acusa: “Vestiu-se de convenção o que, em substância, era propaganda eleitoral antecipada”.

Novo acusa campanha de fabricar apoio popular

A representação argumenta que a divisão da convenção em dois momentos teria sido planejada previamente. Segundo o Novo, a assessoria de Allyson anunciou ainda em 16 de julho que haveria uma “convenção cartorial” no dia 20 e uma “grande convenção política” no dia 26. Para o partido, isso demonstraria que a segunda mobilização foi concebida desde o início como um ato de lançamento eleitoral, e não como uma reunião destinada a deliberar sobre candidaturas e coligações.

“O resultado foi exatamente o pretendido com a cisão: a imprensa foi conduzida a tratar um único fato, a candidatura já homologada, como se fossem dois acontecimentos autônomos, garantindo ao Representado presença ininterrupta no debate público ao longo de toda uma semana”, acusa o documento.

A ação ressalva que não atribui irregularidade aos veículos de comunicação, mas afirma que a estratégia teria sido planejada para provocar duas ondas de cobertura. “O Representado não manipulou a imprensa; manipulou o fato que a imprensa haveria de cobrir”, diz a petição.

O Novo também acusa Allyson de se beneficiar de uma prática conhecida como “astroturfing eleitoral”, caracterizada pela utilização de perfis aparentemente independentes para simular manifestações espontâneas de apoio. São citadas as páginas @rncomallyson, @timeallyson, @allyson_humorado, @allysondopovo e @allysonarrochado, que, conforme a ação, atuariam de maneira coordenada com o perfil oficial do candidato na divulgação de conteúdos antes, durante e depois dos dois eventos.

“O eleitor é induzido a crer que assiste a um clamor popular genuíno, quando, em verdade, assiste a uma encenação publicitária centralmente dirigida”, afirma a legenda. Para o Novo, a divisão dos eventos e a atuação dos perfis seriam “duas faces de uma mesma engenharia de comunicação”, destinada a fabricar “um fenômeno eleitoral que não existe organicamente”. A petição sustenta que Allyson aparentaria possuir uma mobilização popular incomum, quando, na acusação do partido, o que existiria seria uma “produção industrial de eventos e de engajamento”.

A ação cita quatro processos anteriores envolvendo conteúdos favoráveis a Allyson, nos quais o TRE-RN concedeu medidas liminares, além de uma condenação por propaganda antecipada proferida em 9 de julho. De acordo com o Novo, a repetição das publicações demonstraria que o candidato e os perfis ligados a ele “não se intimidaram com as decisões anteriores, persistindo, e agora escalando, na estratégia de antecipar a campanha e manufaturar apoio popular fictício”.

Segundo o Novo, a retirada temporária do perfil seria necessária porque a conta oficial de Allyson funcionaria como ponto central de uma rede coordenada de páginas usada para ampliar conteúdos de propaganda antecipada e simular apoio popular espontâneo. O partido sustenta que a permanência da conta no ar até o início oficial da campanha permitiria a continuidade da estratégia, aprofundaria o desequilíbrio entre os candidatos e tornaria ineficaz uma eventual decisão posterior da Justiça Eleitoral. Por isso, pede a desativação do perfil até 15 de agosto ou, alternativamente, a remoção das publicações relacionadas à convenção do dia 26.

Partido pede multa máxima

Além da suspensão do perfil ou da remoção das publicações, o Novo pede que a Meta informe o alcance dos conteúdos, a existência de impulsionamento, os pagamentos realizados, as formas de custeio e os administradores das contas envolvidas. O objetivo declarado é apurar se houve impulsionamento pago durante a pré-campanha, prática que, segundo a representação, poderia configurar uma irregularidade autônoma.

O partido também solicita que Allyson seja proibido de republicar, pessoalmente ou por terceiros, os conteúdos questionados. No julgamento definitivo, requer a condenação do candidato por propaganda eleitoral antecipada e a aplicação da multa máxima de R$ 25 mil — ou de valor equivalente ao custo da propaganda, caso seja superior. A legenda aponta como agravantes a suposta reiteração da conduta, o planejamento da divisão dos eventos, o alcance das publicações e a alegada fabricação de apoio popular.

“A cada instante de permanência no ar, aprofunda-se o desequilíbrio na disputa e consolida-se a vantagem indevida do Representado perante os demais pré-candidatos”, afirma a ação ao justificar a urgência do pedido. Até o protocolo da representação, não havia decisão sobre a liminar. As acusações apresentadas pelo Novo ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral, e Allyson Bezerra terá prazo para apresentar defesa.

Allyson acusa Álvaro de tentar ‘calar’ e ‘amordaçar’ sua campanha

Allyson Bezerra reagiu à ação apresentada pelo Novo com um vídeo publicado em suas redes sociais no qual atribuiu diretamente a iniciativa ao candidato Álvaro Dias, apesar de a representação ter sido protocolada formalmente pelo partido aliado. Em tom duro, Allyson afirmou que o adversário estaria tentando silenciá-lo após a repercussão da convenção realizada no domingo 26 e classificou o processo como “totalmente arbitrário”. “Urgente, meu povo, porque estão querendo me calar”, declarou no início da gravação.

O candidato da coligação “Esperança e Trabalho” associou o pedido de suspensão de seu perfil ao alcance obtido pelas publicações do evento no Palácio dos Esportes, em Natal. Segundo ele, a ação seria uma reação ao volume de engajamento, visualizações e postagens produzidas durante e depois da convenção. “Ele viu a quantidade de engajamento, de publicações, de visualizações e está pedindo a retirada do meu perfil do ar até o dia 15 de agosto deste ano. É isso mesmo. Ele quer que o meu perfil deixe de existir”, afirmou.

Allyson disse ainda que o processo teria como objetivo impedi-lo de divulgar visitas aos municípios e manifestações públicas de apoio à sua candidatura. “Ele quer que eu pare de ir às cidades, mostrar as cidades. Ele quer também que as pessoas parem de aparecer na minha rede social. Ele quer também que as pessoas parem de declarar que estão me apoiando. Ele quer que eu pare de fazer qualquer tipo de postagem. Ele quer me calar. Ele quer me amordaçar”, declarou.

Na sequência, o candidato elevou o tom contra Álvaro e resgatou críticas à administração do ex-prefeito em Natal. Sem citar nominalmente o adversário, chamou-o de “candidato das obras inacabadas” e o responsabilizou por problemas na Praia de Ponta Negra, pelo não funcionamento do Hospital Municipal e por débitos da Prefeitura do Natal com artistas. Allyson também acusou Álvaro de agir com truculência, constranger aliados e representar práticas políticas ultrapassadas. “Você é conhecido por ser um cara que age como um coronel, bate na mesa, humilha as pessoas. Você é conhecido por constranger as pessoas, até aquelas que trabalham ao seu lado”, disse.

Allyson também rebateu a acusação de que a mobilização no evento teria sido artificialmente fabricada. O candidato afirmou que o público compareceu voluntariamente e negou qualquer pagamento, coação ou obrigação para participar da convenção. “Tinha gente lá feliz, alegre, estava lá de forma espontânea. Ninguém foi pago, coagido ou obrigado a estar lá. As pessoas estavam lá porque quiseram estar”, declarou.

Para Allyson, a iniciativa judicial demonstraria “desespero” diante do desempenho eleitoral de sua candidatura. Ele afirmou que Álvaro não consegue avançar nas pesquisas e estaria incomodado com a recepção obtida por ele no interior do Estado. “Bateu o desespero porque você não consegue sair do mesmo número na pesquisa há meses. Você não consegue crescer. Bateu o desespero porque você sabe que eu já fui a 140 cidades do Rio Grande do Norte. Em todas as cidades, estou sendo muito bem recebido”, disse.

O candidato também acusou Álvaro de recorrer ao poder econômico e à estrutura política para tentar chegar ao Governo. “Você acha que o seu poder, o seu dinheiro, os seus milhões, a sua estrutura e a máquina que você está usando à luz do dia vão fazer você governador do Estado? Não vão, porque é o povo que decide”, afirmou.

Na parte final da declaração, Allyson classificou Álvaro como “antidemocrata” e afirmou que a ação não interromperá sua agenda de viagens nem reduzirá o apoio ao seu projeto político. “Uma ação como essa não vai retirar o meu perfil do ar. Uma ação como essa não vai fazer com que as pessoas deixem de acreditar no nosso projeto”, declarou.

Embora o Novo seja o autor formal da representação, Allyson sustentou que o partido e os advogados teriam sido mobilizados por Álvaro para ingressar com o processo. “Uma vergonha para você, que usou um partido seu, usou o seu advogado para entrar contra mim em um processo como esse, totalmente arbitrário, agindo como coronel, querendo mandar acima de tudo”, acusou.

Allyson encerrou o vídeo dizendo confiar na Justiça, na mobilização de seus apoiadores e na continuidade de sua campanha. “Eu acredito em Deus e acredito na força do meu povo, que vai, com certeza, ter mais coragem ainda para estar nas ruas e defender um grande projeto para o nosso Estado”, concluiu.
Confira o vídeo:

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