No limiar da história - Texto - Gerinaldo Moura da Silva
Professor Jomar Bezerra da Silva “Os homens bons não morrem, vivem na lembrança dos filhos, dos parentes e de seus amigos.”
Ceará-Mirim se despede hoje de um de seus filhos mais dedicados: o professor Jomar Bezerra da Silva, nascido nesta terra em 2 de março de 1940, filho de Pedro Pierre da Silva e Maria Ester da Silva. Jomar não foi apenas testemunha do tempo, foi seu guardião. Educador de vocação, dedicou parte relevante de sua trajetória profissional à antiga APEC, hoje Universidade Potiguar (UnP), e à então Escola de Comércio de Ceará-Mirim, atual Escola Estadual Professor Edgar Barbosa, onde atuou como gestor e secretário escolar, formando gerações. Exerceu também a função de Coordenador Administrativo da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, levando sua dedicação à educação para além dos muros da escola, ao serviço de toda a cidade.
Mas Jomar foi, sobretudo, um apaixonado por Ceará-Mirim. Essa paixão ele transformou em livro: “História que o Tempo não Apaga e que a Memória Eternizou”, obra em que revisitou, com ternura e simplicidade, as festas tradicionais, os circos, as serestas, o cinema, os carnavais e o cotidiano de sua cidade amada. Em suas próprias palavras, buscou contar essa história “sem muitos rodeios”, movido pelo “sentimento excessivo de amor pela minha cidade”. Assim ele se descreveu: um homem que fez de Ceará-Mirim sua casa, sua inspiração, seu chão onde deixou os passos firmes, pisando sempre no terreno da verdade, do caráter, da ética e da dignidade.
Formado em Pedagogia com habilitação em Administração Escolar pela UFRN, Jomar construiu sua vida entre a sala de aula, a gestão escolar e a escrita memorialística, sempre com o mesmo compromisso: preservar a memória de sua gente. Homem de família, foi casado com Francisca Maria Ferreira da Silva (Nininha Ferreira) por 47 anos de felicidade plena, e dessa união nasceram três filhos: Karla Islândia, Tibério César e Antônio Neto, além de cinco netos: Arthur, Luan, Mylenna, Cauan e Otto, sua maior riqueza, como ele mesmo definia.
Ceará-Mirim perde hoje um de seus cronistas mais dedicados, um educador que formou gerações e um homem que, como escreveu, encontrou nesta terra “os melhores dias de [sua] vida”. Fica o legado, ficam as páginas escritas, fica a lembrança viva de quem tanto contribuiu para a educação e para a memória desta cidade.
Descanse em paz, professor Jomar. Sua história, como você mesmo escreveu, o tempo não apaga.


Nenhum comentário:
Postar um comentário